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Email: organizar a caixa e reconhecer o que é burla

Email: organizar a caixa e reconhecer o que é burla
Rogério Junior

A caixa de correio é hoje o cofre de toda a vida digital. Vale a pena arrumá-la e, sobretudo, protegê-la melhor do que se protege qualquer outra conta.

O email é a conta mais importante que uma pessoa tem, e quase ninguém o trata assim. É através dele que se recupera a palavra-passe do banco, das lojas, dos serviços públicos e de tudo o resto. Quem controla o email, controla o resto.

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Primeiro, a segurança

Duas medidas, e só duas, resolvem a maior parte do risco.

Uma palavra-passe usada exclusivamente nesta conta, que não se repita em mais lado nenhum. E a verificação em dois passos activada, que faz com que seja preciso um código enviado ao telemóvel além da palavra-passe.

Com estas duas, mesmo que alguém descubra a palavra-passe, não entra.

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Arrumar em três pastas

Não é preciso um sistema complicado. Três pastas chegam para quase toda a gente:

  • Tratar, para o que exige uma acção;
  • Guardar, para facturas, contratos, marcações e comprovativos;
  • Família, ou o nome que fizer sentido, para o que se quer reler.

Tudo o resto ou se apaga ou se arquiva. A caixa de entrada deve ser uma lista de coisas por resolver, e não um armazém de dez anos.

A limpeza que se faz uma vez

Use a pesquisa para filtrar por remetente e apague em bloco todas as newsletters e promoções de um mesmo emissor. Em meia hora reduzem-se milhares de mensagens.

E cancele a subscrição, em vez de apagar todos os dias. O botão de cancelar subscrição está quase sempre no fim da mensagem, em letra pequena, e funciona.

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Reconhecer uma burla

As mensagens falsas melhoraram muito e já não têm erros de português evidentes. O que continua a denunciá-las é outra coisa.

O endereço do remetente, visto por inteiro e não apenas o nome que aparece. O endereço da ligação, que se vê passando o rato por cima sem clicar. A urgência artificial, com prazos de vinte e quatro horas. E, sobretudo, o pedido em si: nenhum banco, nenhuma entidade pública e nenhum serviço sério pede dados pessoais ou códigos por email.

As quatro que mais circulam em Portugal

Uma encomenda retida que exige uma pequena taxa. O reembolso das Finanças que só falta o IBAN. O banco a pedir confirmação de dados. E a conta de email que vai ser encerrada se não confirmar a palavra-passe.

Todas partilham a mesma lógica: um pretexto plausível, um valor pequeno e uma pressa que impede pensar.

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Se abriu uma mensagem falsa

Abrir, só por si, raramente causa problema. O problema é clicar, preencher dados ou abrir anexos.

Se preencheu alguma coisa, mude imediatamente a palavra-passe do email e, a seguir, a do banco, e contacte o banco pelo número oficial. Se abriu um anexo e o computador começou a comportar-se de forma estranha, desligue-o da internet e peça ajuda.

O que nunca se envia por email

Fotografias do cartão de cidadão, números completos de cartão bancário, códigos de segurança, palavras-passe. Nem a pedido de quem diga ser do banco, nem a pedido de um familiar cuja mensagem chegou por um endereço diferente do habitual.

Um segundo endereço

Vale a pena ter dois endereços de correio: um pessoal, que se dá a família, amigos, banco e serviços públicos, e outro para lojas, inscrições e tudo o que exige registo. O segundo enche-se de publicidade e não faz mal nenhum; o primeiro mantém-se limpo e é o que interessa proteger.