Pendurar um quadro ou uma prateleira parece simples até ao momento em que a broca entra de mais, ou não entra de todo, ou apanha um cano. Três perguntas evitam quase todos os desastres.
Primeiro: o que está lá dentro
A regra de ouro é não furar por cima nem por baixo de tomadas e interruptores, nem em faixas verticais e horizontais que partam deles. É por aí que correm os cabos eléctricos.
Nas cozinhas e casas de banho há ainda canos de água, geralmente a subir a partir das torneiras. Um detector de metais e cabos custa pouco, vende-se em qualquer loja de bricolage e resolve a dúvida em segundos.
Se não tiver detector, fure devagar, com a broca pequena, e pare ao primeiro sinal de resistência diferente.
Segundo: de que é feita a parede
Bata com os nós dos dedos. Som oco quase sempre significa pladur, ou seja, gesso cartonado sobre estrutura metálica. Som maciço significa tijolo ou betão.
- tijolo furado, o mais comum nas casas portuguesas, precisa de broca de widia e de percussão ligada;
- betão, duro, exige broca de widia e percussão, e paciência;
- pladur, fura-se com broca normal e sem percussão, e exige buchas próprias;
- azulejo, começa-se sem percussão até atravessar o vidrado, e só depois se liga.
Furar azulejo com percussão desde o início é a forma mais rápida de o estalar.
Terceiro: quanto peso vai suportar
Um quadro leve aguenta com quase qualquer bucha. Uma prateleira com livros, um televisor ou um móvel de casa de banho já não.
Em pladur, o peso nunca deve ficar preso apenas ao gesso. Ou se encontra a estrutura metálica por trás, ou se usam buchas de expansão próprias para gesso cartonado, do tipo que abre em borboleta do outro lado.
A bucha tem de corresponder ao diâmetro da broca. Bucha de seis, broca de seis. Furo maior do que a bucha significa prateleira a abanar ao fim de um mês.
O pó, que é metade do trabalho
Cole um envelope aberto ou uma pá de lixo por baixo do ponto a furar, ou peça a alguém que segure o aspirador junto à broca. Poupa uma limpeza inteira.
Marcar bem antes de furar
Meça duas vezes e marque com lápis, não com caneta. Para dois furos ao mesmo nível, use um nível de bolha ou a aplicação de nível que já vem no telemóvel.
Um truque antigo: cole fita-cola de pintor no sítio a furar. A broca não foge e a parede não lasca.
Se correr mal
Um furo mal feito tapa-se com massa de reparação, lixa-se quando secar e pinta-se por cima. Demora dez minutos e ninguém dá por nada.
Se atingir um cabo, desligue imediatamente o quadro eléctrico e chame um electricista. Não é trabalho para resolver sozinho, por mais simples que pareça.
O que ter em casa
Para quem só fura uma parede de vez em quando, um berbequim com percussão de gama média chega e sobra. Vale mais gastar o dinheiro num jogo decente de brocas de widia e num sortido de buchas do que numa máquina potente que se usa duas vezes por ano.
Um berbequim a bateria evita a extensão eléctrica atravessada na sala, que é por si só um risco de queda.
E quando é melhor chamar alguém
Móveis de cozinha suspensos, televisores grandes, corrimãos e barras de apoio na casa de banho são trabalhos em que o custo de correr mal é alto. As barras de apoio, em particular, têm de aguentar o peso inteiro de uma pessoa a cair, e não é trabalho para bucha de plástico em gesso cartonado.











