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O Paradoxo do Vinho dos Mortos

Mas, afinal que vinho é esse, resgatado do submundo, repleto de densidade e com o sabor da maturação entre os segredos da terra? Conhecem-no?

20 Junho 2020
Forever Young

Porque sabemos que in vino veritas, porque apreciar um bom copo de vinho pode ser altamente literário, porque o vinho é a bebida dionisíaca – e Dioniso inspira tanta dramaturgia clássica – e porque este vinho encerra em si mesmo um paradoxo, hoje falamos-vos sobre o Vinho dos Mortos.

 

Mas, afinal que vinho é esse, resgatado do submundo, repleto de densidade e com o sabor da maturação entre os segredos da terra? Conhecem-no?

 

O vinho dos mortos remonta, sensivelmente, ao ano de 1808, aquando das Invasões Napoleónicas. Não é, por isso, difícil de compreender que tenha o medo e a cautela na sua origem. Com receio das pilhagens dos soldados franceses, o astuto povo luso escondeu as garrafas de vinho sob as pipas e lagares, naqueles lugares bem frescos onde certa fruta descansa e o vinho amadurece: as adegas.

 

Esgrimido o combate, os vinhos escondidos foram desenterrados e, para agradável surpresa de quem os provou, revelaram-se apurados e saborosíssimos — e talvez por isso se chame Vinho dos Mortos, em jeito de oferenda aos aromas desenvolvidos durante a fermentação alcoólica e durante o envelhecimento do vinho em madeira ou «garrafa bouquet». Dotado de uma gaseificação natural devido à constância da temperatura e à escuridão em que, sob o solo, estivera imerso, dos mortos renascia assim um vinho único e de sabor intenso.

 

Este modo de maturar o vinho é ainda hoje mantido por alguns produtores nas vinhas da zona de Boticas e de Granjas – zonas onde existem as condições de solo e clima adequadas. Mantém-se, assim, viva a tradição que, temporariamente (durante quatro a seis meses), condena o vinho à morte para que, mais tarde, ele possa ter ainda mais vida à mesa.

 

Também assim devem ser escritos os nossos textos: com o devida depuração e maturação que lhes conferem a qualidade. E um bom copo de vinho, quando a inspiração falta, também não é de negar. Não concordam?

 

 

Marta Cruz

 

(texto escrito de acordo com a antiga ortografia)
A Escrivaninha é uma equipa de freelancers que se dedicam à revisão, edição, tradução e produção de texto, criada por quem conhece e reconhece a beleza mas também os ardis da língua portuguesa. Conheça melhor os nossos serviços aqui.

 

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