Quase todos os concelhos portugueses têm uma biblioteca municipal, e a maior parte das pessoas que passa à frente dela nunca entrou. O que lá está dentro mudou bastante nas últimas duas décadas, e boa parte do que oferecem não tem nada a ver com o empréstimo de livros.
O que se pode fazer sem pagar nada
A inscrição é normalmente gratuita e faz-se com um documento de identificação e um comprovativo de morada.
A partir daí, o empréstimo domiciliário permite levar livros para casa por períodos que variam entre duas e quatro semanas, renováveis. Em muitas bibliotecas, o catálogo inclui também filmes e música.
Há ainda o acesso à imprensa diária e a revistas, que na prática substitui a compra de jornais para quem gosta de os ler com tempo.
Computadores e internet
É uma das valências mais úteis e das menos associadas ao espaço. As bibliotecas municipais disponibilizam habitualmente computadores com ligação à internet e, em muitos casos, apoio de funcionários para quem não domina as ferramentas.
Para quem precisa de aceder a serviços públicos online, imprimir um documento ou digitalizar um papel, e não tem equipamento em casa, é a alternativa mais próxima e mais barata.
Atividades regulares
A programação varia de concelho para concelho, mas há um conjunto que se repete com frequência: clubes de leitura, sessões de cinema, conversas com autores, exposições, oficinas e apoio à pesquisa genealógica e de história local.
Vários municípios têm atividades pensadas especificamente para públicos mais velhos, incluindo formação básica em tecnologia.
O detalhe que ninguém publicita
Há uma função das bibliotecas que não consta de nenhum folheto e que é das mais valiosas: são espaços públicos climatizados, gratuitos e sem obrigação de consumo.
No verão, durante vagas de calor, e no inverno, quando aquecer a casa custa dinheiro, uma tarde na biblioteca resolve mais do que parece. Vários municípios ativam mesmo as bibliotecas e outros equipamentos como espaços de refúgio climático em períodos de calor extremo.
Como saber o que existe perto de si
Os catálogos e a programação estão publicados nos sites das câmaras municipais, e a maioria das bibliotecas permite pesquisar o catálogo online e reservar exemplares antes de ir.
Para quem tem dificuldade de deslocação, vale a pena perguntar por dois serviços que existem em vários concelhos: o empréstimo domiciliário ao domicílio, para pessoas com mobilidade reduzida, e as bibliotecas itinerantes, que percorrem freguesias sem equipamento fixo.
Nenhum destes serviços é publicitado com insistência, e todos costumam estar disponíveis para quem pergunta.
Para quem já não lê como lia
Há duas soluções que resolvem o problema mais comum depois dos 60, que é a vista cansada a estragar o prazer da leitura.
A primeira são as edições em letra grande, que a maioria das bibliotecas tem em fundo próprio e que raramente estão sinalizadas na estante. Basta perguntar.
A segunda são os livros em áudio. Vários municípios disponibilizam acesso a plataformas de empréstimo digital, que incluem audiolivros e livros eletrónicos com tamanho de letra ajustável, e que se usam em casa a partir do computador ou do telemóvel, sem ter de ir levantar nem devolver nada.











