A Ordem dos Psicólogos Portugueses, em parceria com a Direção-Geral da Saúde e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, lançou esta quinta-feira o guia prático “Como Recuperar Emocionalmente de Situações de Tempestade e Inundações?”, dirigido à população em geral.
Tempestades e inundações não deixam apenas danos visíveis. O impacto emocional pode prolongar-se muito para além do período de chuva intensa, vento forte ou cheias. Medo, choque, tristeza, raiva ou um profundo sentimento de injustiça são reações naturais quando vemos a nossa segurança e aquilo que construímos ao longo da vida ameaçados ou destruídos.
Segundo o guia, após a fase mais crítica do fenómeno climático, é comum sentirmo-nos bloqueados ou incapazes de reagir. Ao mesmo tempo, surge frequentemente uma sensação de urgência em reparar rapidamente os estragos. Embora compreensível, esta pressa pode levar a comportamentos de risco — como subir a telhados, mexer em estruturas instáveis ou lidar com sistemas elétricos danificados. A mensagem é clara: proteger a vida deve ser sempre a prioridade. A recuperação e a reconstrução vêm depois.
O documento sublinha ainda que cada pessoa reage à sua maneira e ao seu ritmo. Não existem reações certas ou erradas — todas são respostas humanas a situações excecionalmente difíceis.
Recomendações para cuidar da saúde emocional
Entre as orientações gerais deixadas pelos psicólogos, destacam-se:
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Aceitar o impacto emocional. Emoções intensas fazem parte da resposta natural a situações de ameaça. Expressá-las, em vez de as reprimir, ajuda a que diminuam com o tempo.
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Falar sobre o que sente. Partilhar emoções pode aliviar o peso da experiência. Mesmo o silêncio, quando acompanhado por alguém de confiança, pode ser reconfortante.
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Evitar querer resolver tudo de uma vez. A pressa em “voltar ao normal” pode aumentar o risco de acidentes. Dê prioridade a tarefas simples e seguras.
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Gerir o consumo de notícias. Manter-se informado é importante, mas a exposição constante a imagens de destruição pode aumentar a ansiedade. Prefira fontes oficiais e reduza o tempo de visualização se sentir que está a afetá-lo emocionalmente.
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Retomar o autocuidado. Pequenos gestos de cuidado pessoal ajudam a recuperar a sensação de controlo, segurança e normalidade.
Atenção especial às crianças
O guia dedica também uma parte importante às crianças e jovens, que podem ser particularmente vulneráveis após estas situações:
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Garantir a segurança após a tempestade. Detritos, lama, árvores caídas ou cabos elétricos continuam a representar perigo.
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Estar disponível física e emocionalmente. Algumas crianças precisam de mais contacto físico, outras de conversa ou simplesmente de tempo em família.
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Validar emoções. Medo, tristeza ou confusão são reações normais. É importante reforçar que a culpa nunca é da criança.
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Responder às dúvidas. Ajudar a criança a compreender o que aconteceu antes, durante e depois pode ser tranquilizador.
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Manter rotinas. Horários regulares para refeições, atividades e sono transmitem segurança.
A recuperação emocional não tem um calendário fixo. Pode ser rápida para uns e mais lenta para outros. Procurar apoio é um sinal de força, não de fraqueza.
Se sentir que precisa de ajuda psicológica, pode contactar o Serviço de Aconselhamento Psicológico do SNS 24 através do número 808 24 24 24, ou encontrar apoio especializado em encontreumasaida.pt.
Cuidar de si é o primeiro passo para conseguir cuidar dos outros.










