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Afasia: e se um AVC lhe roubasse a voz?

Sandra M. Pinto

“A divulgação deste alerta é essencial para dar voz a estas pessoas. Precisamos de um olhar mais atento para esta condição e de políticas públicas eficazes que garantam um melhor acompanhamento e reabilitação dos doente.” – Paula Valente

A afasia afeta cerca de 40% das pessoas que sofrem um Acidente Vascular Cerebral (AVC), impactando a sua capacidade de falar, compreender, ler e escrever. Apesar de ser uma condição que altera drasticamente a comunicação e a interação social, continua a ser pouco conhecida e compreendida pela sociedade. Para sensibilizar a população e dar visibilidade a esta realidade, a IPAFASIA, no mês em que se assinala do Dia Nacional do AVC (31 de março), lança um alerta: E se um AVC lhe roubasse a voz?

Este alerta visa chamar a atenção para os desafios enfrentados pelas pessoas com afasia e destacar a importância do diagnóstico precoce e do acesso a terapias especializadas. Com o apoio de especialistas na área da saúde e do impacto social da afasia, a iniciativa pretende ainda desmistificar conceitos errados e promover uma maior inclusão das pessoas com afasia na sociedade.

“Na IPAFASIA temos vindo a desenvolver diversas iniciativas para apoiar as pessoas com afasia e os seus familiares, procurando criar um ambiente de maior compreensão e suporte para quem vive com afasia” explica Paula Valente, Diretora Executiva da IPAFASIA. Reforçando, “a divulgação deste alerta é essencial para dar voz a estas pessoas. Precisamos de um olhar mais atento para esta condição e de políticas públicas eficazes que garantam um melhor acompanhamento e reabilitação dos doentes.” 

Nesse sentido, a IPAFASIA, em parceria com a Unidade Local de Saúde de Matosinhos, vai desenvolver um estudo pioneiro para analisar a incidência e impacto da condição nos sobreviventes de AVC. O estudo, que conta com a colaboração da Unidade de AVC do Hospital Pedro Hispano, pretende caracterizar o impacto psicossocial da afasia em sobreviventes de primeiro AVC residentes nos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, internados naquela Unidade em 2023. Após a recolha de todas as informações, será realizada uma análise estatística detalhada, cujos resultados serão divulgados em 2026, em formato de relatório e infografias. “Este estudo permitirá obter dados concretos sobre a realidade da afasia em Portugal e contribuir para o desenvolvimento de melhores estratégias de acompanhamento e reabilitação”, conclui Paula Valente.

PORTUGAL TEM UMA DAS TAXAS DE AVC MAIS ELEVADAS DA UNIÃO EUROPEIA

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Em Portugal, por hora, três portugueses sofrem um AVC, dos quais sobrevivem dois terços. Perto de metade dos sobreviventes de um AVC poderá ficar com afasia para toda a vida. Neste contexto, o IPAFASIA estima que surjam todos os anos cerca de 8.000 novos casos de afasia no país.

Portugal tem uma das taxas de AVC mais elevadas da União Europeia, refletindo a gravidade do problema e a necessidade de medidas urgentes para prevenção e reabilitação. Através de extrapolações estatísticas, a IPAFASIA calcula que a prevalência de pessoas com afasia em Portugal ronde os 40.000 casos. Portugal é o sexto país da Europa que mais gasta com a doença vascular cerebral. Os custos, diretos e indiretos, atingem cerca de 2,5 milhões de euros anuais.

SOBRE A IPAFASIA 

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A IPAFASIA é uma associação sem fins lucrativos dedicada ao apoio a pessoas com afasia e aos seus cuidadores, promovendo a inclusão, o acesso a terapias especializadas e a sensibilização sobre esta condição.

Através de projetos inovadores, a associação reforça o seu compromisso no apoio aos doentes e na promoção da investigação. Pretende que as respostas terapêuticas sejam acessíveis a todas as pessoas com afasia, independentemente das suas possibilidades financeiras. Para tal, o IPA atribui bolsas, ajustadas às possibilidades económicas de cada beneficiário. Apenas 20% das pessoas com afasia que beneficiam das terapias do IPA pagam o valor tabelado, sendo que as restantes beneficiam de bolsas. Os resultados da consignação de IRS garantem existência destas bolsas e de tantos outros recursos e ações gratuitas.