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Calmantes e comprimidos para dormir: o que ninguém explica quando se começa

Calmantes e comprimidos para dormir: o que ninguém explica quando se começa
Fernanda M. Reis

Portugal é dos países que mais consome benzodiazepinas. Começam para umas noites difíceis e ficam anos, com efeitos que se confundem com a idade.

Portugal tem, há anos, um dos consumos mais elevados de ansiolíticos e hipnóticos da Europa, e uma parte significativa desse consumo é crónico e ocorre em pessoas com mais de 65 anos.

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Quase sempre começa da mesma forma: uma fase difícil, um luto, uma doença, umas semanas sem dormir. E depois fica.

O que estes medicamentos fazem

Reduzem a ansiedade e induzem o sono, com eficácia real a curto prazo. O problema é que, ao fim de algumas semanas, o corpo habitua-se: a mesma dose faz menos efeito, e a tentação é aumentar.

Os efeitos que se confundem com a idade

É o ponto central. Nas pessoas mais velhas, estes fármacos associam-se a sonolência diurna, lentidão, dificuldades de memória e de concentração, confusão e, muito importante, quedas e fracturas.

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Muitos esquecimentos atribuídos à idade e muitas quedas atribuídas ao azar têm aqui a sua origem, e melhoram quando a medicação é reduzida.

O risco aumenta quando se associam a álcool, a analgésicos opioides ou a outros medicamentos sedativos.

Não parar de repente

Esta é a mensagem mais importante. A suspensão abrupta, sobretudo depois de uso prolongado, provoca sintomas de privação: ansiedade intensa, insónia de rebote, tremores e, em casos raros, convulsões.

A redução faz-se de forma gradual, com um plano definido pelo médico, em semanas ou meses, por vezes com mudança prévia para outro fármaco de semivida mais longa.

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O que resulta para dormir sem comprimidos

Horários regulares de deitar e levantar, incluindo aos fins-de-semana. Quarto escuro, fresco e sem televisão. Reduzir sestas longas. Evitar café depois do meio-dia e álcool à noite, que fragmenta o sono. Exercício durante o dia, nunca nas últimas horas.

E, se não adormecer em vinte minutos, levantar-se, ir para outra divisão com luz fraca e voltar só com sono. É a base da terapia cognitivo-comportamental para a insónia, que tem hoje mais evidência do que qualquer comprimido para o sono crónico.

Quando a medicação faz sentido

Em situações agudas e por períodos curtos, com prazo definido à partida. Em algumas doenças específicas, com indicação própria. O problema não é o medicamento, é o uso prolongado sem revisão.

A conversa a ter

Peça uma revisão da medicação ao médico de família e leve todas as embalagens. Pergunte concretamente: ainda preciso disto, e como se reduz? É uma conversa que muita gente adia há dez anos e que costuma melhorar o dia seguinte mais do que qualquer comprimido novo.

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Não misturar com álcool

A associação de calmantes ou de comprimidos para dormir com álcool multiplica o efeito sedativo e é uma das causas mais frequentes de quedas nocturnas e de confusão em pessoas mais velhas. Não há dose segura para essa combinação.

Alternativas que o médico pode propor

Em ansiedade persistente, os antidepressivos são frequentemente preferidos às benzodiazepinas para uso prolongado, por não criarem dependência. Para o sono, há fármacos com perfil mais adequado a pessoas mais velhas e, sobretudo, a intervenção comportamental, que tem efeito duradouro.

A conversa com o médico deve incluir um plano de desmame com datas, e não apenas a renovação automática da receita.