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De “farmar aura” ao “sigma”: 15 expressões explicadas sem rodeios para quem não passa o dia no TikTok

Uma família à mesa de jantar, expressando confusão sobre novas expressões populares do TikTok, como 'rizz' e 'sigma'.
Forever Young

Antigamente, as gírias nasciam no pátio da escola e demoravam meses a espalhar-se. Hoje, uma expressão pode viralizar em horas.

Era uma vez uma palavra que ninguém percebeu ao jantar

Era uma terça-feira normal. A família reunida à mesa, a conversa a correr bem, até que o seu filho mais novo disse que o colega “não tinha nenhum rizz” e que a situação tinha sido “muito Ohio”. Sorriu educadamente. Acenou com a cabeça. E não percebeu rigorosamente nada.

Se isto lhe soa familiar, está em boa companhia. Em todo o Portugal, de Lisboa ao Porto, de Braga ao Algarve, pais, mães, avós e professores deparam-se todos os dias com um vocabulário que parece vir de outro planeta. Não vem. Vem do TikTok, do Discord, do YouTube Shorts e das plataformas de jogos online. E, ao contrário do que possa parecer, tem uma lógica própria.

Este artigo não é um teste de cultura pop. É um guia prático, escrito para quem tem mais de 45 anos e quer perceber o que os jovens à sua volta estão a dizer. Sem ter de fingir que é especialista em memes.

Duas gerações, um vocabulário completamente diferente

Antes de entrar nas palavras, convém perceber quem as usa. Existe uma distinção importante entre dois grupos que muitas vezes se confundem:

Geração Z (nascidos entre 1997 e 2009): são hoje jovens adultos entre os 17 e os 29 anos. Criaram expressões como “slay”, “vibe”, “ghosting” e “no cap”. Muitos já trabalham, estudam na universidade ou vivem de forma independente.

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Geração Alpha (nascidos a partir de 2010): são os adolescentes mais novos de hoje, os chamados “filhos do iPad”. Cresceram completamente imersos no digital e desenvolveram uma linguagem ainda mais ligada a jogos e memes: “skibidi”, “sigma”, “farmar aura”. Alguns têm menos de 16 anos.

Se tem filhos ou netos dos dois grupos, o glossário duplica. Mas a boa notícia é que muitas expressões circulam entre as duas gerações.

De onde nascem estas palavras — e porquê mudam tão depressa

Antigamente, as gírias nasciam no pátio da escola e demoravam meses a espalhar-se. Hoje, uma expressão pode viralizar em horas. O mecanismo é simples: alguém publica um vídeo no TikTok, o áudio é remixado milhares de vezes, a palavra entra nos comentários, passa para o WhatsApp e, antes do fim da semana, toda a gente a usa.

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Três plataformas dominam este processo em Portugal: o TikTok (onde a maior parte das tendências linguísticas nasce), o YouTube Shorts (que amplifica e redistribui) e o Discord junto com plataformas de jogos como o Roblox (onde a linguagem gamer se funde com a linguagem do dia-a-dia).

O que une quase todas estas expressões é o propósito: criar uma linguagem de grupo, uma identidade partilhada que distingue os jovens dos adultos. Não é rebeldia, é criatividade linguística a uma velocidade que a geração anterior nunca experimentou.

Portugal tem as suas próprias nuances

Embora a maioria destas gírias venha do inglês ou da cultura americana, Portugal adaptou-as à sua forma. Expressões como “bué”, “fixe”, “brutal” e “ganda” continuam vivas e são muitas vezes misturadas com os novos termos globais. Um jovem português pode perfeitamente dizer que algo é “bué sigma” ou “ganda rizz”, e toda a gente do seu grupo percebe imediatamente.

Esta hibridização é normal e saudável. A língua portuguesa nunca esteve estática — absorveu palavras do árabe, do francês, do inglês — e o que os jovens fazem hoje não é muito diferente do que sempre aconteceu, apenas a uma velocidade muito maior.

Glossário: 15 gírias da Geração Z e Alpha para conhecer em 2026

67
Classificação para algo medíocre — nem bom nem mau. O novo “mais ou menos”.
Exemplo: “Como foi o jantar? Direto 67.”

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Farmar aura
Acumular prestígio e carisma através de atitudes, como um jogador acumula recursos num videojogo.
Exemplo: “Ele apareceu na festa com aquele look e ficou a farmar aura.”

Aura
A presença, energia ou estilo que uma pessoa transmite naturalmente.
Exemplo: “Aquela professora tem uma aura incrível.”

Rizz
Carisma natural para atrair ou impressionar alguém, sem esforço aparente.
Exemplo: “O meu amigo tem tanto rizz que toda a gente quer falar com ele.”

Sigma
Alguém independente e confiante, fora das normas sociais. Muitas vezes usado com ironia.
Exemplo: “Saiu da festa às 22h para ler. Sigma total.”

NPC
Agir de forma automática, sem pensar — como uma personagem secundária de videojogo.
Exemplo: “Segunda de manhã fico em modo NPC completo.”

