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Cinco sinais de alerta na saúde emocional dos jovens durante o verão

Cinco sinais de alerta na saúde emocional dos jovens durante o verão
Rogério Junior

Mais corpo à mostra, comparação constante e pressão das redes sociais podem transformar as férias numa fonte de ansiedade para os adolescentes. Marta Teixeira, psicóloga do Grupo TrueClinic, aponta os comportamentos que famílias e educadores não devem deixar passar.

O verão promete descanso, mas para muitos adolescentes traz também uma pressão silenciosa: mais corpo à mostra, mais convívio, mais fotografias publicadas. O Grupo TrueClinic deixa o alerta de que esta combinação, somada ao uso intensivo das redes sociais, pode fazer da época mais leve do ano uma fonte de ansiedade para os mais novos, num momento em que França avança com a proibição do uso de redes sociais a menores de 15 anos.

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A explicação é simples. A exposição do corpo aumenta, a vida social intensifica-se e as plataformas digitais amplificam a comparação com os outros, criando um terreno fértil para a insegurança.

Os números que ajudam a dimensionar o problema

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde para a Europa, mais de um em cada dez adolescentes (11%) revela uma utilização problemática das redes sociais. Já 36% dos jovens afirmam estar em contacto permanente com os amigos através das plataformas digitais, ou seja, sem períodos verdadeiramente desligados.

Cinco sinais a que famílias e educadores devem estar atentos

Marta Teixeira, psicóloga do Grupo TrueClinic, identificou cinco comportamentos que merecem atenção durante as férias, deixando também recomendações sobre a melhor forma de reagir a cada um deles.

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  1. Evitar situações por desconforto com o corpo. Recusar ir à praia ou usar determinadas peças de roupa pode revelar insegurança com a aparência. A recomendação passa por não fazer comentários sobre o corpo nem forçar a exposição, procurando antes conversar com o jovem e ajudá-lo a encontrar estratégias adequadas.
  2. Comparar constantemente a própria vida com a dos outros. A perceção de que os amigos têm férias melhores pode gerar sentimentos de inadequação. Vale a pena lembrar que as redes sociais mostram apenas uma versão selecionada e editada da realidade.
  3. Depender da aprovação do grupo. A necessidade constante de reações ou de validação externa pode indicar baixa autoestima. O foco deve ser colocado na satisfação com as experiências vividas e não na reação que estas geram online.
  4. Sentir ansiedade perante planos sociais. Muitos convites podem gerar desconforto, seja pelo medo de exclusão, seja pelo receio de não corresponder às expectativas. O jovem deve sentir que pode recusar um plano ou falar abertamente sobre aquilo que o incomoda.
  5. Não conseguir descansar sem culpa. Sentir que todos os dias têm de ser preenchidos com atividades e experiências memoráveis acaba por impedir o descanso. Importa normalizar os dias sem planos e os momentos longe do digital.

Quando o desconforto passa a exigir atenção

A especialista sublinha que nem todos os episódios de insegurança são motivo de preocupação e que o critério está na frequência e no impacto que têm no dia a dia.

“Um momento de insegurança ou a recusa pontual de um plano não constituem, por si só, um sinal de alarme. A atenção deve aumentar quando estes comportamentos se tornam frequentes, provocam sofrimento ou limitam as escolhas e o quotidiano do jovem. O mais importante é que o jovem consiga conversar sem se sentir julgado e procurar apoio profissional quando o mal-estar persiste”, afirma Marta Teixeira, psicóloga do Grupo TrueClinic.

O valor de quem está por perto

Para quem convive com adolescentes, a mensagem que fica é a de criar espaço para conversas sem julgamento, respeitar o direito a recusar um plano e mostrar que há dias em que não fazer nada também é uma escolha legítima. Quando o mal-estar persiste, a psicóloga do Grupo TrueClinic recomenda procurar apoio profissional.