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Boca seca: um efeito secundário comum que estraga dentes e sono

Boca seca: um efeito secundário comum que estraga dentes e sono
Maria Isadora Ribeiro

A falta de saliva é frequente depois dos 60, quase sempre por causa de medicamentos, e não é um incómodo menor: aumenta cáries, infecções e dificuldade em falar e engolir.

Acordar de noite com a boca colada, ter dificuldade em engolir bolachas ou pão, sentir a língua áspera, falar e precisar de beber água a meio da conversa. A boca seca, ou xerostomia, é uma queixa muito frequente a partir dos 60 anos e costuma ser tratada como um incómodo sem importância. Não é.

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Para que serve a saliva

A saliva faz mais do que humedecer. Ajuda a mastigar e a engolir, transporta o sabor até às papilas, protege os dentes contra as cáries, controla as bactérias da boca e permite que as próteses assentem bem. Quando falta, tudo isto sofre: aumentam as cáries, sobretudo junto à gengiva, aparecem infecções por fungos, a língua arde e o hálito piora.

A causa mais comum está na caixa dos comprimidos

Centenas de medicamentos reduzem a saliva. Entre os mais frequentes estão anti-hipertensores e diuréticos, antidepressivos, ansiolíticos, anti-histamínicos, medicamentos para a bexiga hiperactiva, alguns analgésicos e fármacos para a doença de Parkinson. O efeito soma-se quando se tomam vários, o que explica porque piora à medida que a lista cresce.

Outras causas incluem a diabetes mal controlada, doenças autoimunes como a síndrome de Sjögren, radioterapia à cabeça e pescoço, respirar pela boca durante a noite e a própria desidratação, mais comum do que parece porque a sede diminui com a idade.

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O que ajuda no dia-a-dia

Beber água em pequenos golos ao longo do dia, e não grandes quantidades de uma vez. Ter um copo na mesa de cabeceira. Chupar rebuçados sem açúcar ou mascar pastilhas sem açúcar, de preferência com xilitol, que estimulam a saliva e protegem os dentes. Evitar tabaco, álcool, incluindo elixires com álcool, e reduzir o café.

Humidificar o quarto, sobretudo com aquecimento ligado, ajuda quem acorda com a boca seca. Nas farmácias existem salivas artificiais em spray ou gel e pastas dentífricas próprias para boca seca.

Proteger os dentes é prioritário

Com pouca saliva, o risco de cárie dispara. Escovar duas vezes por dia com pasta fluoretada, usar escovilhão ou fio entre os dentes e ir ao dentista com regularidade passa a ser ainda mais importante. Quem usa prótese removível deve retirá-la à noite, limpá-la todos os dias e avisar o médico dentista se ela começar a magoar, porque a boca seca altera o ajuste.

Cuidado com os elixires e os rebuçados

Dois produtos muito usados podem agravar o problema: os elixires com álcool, que ressecam ainda mais a mucosa, e os rebuçados com açúcar, que estimulam saliva mas alimentam as bactérias responsáveis pelas cáries, num terreno já frágil. Prefira sempre versões sem álcool e sem açúcar, e leia o rótulo antes de comprar.

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Quando falar com o médico

Se a boca seca apareceu depois de começar um medicamento novo, vale a pena falar com o médico: por vezes é possível ajustar a dose, mudar o horário ou trocar por outra alternativa. Nunca suspenda nada por iniciativa própria.

Procure avaliação também se tiver olhos secos ao mesmo tempo, se notar inchaço junto às orelhas ou por baixo do queixo, se tiver dificuldade persistente em engolir ou se aparecerem placas brancas na língua e na face interna das bochechas.

É uma queixa banal, sim. Mas é das poucas em que uma conversa de cinco minutos com o médico de família pode resolver metade do problema.