Delulu
Excessivamente optimista ou com ideias irrealistas. Abreviatura de “delusional”.
Exemplo: “Ela acha que vai tirar positiva no teste. Muito delulu.”

Brain rot
Conteúdo absurdo da internet que “apodrece o cérebro” mas que os jovens adoram consumir.
Exemplo: “Ele passa horas a ver brain rot no TikTok antes de dormir.”

Skibidi
Palavra sem significado fixo, usada para descrever algo caótico, absurdo ou engraçado.
Exemplo: “Esta situação está tão skibidi que já nem sei explicar.”

Ohio
Algo estranho ou embaraçoso, fora do normal. Baseado em memes sobre o estado americano.
Exemplo: “Aquela cena no supermercado foi muito Ohio.”

Slay
Arrasar. Fazer algo de forma impressionante ou ter um visual fabuloso.
Exemplo: “A minha amiga foi ao escritório do pai e slayou logo.”

Cringe
Algo embaraçoso, brega ou que causa vergonha alheia.
Exemplo: “O pai tentou usar gírias e ficou tão cringe.”

Ghosting
Desaparecer da vida de alguém sem qualquer explicação.
Exemplo: “Namoraram três meses e ele fez-lhe ghosting do nada.”

No cap
Sem mentira, a sério. O oposto é “cap” (mentira).
Exemplo: “Este restaurante é o melhor da cidade, no cap.”

Soft launch
Apresentar algo (um relacionamento, um projecto) de forma subtil, sem grande anúncio.
Exemplo: “Ela fez um soft launch do namorado com uma foto de mãos no Instagram.”

O caso especial do “67”. A gíria que parece ter um segredo

O “67” merece uma explicação à parte, porque é das expressões que mais confunde adultos. Ao contrário das outras, não tem um significado fixo nem uma origem clara. É usado como interrupção aleatória, reacção nonsense ou classificação de algo medíocre, e o efeito é completamente intencional.

A lógica é esta: a expressão parece ter uma referência muito específica por trás, como se quem a usasse estivesse a apontar para algo que só os iniciados conhecem. Mas não está. É precisamente essa ambiguidade que a torna engraçada dentro do grupo. Se o seu neto disser que o seu jantar foi “direto 67”, não se ofenda, é apenas o equivalente moderno de “mais ou menos”, dito de forma deliberadamente estranha.

O que fazer com este conhecimento (sem passar vergonha)

A maior armadilha para qualquer adulto que aprende estas gírias é a tentação de as usar. A Geração Alpha e a Geração Z são implacáveis a identificar o que chamam de “cringe”, e um pai ou avô a tentar ser moderno com vocabulário que não lhe pertence é o exemplo perfeito.

O objetivo não é imitar. É compreender. Há uma diferença enorme entre perceber o que o seu filho quer dizer quando diz que “a situação foi muito Ohio” e tentar incorporar a expressão no seu próprio vocabulário. A primeira aproxima. A segunda afasta.

Saber que alguém está a “farmar aura” ajuda-o a perceber que o jovem está consciente da imagem que projecta, e que isso importa para ele. Saber o que é “ghosting” permite que uma conversa sobre relações seja mais direta e menos confusa.

A pergunta mais simples e mais eficaz continua a ser: “Espera, o que é isso?” Dita com curiosidade genuína, sem ironia nem gargalhada, esta pergunta abre conversas que nenhum glossário consegue substituir. O jovem não quer que o adulto fale como ele. Quer que o adulto o entenda. São coisas completamente diferentes.

Perguntas frequentes

O que significa “rizz” em português?
“Rizz” é uma abreviatura de “charisma” (carisma em inglês) e refere-se ao charme natural de uma pessoa, especialmente na forma como atrai outras sem aparente esforço. “Ter rizz” é ser naturalmente cativante.

O que é “farmar aura”?
“Farmar aura” combina linguagem de videojogos (“farmar” = acumular recursos de forma repetida) com o conceito de “aura” (presença e carisma). Significa construir activamente uma imagem de estilo e confiança através das próprias atitudes e escolhas.

O que quer dizer “67” na linguagem jovem?
“67” ou “direto 67” é usado como classificação de algo medíocre ou como reacção nonsense. Não tem origem literal. O efeito humorístico vem exactamente da sua aparente falta de sentido.

Qual é a diferença entre Geração Z e Geração Alpha?
A Geração Z nasceu entre 1997 e 2009 e inclui jovens adultos de hoje. A Geração Alpha nasceu a partir de 2010 e são os adolescentes mais novos actuais. Embora partilhem muitas gírias, a Geração Alpha tem uma linguagem ainda mais ligada a jogos, memes e humor absurdo.

O que significa “brain rot”?
“Brain rot” descreve conteúdo sem sentido e altamente repetitivo da internet — vídeos absurdos, memes caóticos — que os jovens consomem em quantidade. É usado tanto para descrever o conteúdo como o hábito de o ver.

Artigo publicado em Abril de 2026. As gírias evoluem rapidamente e algumas expressões listadas podem já estar a tornar-se “old” para os próprios jovens. Actualizações periódicas previstas.