As pensões foram atualizadas a 1 de janeiro, mas não de forma uniforme. A portaria que fixou os valores criou quatro escalões, com percentagens diferentes e com aumentos mínimos garantidos em euros. Quem tem pensões altas ficou de fora.
Os quatro escalões
A atualização foi aprovada pela Portaria 480-B/2025/1, de 30 de dezembro, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2026. Ficou assim:
Até 1.074,26 euros: aumento de 2,8%, com um mínimo garantido de 9,29 euros por mês.
Entre 1.074,26 e 3.222,78 euros: aumento de 2,27%, com um mínimo de 30,08 euros por mês.
Entre 3.222,78 e 6.445,56 euros: aumento de 2,02%, com um mínimo de 73,16 euros por mês.
Acima de 6.445,56 euros: sem atualização. Este limite corresponde a 12 vezes o Indexante dos Apoios Sociais.
A quem se aplica
A atualização abrange as pensões de invalidez e de velhice do regime geral da Segurança Social e também as pensões do regime de proteção social convergente, ou seja, as da Caixa Geral de Aposentações. Aplica-se às pensões atribuídas antes de 1 de janeiro de 2026.
No conjunto, a subida corresponde a uma recuperação de poder de compra para cerca de 90% dos pensionistas, que é a proporção que se situa no primeiro escalão.
Os mínimos garantidos em euros
Vale a pena olhar para os valores mínimos em euros, porque em várias situações são eles que mandam, e não a percentagem.
Uma pensão de 300 euros no primeiro escalão renderia 8,40 euros com os 2,8%. Como o mínimo garantido é de 9,29 euros, é esse o valor aplicado. Na prática, quem tem pensões mais baixas recebe um aumento percentual superior ao anunciado.
As pensões mínimas
Os valores mínimos foram também revistos e dependem da carreira contributiva.
Para quem tem menos de 15 anos de descontos, a pensão mínima passou para 341,08 euros. Entre 15 e 20 anos de carreira, para 357,80 euros. Entre 21 e 30 anos, para 394,82 euros. Com 31 ou mais anos de carreira, para 493,52 euros.
O indexante que serve de régua
Muitos apoios sociais não são fixados em euros, mas em múltiplos do Indexante dos Apoios Sociais. Para 2026, o IAS ficou nos 537,13 euros.
É esse valor que define, por exemplo, o teto acima do qual as pensões não foram atualizadas, e é também a referência usada em vários apoios e complementos.
Uma nota sobre a percentagem anunciada
Durante o outono circulou o número de 2,79% para as pensões mais baixas, que era a previsão do Governo apresentada em novembro. O valor final aprovado em portaria foi de 2,8%.
A diferença é pequena, mas explica a discrepância entre notícias publicadas em datas diferentes. Vale a regra habitual: o que conta é o que fica na portaria.
Para confirmar o valor exato aplicado à sua pensão, o caminho mais direto é a Segurança Social Direta, ou o portal da Caixa Geral de Aposentações no caso das pensões da função pública.











