Chega o Outono e reaparece a queixa: os pés não aquecem. Meias grossas, botija de água quente, e nada. Às vezes junta-se um formigueiro, um adormecimento, uma sensação de picadas.
Há duas explicações frequentes, e vale a pena saber distingui-las, porque levam a caminhos diferentes.
Quando o problema é a circulação
As artérias das pernas podem estreitar-se com o tempo, sobretudo em quem fuma, tem diabetes, colesterol alto ou tensão elevada. Chega menos sangue, e menos sangue significa menos calor.
Os sinais que apontam nesta direcção:
- pés frios ao toque, não apenas na sensação, e muitas vezes mais frios de um lado do que do outro;
- pele pálida ou azulada, brilhante, com perda de pêlos nas pernas;
- unhas espessas e de crescimento lento;
- dor na barriga da perna ao caminhar uma distância previsível, que passa ao parar;
- feridas que demoram a cicatrizar.
Aquele quarto ponto tem nome, claudicação intermitente, e é o sinal mais característico. Quem pára sempre ao fim da mesma distância deve dizê-lo ao médico com essas palavras.
Quando o problema é o nervo
A neuropatia periférica afecta os nervos das extremidades. As causas mais comuns são a diabetes, o consumo prolongado de álcool, a falta de vitamina B12, alguns medicamentos e, por vezes, nenhuma causa identificável.
Os sinais são outros:
- formigueiro, picadas e sensação de queimadura, sobretudo à noite;
- sensação de frio nos pés, mas pés quentes ao toque de outra pessoa;
- dormência, como se houvesse uma meia a mais;
- perda de sensibilidade ao calor, à dor e ao toque;
- instabilidade a andar no escuro, por falta de informação vinda dos pés.
O contraste mais revelador é este: na circulação, o pé está frio de verdade; no nervo, a pessoa sente frio mas o pé está morno.
Outras causas que convém não esquecer
A tiróide lenta arrefece todo o corpo. A anemia também. A doença de Raynaud faz os dedos mudarem de cor por fases, do branco ao azul e ao vermelho, tipicamente com o frio ou com o stress.
E há medicamentos que estreitam os vasos periféricos, incluindo alguns usados para a tensão e para a enxaqueca.
O que o médico vai querer saber
Há quanto tempo, se é nos dois pés ou num só, se piora à noite ou ao andar, se há dor, e se existe diabetes, tabagismo ou consumo regular de álcool. São respostas que orientam o exame.
A avaliação costuma incluir palpação dos pulsos do pé, teste de sensibilidade com um filamento e, quando se suspeita de circulação, a medição do índice tornozelo-braço, que é simples e indolor.
O que se pode fazer entretanto
Meias de lã em vez de sintéticas, calçado que não aperte, e movimento, porque o músculo a trabalhar é o que empurra o sangue. Evitar botijas muito quentes e aquecedores junto aos pés, sobretudo em quem já perdeu sensibilidade, porque as queimaduras acontecem sem se dar por elas.
E deixar de fumar, que é a medida isolada com maior impacto na circulação das pernas, com efeito visível em meses.











