Algumas embalagens alimentares já têm um logótipo retangular dividido em cinco cores (verde, verde-claro, amarelo, laranja e vermelho), ligadas, por sua vez, às letras A a E. “Com esta escala, pretende-se mostrar a qualidade nutricional dos alimentos e, ao mesmo tempo, apostar numa interpretação fácil e rápida”, explica a DECO. Um A sobre verde ou um E em cima de vermelho possui, na zona que os medeia, uma escala progressiva que distingue um alimento nutricionalmente mais interessante de outro no polo oposto.
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Atrás das letras está uma nota determinada pelo teor em fibras, proteínas, fruta, legumes e frutos secos, ácidos gordos saturados, açúcares, sal e calorias.
Para bebidas, óleos, gorduras e queijos, o cálculo é diferente. O algoritmo de base considera tanto os pontos favoráveis, como os desfavoráveis. A percentagem de fruta, legumes e frutos secos, fibras e proteínas são consideradas pontos positivos. Já os pontos a merecerem reprovação referem-se às calorias, à gordura saturada, aos açúcares e ao sódio (vulgo sal). O resultado é uma classificação correspondente à qualidade nutricional global do alimento.
Petição defende obrigatoriedade do Nutri-score
Proposta por uma equipa francesa de pesquisa em nutrição, liderada por Serge Hercberg, médico com especialização em epidemiologia e nutrição, o Nutri-score é, desde 2016, a escolha das autoridades de saúde francesas, aplicável aos alimentos transformados e pré-embalados, incluindo bebidas não-alcoólicas, para colocar na frente dos rótulos. Portugal convive com vários tipos de sinalética para comunicar os valores nutricionais dos géneros alimentícios, o que pode gerar alguma confusão. A harmonização seria vantajosa. De acordo com um estudo de 2017, encomendado pela Direção-Geral da Saúde, 40% dos inquiridos em Portugal não compreendem a informação nutricional nos rótulos. O Nutri-score é precisamente uma tentativa de ajudar o consumidor a compreender a mensagem, ajudando-o a tomar as melhores decisões.
Membros da Organização Europeia dos Consumidores (BEUC), sete associações de defesa dos consumidores (a francesa UFC–Que Choisir, a belga Test-Achats, a alemã VZBV, a holandesa Consumentenbond, a espanhola OCU, a polaca Federacja Konsumentów e a grega EKPIZO) lançaram uma petição pelo Nutri-score, para que se torne obrigatório no espaço dos 28 países da União Europeia. Caso o patamar de um milhão de assinaturas seja alcançado (a data-limite é 8 de maio de 2020), a Comissão Europeia terá de analisar a petição. Com caráter opcional, o Nutri-score foi adotado em França, Bélgica e Espanha. Na Alemanha, alguns produtores também já o perfilharam voluntariamente, bem como na Áustria, na Suíça e na Eslovénia.










