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Meningite bacteriana: novo estudo revela como se processa a infeção

Sandra M. Pinto

É importante saber

Um estudo feito com ratinhos, e hoje publicado, revela que as bactérias que causam a meningite exploram as células nervosas nas meninges para eliminar a resposta do sistema imunitário, permitindo que a infeção se espalhe para o cérebro, avança a Lusa.

A meningite é uma doença provocada pela inflamação das meninges, membranas que protegem o cérebro e a medula espinal, e pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas microbianos.

Nas meningites bacterianas, as bactérias mais frequentemente envolvidas são a ‘Neisseria meningitidis’ (‘meningococo’), a ‘Streptococcus pneumoniae’ (‘pneumococo’) e a ‘Haemophilus influenzae tipo B’, que causam infeções graves que podem ser fatais.

No estudo, publicado na revista científica Nature, a equipa liderada por cientistas da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, focou-se nas bactérias ‘Streptococcus pneumoniae’ e ‘Streptococcus agalactiae’.

Numa série de experiências com ratinhos, os investigadores descobriram que as bactérias quando atingem as meninges desencadeiam uma cadeia de eventos que culmina na infeção disseminada.

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Primeiro, as bactérias libertam uma toxina que ativa os neurónios (células do sistema nervoso) responsáveis pela transmissão da sensação de dor, o que poderá explicar a dor de cabeça intensa, um dos sintomas da meningite.

Em seguida, estes neurónios ativados libertam uma substância química de sinalização chamada CGRP, que se liga a um recetor (RAMP1) na superfície de células imunitárias como os macrófagos, inutilizando-as.

O estudo sugere que o bloqueio de um destes eventos com medicamentos pode travar a infeção, perspetivando novos e mais eficazes tratamentos para a meningite bacteriana. Já existem diversas vacinas que previnem a meningite bacteriana por ‘meningococo’, ‘pneumococo’ e ‘Haemophilus’ e que são administradas a crianças.

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Numa futura linha de investigação, os cientistas vão aferir se os compostos que usaram para bloquear a substância CGRP e o recetor celular RAMP1 – e que existem em medicamentos para a enxaqueca, uma condição que poderá ter origem na camada meníngea superior, a dura-máter – podem ser dados em combinação com antibióticos para tratar a meningite e aumentar a proteção das meninges.

De acordo com um comunicado da Harvard Medical School, que cita estatísticas do Centro para a Prevenção e o Controlo das Doenças norte-americano, mais de 1,2 milhões de casos de meningite bacteriana ocorrem anualmente no mundo.

Se não for tratada, a doença mata sete em cada 10 pessoas. Entre os que sobrevivem, um em cada cinco fica com sequelas, como perda de visão ou audição, convulsões e dor de cabeça crónica.

Os atuais tratamentos consistem na administração combinada de antibióticos (para matar as bactérias) e esteroides (para reduzir a inflamação), mas podem não conseguir evitar as piores consequências da doença, especialmente se a terapêutica se iniciar tarde devido a atrasos no diagnóstico.

Por outro lado, os esteroides tendem a enfraquecer mais as defesas, alimentando a propagação da infeção.

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