O telefone toca e no ecrã aparece o número do banco. Do outro lado, alguém calmo e profissional avisa que há um movimento suspeito na conta e que é preciso agir depressa. É uma burla, está a crescer de forma exponencial em Portugal, e a PSP tem vindo a divulgar os sinais que a denunciam.
Os números
Num único dia, 7 de julho de 2026, foram participadas 24 ocorrências deste tipo à PSP. A força de segurança fala num crescimento exponencial do fenómeno.
A GNR registou, no primeiro trimestre deste ano, 44 ocorrências relacionadas com falsos funcionários bancários.
São números de queixas apresentadas, o que significa que o total real é seguramente superior. Muitas vítimas não participam, por vergonha ou por acharem que não vale a pena.
Porque é que o número do banco aparece no ecrã
A técnica chama-se spoofing e permite mascarar o número de origem da chamada, fazendo-o surgir como pertencendo a uma instituição legítima.
É o detalhe que desarma a maioria das pessoas, porque contraria a verificação natural que todos fazemos. Convém interiorizar a consequência: o número que aparece no telemóvel não prova nada.
Nem todos os contactos começam assim. Há casos em que a primeira chamada vem de um número de telemóvel comum.
Como decorre o esquema
O guião é notavelmente consistente. A vítima é atendida por um suposto funcionário, com discurso calmo e aparentemente profissional, que reforça a necessidade de agir depressa para proteger o saldo da conta.
O objetivo é sempre o mesmo: levar a pessoa a transferir de imediato o dinheiro para uma alegada conta de segurança temporária, apresentada como um procedimento do próprio banco.
Para dar credibilidade, os burlões usam vocabulário técnico bancário, simulam música de espera e fingem transferências entre departamentos. A encenação é elaborada e destina-se a ocupar tempo, porque a pressa é aliada de quem engana.
Os sinais que devem fazer desconfiar
Há um conjunto de elementos que, isolados ou combinados, indicam burla.
A urgência é o primeiro. Nenhuma instituição legítima exige uma decisão financeira em minutos ao telefone.
O pedido de códigos é o segundo, e é decisivo. Os bancos não pedem códigos confidenciais, nem por telefone, nem por SMS, nem por email.
A existência de uma conta de segurança é o terceiro. Não existe tal coisa. Um banco que suspeite de fraude bloqueia a conta, não pede ao cliente que transfira o dinheiro para outro lado.
O que fazer
A recomendação central da PSP é simples de aplicar: desligar e ligar de volta, usando o número que está no cartão bancário ou no site oficial do banco, nunca um número fornecido durante a chamada ou recebido por SMS.
Nunca fornecer dados bancários por telefone. Nunca contactar números indicados em mensagens.
Em caso de dúvida ou urgência, a indicação é contactar o 112 ou a esquadra da área de residência.
Se já aconteceu
A rapidez conta. Contactar o banco imediatamente para tentar travar a transferência e apresentar queixa às autoridades são os dois primeiros passos.
Uma última nota, e talvez a mais importante. Cair nesta burla não é sinal de ingenuidade. O esquema é desenhado por profissionais, apoia-se em tecnologia que falsifica a identificação de chamadas e explora uma reação, a de proteger as poupanças, que é perfeitamente racional. Falar sobre o assunto em família é a melhor prevenção que existe.











