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Câmaras com inteligência artificial detectam incêndios ainda no início

Chamas de um incêndio florestal a consumir vegetação
Georgia Gonçalves

Depois de um ano em que arderam mais de 270 mil hectares em Portugal, a videovigilância inteligente afirma-se como aliada no combate ao fogo: câmaras térmicas e inteligência artificial detectam fumo e anomalias de temperatura numa fase inicial e enviam a localização directamente para os centros de coordenação.

Portugal continua a enfrentar um risco elevado de incêndios florestais. Em 2025 arderam 270.695 hectares no país, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, um número que reforça a urgência de detectar focos de incêndio cedo e de responder depressa. É precisamente aí que a videovigilância inteligente tem vindo a ganhar terreno, e a Axis Communications, empresa sueca especializada em sistemas de vídeo em rede, acaba de detalhar como estas soluções estão a ser usadas na prevenção e no combate ao fogo.

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Ver o fumo antes das chamas

A base do sistema combina câmaras de alta resolução, sensores térmicos e análise de imagem feita por inteligência artificial. Em conjunto, conseguem identificar sinais discretos como uma coluna de fumo ténue ou uma anomalia de temperatura numa encosta, gerando alertas numa fase em que o fogo ainda é pequeno e mais fácil de dominar.

Do alerta à decisão em segundos

A detecção é só o primeiro passo. As câmaras podem transmitir automaticamente os dados em tempo real, incluindo a localização exacta do foco e imagens do local, para as plataformas de gestão de emergências e para os centros de coordenação. Na prática, a informação chega a quem decide sem depender de chamadas nem de relatos em segunda mão, o que encurta o tempo entre o primeiro sinal e a saída dos meios.

Grandes áreas vigiadas à distância

As câmaras móveis do tipo PTZ, capazes de rodar e de ampliar a imagem, permitem monitorizar áreas florestais extensas e acompanhar a evolução de um incêndio sem pôr ninguém em risco, aproximando automaticamente as zonas críticas para reforçar a percepção do terreno por parte dos operacionais.

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A inteligência artificial contra os falsos alarmes

Um dos maiores desafios destes sistemas é distinguir um incêndio de nevoeiro, nuvens baixas, fumo industrial ou reflexos provocados pelo calor. Os modelos de inteligência artificial são treinados continuamente com as imagens captadas pelas próprias câmaras, o que melhora a identificação de situações reais de risco e reduz de forma significativa os falsos alertas.

Há exemplos já no terreno. Na Galiza, em Espanha, as câmaras da empresa orientam-se automaticamente para zonas onde são registadas trovoadas e descargas eléctricas, uma das principais causas de incêndios florestais, reforçando a vigilância nas áreas de maior risco antes de haver qualquer sinal visível de fogo.

Detectar não chega

“No combate aos incêndios, a verdadeira diferença não está apenas na capacidade de detectar o fogo, mas também em garantir que essa informação chega rapidamente a quem toma decisões e actua no terreno”, resume Ricardo Pereira, responsável de vendas da Axis Communications em Portugal. “Hoje não basta detectar um potencial incêndio; é essencial garantir que a informação é fiável e chega rapidamente às equipas responsáveis pela gestão da ocorrência.”

Num país onde o verão traz todos os anos aldeias cercadas pelo fogo e populações retiradas de casa, a aposta na detecção precoce é também uma questão de protecção civil: cada minuto ganho entre o primeiro fumo e o alerta pode fazer a diferença para quem vive nas zonas de risco.

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