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Opinião: «É uma realidade – hábitos alimentares inadequados são simples de adotar e geralmente mais económicos», Ana Carromeu, nutricionista

Opinião: «É uma realidade – hábitos alimentares inadequados são simples de adotar e geralmente mais económicos», Ana Carromeu, nutricionista
Ana Carromeu, nutricionista

Artigo de opinião de Ana Carromeu, nutricionista na Clínica Médica de Pegões

Ana Carromeu
Ana Carromeunutricionista17 Outubro 2024

Considero que se dedicarmos alguns momentos a observar ao nosso redor é fácil caraterizar as rotinas diárias por um excesso de sedentarismo, elevados níveis de stress e intervalos de horas de ingestão alimentar muito alargados; de igual modo verificamos um período de jejum noturno reduzido o que acaba por originar uma necessidade quase contínua de ingestão de alimentos, o que se traduz numa desregulação metabólica.

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Vivemos num ambiente em que não existe tempo para apreciar as refeições, nem para nos dedicarmos a cozinhar o que se reflete na procura de alimentos fabricados rapidamente, disponíveis a qualquer hora. Estes alimentos além de serem menos saudáveis, poderão ser mais baratos afetando, especialmente, pessoas com um poder económico mais limitado.

Estes maus hábitos alimentares estão ligados a diversas doenças, incluindo anemia e desnutrição, mas também obesidade e outras comorbidades graves, como diabetes, doenças cardiovasculares e cancro. O consumo excessivo de açúcares, amido e gorduras hidrogenadas é um dos principais fatores para o aumento da obesidade, o que segundo o World Obesity Atlas 2023, pode afetar mais da metade da população mundial até 2035. As crianças não são exceção e prevê-se um aumento da percentagem de crianças com IMC elevado, estimando-se um aumento dos 41% verificados em 2020 para os 57% em 2035. Com o aumento da prevalência de excesso de peso e obesidade é natural que ocorra consequentemente uma subida da inflação, já que os consumidores acabam por preferir alimentos menos saudáveis que, por norma, têm preços mais reduzidos.

A publicidade em torno de certos alimentos não facilita a seleção quando procuramos soluções mais saudáveis, uma vez que se utilizam figuras conhecidas e brindes que atraem especialmente crianças, levando-as a consumir produtos sem valor nutricional.

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A educação alimentar desde a infância é por isso crucial, uma vez que muitos desses hábitos são adquiridos na infância, influenciados pelo ambiente familiar e social. A presença do Nutricionista é por isso crucial devendo ser mais frequente e introduzida logo nos primeiros anos de escolaridade, de forma a que seja possível desenvolver a aquisição de conhecimentos e atitudes mais saudáveis, promovendo bons hábitos alimentares, promovendo a saúde e prevenindo a doença.

Apesar das medidas já implementadas para travar a pandemia da obesidade, como a proibição de venda de certos produtos alimentares nas escolas e a redução de horários de manutenção de serviços como bares escolares, a oferta de opções saudáveis continua limitada e reduzida. As crianças continuam também a não levar as suas próprias marmitas, passam muitas horas sem comer entre as refeições principais, não consomem legumes, recorrem a alimentos processados como snacks, uma vez que são mais fáceis de transportar e rápidos de consumir e muitos nem tomam o pequeno-almoço, muito embora esta refeição seja referida várias vezes como a refeição mais importante do dia.

É necessário continuar a investigar e a aprimorar a prevenção e o tratamento da obesidade infantil, reinvestindo mais na saúde infantil, aplicando, por exemplo, mais medidas legislativas, como a aplicação de taxas na aquisição de produtos demasiado processados, ricos em açúcares, gorduras hidrogenadas, corantes e conservantes artificiais.

Note-se que uma alimentação saudável, não precisa de ser uma alimentação cheia de restrições ou sem sabor, mas deve assegurar que o organismo recebe todos os nutrientes necessários para o seu bom funcionamento.

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Fica o apelo geral, se pretende ter uma alimentação mais cuidada, leia atentamente os rótulos nutricionais, estes são certamente um aliado nesse processo. Quanto menos ingredientes o alimento tiver na sua composição, melhor; se o açúcar, sal ou gordura aparecerem como os primeiros na lista, é um sinal de alerta, porque significa que o produto tem maior composição desses ingredientes do que de qualquer outro componente.

O ideal será começarmos a descascar mais alimentos e abrir menos embalagens. Planifique os menus semanais e envolva os mais novos na sua elaboração, pode ser divertido preparar as marmitas e será certamente mais eficaz quando pretendemos assegurar uma alimentação mais saudável.