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Amor à primeira vista: existe ou não? Vejamos o que diz a ciência

O conceito de amor à primeira vista preenche a imaginação de escritores românticos desde há séculos, mas será que essa experiência arrebatadora tem fundamentos na realidade?

4 Setembro 2024
Sandra M. Pinto
Robert De Niro and Meryl Streep star in Falling in Love.

Muita coisa acontece nos estágios iniciais de um romance, os quais estão frequentemente carregados de uma série de fenómenos fisiológicos intensos, desde o soltar das hormonas até a ativação de regiões cerebrais ligadas a comportamentos de dependência. Essa avalanche de reações pode confundir as percepções iniciais do amor.

No entanto, existe um debate na comunidade científica sobre se o amor à primeira vista é real ou apenas uma manifestação de desejo físico, com o verdadeiro amor a surgir apenas após a formação de um vínculo mais profundo entre os parceiros.

De acordo com o entendimento tradicional, o amor é uma «afeição intensa por outra pessoa, geralmente derivada de laços familiares ou relações pessoais». Entretanto, investigadores da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, EUA, categorizam o amor em três aspectos: luxúria, atração e apego.

Um estudo publicado em 2016 no Indian Journal of Endocrinology and Metabolism indica que, «embora esses elementos estejam interligados e se reforcem mutuamente, eles são distintos no cérebro, sendo cada um influenciado por diferentes neurotransmissores e circuitos neurais».

A luxúria é impulsionada pela hormonas como testosterona e o estrogénio, regulados pela amígdala (região cerebral responsável pela gestão das emoções). Por outro lado, a atração é influenciada pelos centros cerebrais de stress e envolve neurotransmissores como a dopamina, noradrenalina e cortisol. Já o apego é dominado por hormonas como a oxitocina e a vasopressina.

O amor é uma explosão química

O que muitos interpretam como amor pode ser, na verdade, uma mistura complexa de hormonas que induzem o sistema nervoso a viver sensações de prazer e conforto.

Especialistas referem que o amor tem efeitos consideráveis tanto na mente quanto no corpo. Além do sentimento de euforia e pensamentos obsessivos, há um incremento da libertação de hormonas relacionados com a felicidade, especialmente a dopamina – associada ao prazer e à recompensa – e a oxitocina – frequentemente referida como a hormona do amor devido à sua ligação com sentimentos de afeição, amor e confiança.

Estas hormonas são mais prevalentes durante a etapa de apego, em contraste com a luxúria ou atração inicial.

Os primeiros momentos do amor podem assemelhar-se a uma espécie de dependência, quando áreas similares do cérebro são ativadas tanto na fase inicial do amor quanto na dependência de cocaína, referem os especialistas.

Uma pessoa apaixonada tende a focar-se intensamente no parceiro, experimentando um estado quase frenético, variações de humor acentuadas, juntamente com ondas de euforia, comportamentos obsessivos e/ou compulsivos, vivendo uma realidade alterada, desenvolvendo , não raras vezes, uma dependência emocional da outra pessoa.

Entretanto, com o passar do tempo e o amadurecimento do relacionamento, esses sentimentos tendem a atenuar-se. As fases mais avançadas do amor romântico, segundo um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology, já não refletem o padrão de dependência química.

Um estudo de 2012, divulgado no Journal of Neuroscience, sugere que as memórias podem ser moldadas e alteradas toda as vezes que são relembradas, frequentemente sob a influência do estado emocional do momento em que a memória é recordada. Tal situação implica que, com cada recordação, a memória pode afastar-se ainda mais de sua forma original.

Isso tem implicações interessantes nas relações amorosas, onde as percepções iniciais sobre o parceiro podem ser influenciadas pelos sentimentos atuais. Assim, embora algumas pessoas possam acreditar que se apaixonaram à primeira vista, essa percepção pode ser resultado de uma memória adaptada.

Mas há mais…

Existe um fenómeno chamado de “ilusão positiva”, que coloca frequentemente uma lente positiva ou tendenciosa na forma como vemos os nossos parceiros. Conforme revelado por um estudo de 2018 na Frontiers in Human Neuroscience, os relacionamentos mais felizes e estáveis são, muitas vezes, aqueles em que os parceiros se veem um ao outro através de uma perspectiva otimista.

Este fenómeno não só contribui para menos conflitos e dúvidas, como também eleva a satisfação geral na relação.

A “ilusão positiva” pode levar as pessoas a acreditar que estavam apaixonadas desde o começo, mesmo que o desenvolvimento do amor tenha sido um processo mais gradual.

 

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