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«A influência dos fatores ambientais é pouco conhecida, mas existe e tem impacto nas doenças neurodegenerativas», revela estudo

Um trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que os poluentes têm impacto no aumento das hospitalizações de doentes com doenças neurodegenerativas, sintetizou hoje uma das investigadoras, apelando à ação imediata das entidades públicas.

30 Outubro 2024
Forever Young com Lusa

“A idade, o sexo, a hipertensão, a diabetes, lesões, tumores, hábitos tabágicos e consumo de álcool são os fatores de risco mais comuns de doenças neurodegenerativas. A influência dos fatores ambientais é pouco conhecida, mas existe”, apontou a investigadora Mariana Ramos Oliveira.

Coordenado pelo professor da FMUP Hernâni Gonçalves, este trabalho traçou um mapa que cruza as concentrações de poluentes com a incidência e a geografia das doenças neurodegenerativas, como a demência (incluindo Alzheimer), a doença de Parkinson e a esclerose múltipla, caracterizadas por um declínio progressivo da função cerebral.

À Lusa, a investigadora explicou como é que a sua equipa chegou à conclusão que a exposição a poluentes tem impacto nas doenças neurodegenerativas, isto depois de ter analisado dados de mais de 500 mil hospitalizações em hospitais públicos de Portugal continental entre 2000 e 2016 e dados de satélite e de estações meteorológicas.

“Há correlações significativas entre as hospitalizações de pessoas com doenças neurodegenerativas e praticamente todas as variáveis ambientais”, disse.

As variáveis com mais impacto são o dióxido de azoto (NO2) e as partículas com diâmetro menor de 10 µm (PM10).

A principal fonte destes poluentes é a queima de combustíveis fósseis, como a gasolina e o gasóleo.

Esta relação pode explicar-se pelos efeitos dos poluentes no sistema nervoso central, provocando inflamação, toxicidade, stress oxidativo e lesões.

As taxas mais elevadas de hospitalizações registaram-se nos distritos de Bragança e de Braga, e taxas mais baixas em Beja e Viana do Castelo.

Quanto aos poluentes, foi feita uma análise de ‘clusters’, e não por distrito ou concelho, e detetou-se que poluentes como o benzeno (C6H6) e o dióxido de azoto (NO2) têm valores mais elevados na zona Norte (Porto, Bragança e Viana do Castelo) e na zona de Lisboa.

Isto, salvaguardou a investigadora, não significa necessariamente que são as zonas com maior taxa de poluentes, apenas que têm taxas mais elevadas do que as localidades que as rodeiam.

Com este estudo – que é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) – os investigadores desejam consciencializar a população para o papel do ambiente e ajudar as autoridades e os profissionais de saúde a preverem onde estão os doentes com maior risco de virem a desenvolver estas doenças.

“É preciso prestar atenção a sítios que tenham picos de poluição ou níveis mais elevados para seguir mais de perto as pessoas com estas doenças”, resumiu Mariana Ramos Oliveira.

Já num resumo enviado à Lusa, a FMUP refere que “as conclusões desta investigação sugerem que “correlacionar a geografia das hospitalizações e os níveis de poluentes poderá ajudar, no futuro, a planear intervenções e políticas de saúde pública”, até porque “cada vez mais estudos consideram que os níveis excessivos de poluentes ambientais afetam mais de 90% da população mundial”.

Paralelamente, a equipa fez duas revisões de literatura, ou seja, consultou estudos internacionais que mostram que o impacto dos fatores ambientais se está a sentir em todo o mundo.

“Chega a ser assustador, mas muito interessante. Encontrámos 35 estudos até 2022. Entre 2022 e 2024 houve 34. Portanto, houve um ‘boom’ enorme de investigadores que perceberam que este alerta tem de ser feito. Há fatores ambientais que estão a resultar em mais doenças”, concluiu.

Além de Mariana Ramos Oliveira e Hernâni Gonçalves, a equipa juntou Alberto Freitas, também da FMUP, e Ana Cláudia Teodoro, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

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