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Covid-19: «Há um antes e um depois nos casos de `long covid´ com a vacinação», afirma especialista

O número de novos casos de ‘long covid’ diminuiu drasticamente com a vacinação e a grande maioria dos doentes que apresentaram sintomas prolongados após a infeção inicial conseguiu recuperar das queixas, adiantou o especialista Miguel Toscano Rico.

28 Fevereiro 2025
Forever Young com Lusa

“O que vem descrito na literatura é que, de facto, a vacinação reduziu bastante a condição pós-covid e as complicações e isso é também o que nós constatamos na prática clínica. Há um antes e um depois da vacinação”, adiantou à agência Lusa o médico internista, que coordenou a clínica ambulatória pós-covid no Hospital de Santa Marta, em Lisboa.

Esta clínica acompanhou, principalmente nos primeiros anos da pandemia da covid-19, cerca de 760 doentes que apresentavam sintomas de ‘long covid’ e efetuou mais de 3.700 consultas, mas a realidade agora é completamente diferente.

Atualmente, “temos novos pedidos de consultas de cerca de quatro doentes em dois meses, é uma coisa completamente irrisória”, referiu Miguel Toscano Rico, adiantando que, do total de cerca de 760 doentes que foram acompanhados ao longo dos últimos anos, “não chegam a 5% os que ainda têm algum grau de queixas”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu a condição pós-covid-19 como a continuação ou desenvolvimento de novos sintomas três meses após a infeção inicial pelo vírus SARS-CoV-2 e que duram pelo menos dois meses sem outra explicação para o seu aparecimento.

O especialista explicou esta definição com o período de três meses que leva a convalescença de uma infeção viral, após o qual os sintomas têm de regredir e desaparecer.

Da sua experiência nesta área, Miguel Toscano Rico apontou a fadiga, as cefaleias, as dores articulares e musculares, as dificuldades de concentração e respiratórias, as alterações neurocognitivas, as palpitações e os episódios de vertigens como exemplos dos sintomas mais comuns.

“De uma maneira geral, a esmagadora maioria dos doentes evoluiu muito bem” e os novos casos são agora “praticamente inexistentes”, salientou o especialista de Medicina Interna, para quem não é possível traçar um perfil dos doentes que apresentaram sequelas após a infeção inicial pelo coronavírus.

“Tanto eram novos, completamente saudáveis sem nunca lhes ter acontecido nada na vida, e de repente, tiveram uma quebra de autonomia brutal, como eram doentes já mais limitados. Vimos de tudo”, recordou o médico.

Segundo referiu, por uma reorganização do serviço e tendo em conta a diminuição substancial de novos casos, os doentes que ficaram ainda com algum tipo de sequela acabaram por transitar para as consultas das respetivas especialidades.

A experiência que os profissionais de saúde obtiveram com clínica de ambulatório pós-covid foi aproveitada para desenvolver um projeto novo, que evoluiu para a criação do centro de telessaúde da Unidade Local de Saúde São José, que permite acompanhar à distância doentes crónicos.

“Foi uma das lições da clínica pós-covid”, realçou Miguel Toscano Rico, ao salientar que este projeto de telemonitorização e telereabilitação permitiu desviar o foco do tratamento em meio hospitalar para a prevenção e para o tratamento precoce da descompensação, evitando idas às urgências e eventuais internamentos.

Já para o médico de saúde pública Gustavo Tato Borges, a covid-19 trouxe uma “data de sequelas que ainda carecem de ser definidas e catalogadas” de uma forma mais concreta para que seja possível falar da `long covid´ de uma “forma muito mais segura e cabal”.

“Para podermos falar se isso é efetivamente um problema, nós precisamos de ter uma noção do que é que enquadra na definição de `long covid´ para podermos dar uma resposta cabal”, salientou Gustavo Tato Borges.

Segundo referiu, “como não há uma definição concreta do que é `long covid´, de uma forma que abranja todas as múltiplas manifestações nos doentes, “acaba por haver alguma limitação no acesso a dados”.

Recentemente, a OMS alertou que a condição pós-covid-19 continua a representar um encargo substancial para os sistemas de saúde a nível global.

Apesar de admitir ser um desafio apurar com precisão a sua incidência, a agência da ONU adiantou que os dados mais recentes sugerem que possa atingir aproximadamente 6% dos casos sintomáticos de covid-19.

Os primeiros casos de covid-19 em Portugal foram confirmados há cinco anos, em 02 de março de 2020, com os números oficiais a indicarem que mais de 5,6 milhões de pessoas terão sido infetadas pelo coronavírus.

Esta doença causada pelo SARS-CoV-2 surgiu no final de 2019 e foi declarada como uma pandemia em 11 de março de 2020 pela OMS, que em maio de 2023 considerou que já não constituía mais uma emergência de saúde pública internacional.

PC // ZO

Lusa/Fim

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