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Ignorância e felicidade: saber mais é sempre viver melhor?

Forever Young

Num mundo saturado de informação, onde somos constantemente chamados a opinar, reagir e tomar posição, a ignorância passou a ser vista quase como um defeito moral.

Num mundo saturado de informação, onde somos constantemente chamados a opinar, reagir e tomar posição, a ignorância passou a ser vista quase como um defeito moral. Mas será mesmo assim? Em Ignorância e Felicidade, publicado pela Edições 70, do Grupo Almedina, o pensador norte-americano Mark Lilla lança uma pergunta desconcertante: será que saber mais nos torna, de facto, mais felizes?

Dirigido a leitores que não se contentam com respostas simples, este livro convida à reflexão sobre uma tentação muito humana — a de permanecer ignorante em determinados aspetos da vida, não por falta de capacidade, mas por autoproteção. Lilla analisa como, em diferentes momentos da história e da vida pessoal, escolhemos não saber, não ver ou não aprofundar certas verdades, e o impacto que isso tem no nosso bem-estar.

Ao longo da obra, o autor cruza filosofia, sociologia e psicologia, questionando a ideia dominante de que o conhecimento é sempre libertador. Pelo contrário, mostra como a informação excessiva, a consciência permanente dos problemas globais ou a exposição contínua a conflitos e injustiças podem gerar ansiedade, desgaste emocional e até paralisia. Saber mais pode trazer lucidez — mas também inquietação.

Numa fase da vida em que muitas pessoas procuram equilíbrio, serenidade e sentido, Ignorância e Felicidade propõe uma reflexão honesta sobre limites: o que vale a pena saber? Até onde queremos ir? E quando é legítimo escolher não aprofundar?

Escrito com clareza e elegância, Mark Lilla não oferece receitas nem respostas fechadas. Em vez disso, convida o leitor a pensar criticamente sobre a sua relação com a informação, com a atualidade e consigo próprio. É uma leitura que estimula o debate interior e ajuda a relativizar a pressão contemporânea para estarmos sempre informados, sempre alertas, sempre “ligados”.

Uma leitura recomendada para quem…

  • valoriza cultura e pensamento crítico

  • gosta de refletir sobre felicidade, escolhas pessoais e bem-estar emocional

  • procura livros que desafiem certezas sem serem herméticos

  • acredita que envelhecer também é aprender a escolher melhor o que merece a nossa atenção

Ignorância e Felicidade não defende a ignorância como virtude, mas lembra-nos que a sabedoria pode passar, por vezes, pela capacidade de selecionar, filtrar e até recusar. Uma leitura serena, provocadora e muito atual — ideal para quem continua jovem na curiosidade, mesmo com muitos anos de vida bem vivida.