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O preço do emagrecimento rápido

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Quando a perda de peso mediada por fármacos resulta em défice nutricional.

Uma ampla análise observacional e retrospetiva de 461.382 utilizadores adultos de agonistas do recetor GLP-1 (GLP-1RA) revelou que, no prazo de um ano, mais de 20% dos doentes desenvolveram défices nutricionais, sendo a vitamina D o mais comum e clinicamente relevante. Estes resultados salientam uma consideração importante no contexto da utilização rapidamente crescente dos medicamentos GLP-1RA: embora sejam altamente eficazes para a perda de peso, podem também criar, inadvertidamente, lacunas nutricionais que exigem atenção.

Os agonistas do recetor GLP-1, também designados por GLP-1RA, ganharam destaque como uma das ferramentas farmacológicas mais eficazes para a perda de peso rápida, especialmente entre indivíduos com obesidade ou excesso de peso que não obtiveram resultados satisfatórios com intervenções anteriores. Estes fármacos atuam no sistema das incretinas, uma via hormonal que regula a secreção de insulina, a libertação de glucagon, o apetite e o metabolismo da glicose após as refeições. Ao atuar neste sistema, os GLP-1RA ajudam os doentes a reduzir a ingestão calórica, melhorar o controlo glicémico e alcançar uma redução significativa da massa gorda num período relativamente curto.

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No entanto, os benefícios da terapêutica com GLP-1RA não estão isentos de contrapartidas. Na análise supramencionada, mais de 460.000 homens e mulheres maioritariamente com obesidade, 22,4% dos doentes desenvolveram uma ou mais carências nutricionais no prazo de 12 meses após o início do tratamento, sendo a deficiência de vitamina D a mais relevante. Embora o tratamento resolva um problema de excesso de peso corporal pode, simultaneamente, criar ou agravar outras condições de saúde potencialmente graves.

Vários mecanismos contribuem, provavelmente, para a diminuição dos níveis de vitamina D em utilizadores de GLP-1RA:

  1. Redução da ingestão alimentar

Uma consequência natural do tratamento com GLP-1RA é a supressão do apetite, o que conduz a refeições menos substanciais e, em muitos casos, a uma ingestão menos variada de nutrientes. Isto reduz não só a quantidade total de vitamina D ingerida através da alimentação, mas também a ingestão de gordura. Como a vitamina D é lipossolúvel, é necessária uma quantidade adequada de gordura alimentar para uma absorção ideal no trato digestivo. Assim, a redução da ingestão de gordura compromete diretamente a capacidade do organismo para utilizar a vitamina presente nos alimentos (e nos suplementos).

  1. Atraso do esvaziamento gástrico e redução da absorção de gordura
    Os GLP-1RA atrasam significativamente o esvaziamento gástrico, abrandando a passagem dos alimentos do estômago para o intestino delgado. Embora este efeito contribua para a sensação de saciedade e favoreça a perda de peso, também interfere na absorção intestinal de gordura e de vitaminas lipossolúveis, como a vitamina D. Quando a gordura alimentar chega ao intestino de forma mais lenta ou menos eficiente, a absorção de vitamina D diminui, mesmo que a dieta contenha quantidades adequadas.
  2. Alterações no metabolismo da vitamina D

A vitamina D é armazenada no tecido adiposo, onde funciona como reserva para períodos de ingestão limitada ou menor exposição solar. A rápida perda de massa gorda, frequente durante a terapêutica com GLP-1RA, pode libertar vitamina D armazenada para a circulação. Embora isso possa aumentar temporariamente os níveis sanguíneos, a vitamina é metabolizada mais rapidamente e a capacidade global de armazenamento diminui. Consequentemente, os níveis séricos de vitamina D podem baixar antes de estabilizarem. A investigação demonstra que a própria perda de peso constitui um fator de risco para deficiência de vitamina D, independentemente da terapêutica farmacológica.

  1. Condições subjacentes

A maioria dos doentes a quem são prescritos GLP-1RA apresenta patologias pré-existentes que os colocam em risco de níveis baixos de vitamina D, como a a diabetes tipo 2. Na obesidade, a vitamina D tende a ficar armazenada no tecido adiposo, tornando-se menos biodisponível. A inflamação crónica associada às perturbações metabólicas pode ainda comprometer o metabolismo da vitamina D, enquanto alterações na função hepática e renal podem modificar a ativação e o turnover da vitamina.

Na população estudada, 44,9% dos participantes foram classificados como obesos e 80,5% tinham diabetes tipo 2, fatores que provavelmente influenciaram o risco de deficiência.

  1. Redução da exposição solar

Outro fator contributivo poderá ser de natureza comportamental. Alguns utilizadores de GLP-1RA experienciam efeitos adversos como náuseas, fadiga ou desconforto gastrointestinal, o que pode reduzir a vontade ou a motivação para realizar atividades ao ar livre. Tal conduz a uma menor exposição à radiação ultravioleta B (UVB), diminuindo a produção cutânea natural de vitamina D. Embora este mecanismo varie de indivíduo para indivíduo, representa uma via adicional, clinicamente relevante, pela qual os níveis de vitamina D podem diminuir durante a terapêutica.

A suplementação pode ser uma boa opção

Apesar de terem sido identificadas carências nutricionais em mais de um em cada cinco utilizadores de GLP-1RA — particularmente mulheres — o estudo não recomenda diretamente a suplementação sistemática destes fármacos com vitaminas ou minerais. Ainda assim, os resultados sublinham fortemente a importância da monitorização nutricional e do aconselhamento alimentar em doentes submetidos a terapêutica farmacológica para perda de peso.

Estratégias de rastreio, como análises sanguíneas para avaliação dos níveis de vitamina D e avaliações dietéticas abrangentes, podem identificar indivíduos em risco de deficiência antes do aparecimento de complicações. Nos casos em que se confirme deficiência, podem ser implementados regimes de suplementação personalizados, com o objetivo de restabelecer níveis adequados de vitamina D, apoiar a saúde óssea e preservar a função muscular durante a perda de peso rápida.

Em síntese, os GLP-1RA representam uma ferramenta altamente eficaz para alcançar a perda de peso e melhorar a saúde metabólica. Contudo, como demonstra este estudo de grande escala, podem também gerar desafios nutricionais que exigem uma gestão cuidadosa. Equilibrar os benefícios da perda de peso assistida por fármacos com uma monitorização nutricional adequada constitui uma abordagem holística e centrada no doente na gestão da obesidade — assegurando que a sua saúde e equilíbrio metabólico não ficam em risco.