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À atenção de pais e avós: lições retiradas da série “Adolescência” alertam sobre os riscos digitais para os jovens

A série “Adolescência” da Netflix estreou no dia 13 de março de 2025 e tornou-se rapidamente num fenómeno mundial, desencadeando uma discussão sobre a saúde mental dos adolescentes e a sua segurança digital. A arrepiante narrativa em quatro episódios segue um rapaz de 13 anos que, após meses de cyberbullying e imersão em comunidades online tóxicas, é investigado por alegadamente ter assassinado um colega de escola. A narrativa aborda temas como a violência juvenil, o bullying e a influência das redes sociais nos jovens.

2 Abril 2025
Sandra M. Pinto

À luz das questões levantadas pela nova série da Netflix, a Kaspersky explora a forma como os pais devem supervisionar e proteger as crianças e os adolescentes online, não só controlando o acesso, mas também reconstruindo a confiança e investindo na literacia digital. De acordo com a investigação da Kaspersky, 61% das crianças recebem o seu primeiro dispositivo entre os 8 e os 12 anos de idade. Esta exposição precoce não é inerentemente negativa: as ferramentas digitais podem apoiar a aprendizagem, a criatividade e a ligação social. No entanto, é essencial que haja uma introdução estruturada ao mundo online que corresponda ao desenvolvimento emocional e cognitivo da criança – saber utilizar um dispositivo não é o mesmo que saber utilizá-lo em segurança. As crianças são expostas a um vasto ecossistema digital, em grande parte não filtrado, muito antes de serem capazes de avaliar criticamente o conteúdo, estabelecer limites ou compreender as implicações a longo prazo do seu comportamento online. Como resultado, as suas primeiras experiências online podem incluir encontros com conteúdos inadequados, comportamentos agressivos de colegas ou pressões de comparação social.

A negligência parental retratada na série da Netflix reflete a realidade. Apesar de muitos pais afirmarem que controlam as atividades online dos seus filhos, a sua preocupação limita-se sobretudo à gestão do tempo de ecrã e não aos conteúdos a que os jovens têm acesso. A exposição a conteúdos nocivos ou inadequados é um dos riscos online mais comuns para as crianças – e um dos mais fáceis de subestimar. De acordo com o relatório da Kaspersky, apenas 50% dos pais afirmam discutir regularmente a segurança online com os filhos. Uma criança pode facilmente aceder a conteúdos violentos ou materiais explícitos com apenas um clique. Sem filtragem de conteúdos ou visibilidade do que as crianças estão a ver, os pais podem não se aperceber da rapidez com que o ambiente digital pode moldar o pensamento e o comportamento.

Os especialistas sublinham que os pais têm falta de informação – não estão conscientes dos perigos do acesso ilimitado à Internet para as crianças e não sabem como as proteger enquanto estas navegam online.

“Para mim, este é o ponto alto da nova série. Para além de apresentar a questão de forma clara e cativante (graças ao seu enredo bem elaborado), também leva os adultos a refletir sobre o que os seus filhos estão a fazer online. Agora, é essencial que os pais estejam presentes e que tenham algum controlo quando não estão por perto”, afirma Andrey Sidenko, especialista em privacidade da Kaspersky.

O cyberbullying é uma das ameaças digitais mais visíveis que as crianças e os adolescentes enfrentam atualmente e uma das mais difíceis de detetar pelos pais. Ao contrário do bullying tradicional, não depende da presença física. Ocorre através de dispositivos e plataformas que os adolescentes utilizam todos os dias, tornando o abuso potencialmente constante e inevitável. Desde a personificação através de contas falsas até à distribuição de capturas de ecrã, memes ou vídeos humilhantes, o cyberbullying pode ser coordenado, persistente e, muitas vezes, passar despercebido aos adultos, especialmente quando ocorre em chats privados, grupos fechados ou formatos de conteúdo que desaparecem, como os Stories.

Quando este tipo de assédio não é resolvido, muitas vezes leva os adolescentes a um maior isolamento digital – não só dos seus pares, mas também das suas famílias. Em busca de apoio ou de um sentimento de pertença, alguns recorrem a comunidades online anónimas ou de nicho, onde as ideias nocivas são normalizadas e a vulnerabilidade é facilmente explorada, tal como apresentado na série “Adolescência”. O isolamento digital e a solidão levam a personagem principal a envolver-se profundamente em subculturas online tóxicas. Estes ambientes podem ser difíceis de monitorizar pelos adultos, especialmente quando os adolescentes escondem ativamente a sua atividade digital para evitar o escrutínio.

Para passar do isolamento digital para o diálogo digital, os pais devem tentar criar uma relação com os seus filhos na qual estes se sintam à vontade para falar quando algo corre mal online. No entanto, o diálogo por si só nem sempre é suficiente – especialmente quando os pais não sabem o que procurar – é neste contextos que as aplicações de controlo parental podem ajudar, disponibilizando informações em tempo real, alertas sobre comportamentos de risco e ferramentas inteligentes para ajudar as famílias a manterem-se informadas, sem passar da linha da vigilância digital. Quando combinadas com a confiança e a comunicação aberta, tornam-se uma forma poderosa de se manter ligado ao mundo online dos seus filhos e intervir antes que os riscos aumentem.

“O que a série ‘Adolescência’ mostra é que o perigo nem sempre se parece com ameaças tradicionais, tais como malware ou hacking. Por vezes, é uma lenta erosão da confiança, quando uma criança se sente mais segura a confiar em fóruns anónimos do que na sua própria família. Enquanto algumas plataformas online oferecem apoio, outras exploram esse silêncio, normalizando comportamentos prejudiciais ou incentivando o secretismo. É por isso que a segurança digital em casa não depende apenas da monitorização, mas também do diálogo aberto, em que os adolescentes se sentem à vontade para comunicar o que estão a sentir online, sem medo ou julgamento”, reforça Andrey Sidenko.

Para manter os seus filhos seguros online, a Kaspersky recomenda que os utilizadores tomem as seguintes medidas:

  • Mantenha-se informado sobre as ameaças mais recentes e monitorizar ativamente as atividades online dos seus filhos, criando um ambiente online mais seguro.
  • Comunique abertamente com os seus filhos sobre os potenciais riscos online e aplique diretrizes rigorosas para garantir a sua segurança.
  • Estabeleça regras básicas claras sobre o que podem e não podem fazer online e explique a razão pela qual as estabeleceu. Os pais devem rever estas regras à medida que os filhos crescem.
  • Use o Alfabeto da Cibersegurança da Kaspersky, um livro desenvolvido pelos especialistas da Kaspersky que permite que os seus filhos fiquem a conhecer as novas tecnologias, aprendam as principais regras de ciberhigiene, descubram como evitar ameaças online e reconheçam os truques dos atacantes desde jovens. Pode descarregar o pdf do livro gratuitamente.
  • Opte por aplicações dedicadas à parentalidade digital, como o Kaspersky Safe Kids, que ajudam na proteção eficaz os seus filhos em espaços online e offline. Estas aplicações ajudam os adultos a garantir uma experiência digital segura e positiva para os seus filhos, estabelecendo hábitos saudáveis, protegendo-os de conteúdos inadequados, equilibrando o tempo de ecrã e monitorizando a localização física da criança.
  • Evite que os seus filhos façam o download de ficheiros maliciosos durante a sua experiência de jogo através da instalação de uma solução de segurança fiável no seu dispositivo.

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