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Estudo publicado na revista Nature revela impacto oculto das atividades humanas na natureza

Um estudo internacional, em que participam Ruben Heleno e José Miguel Costa, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), concluiu que a vegetação natural carece muitas vezes de espécies que poderiam estar presentes, especialmente em áreas fortemente afetadas pelas atividades humanas.

2 Abril 2025
Sandra M. Pinto

Esta investigação, liderada pela Universidade de Tartu (Estónia), acaba de ser publicada na prestigiada revista Nature.

Mais de duas centenas de cientistas da rede de investigação DarkDivNet estudaram plantas em quase 5500 locais, em 119 regiões à volta do mundo. Em cada local, registaram todas as espécies de plantas e identificaram a chamada “diversidade escura”, isto é, a ausência de espécies nativas. Deste modo os investigadores conseguiram compreender todo o potencial de diversidade vegetal em cada local e medir quanto da diversidade potencial estava realmente presente. Esta abordagem revelou o impacto invisível das atividades humanas na vegetação natural.

Em regiões onde o impacto humano é reduzido, os ecossistemas têm normalmente mais de um terço das espécies potencialmente adequadas, estando outras espécies ausentes principalmente devido a fatores naturais, como a dispersão limitada. Em contrapartida, em regiões fortemente impactadas pelas atividades humanas, os ecossistemas têm apenas uma em cada cinco espécies adequadas. As medições tradicionais da biodiversidade, como a simples contagem do número de espécies, não detetaram este impacto porque a variação natural da biodiversidade entre regiões e ecossistemas escondeu a verdadeira extensão do impacto humano.

Em Portugal, a equipa do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da FCTUC estudou 34 locais na zona centro do país, a maior parte deles fragmentos florestais com vários tipos de perturbação, desde zonas bem conservadas até antigos campos agrícolas abandonados. As espécies presentes e as suas associações foram depois utilizadas para tentar compreender as espécies em falta num local a Norte de Coimbra, onde o grupo de investigação tem vindo a desenvolver trabalhos há mais de dez anos.

Tal como em Coimbra, nenhuma das 119 regiões incluídas neste estudo permite obter conclusões relevantes quando analisada de forma isolada. No entanto, quando os investigadores juntaram todos os dados, descobriram que a proporção de espécies “em falta” é muito maior em locais onde a presença humana é mais intensa. Mesmo que esses locais continuem a manter todas as condições para suportar a vegetação natural.

O nível de perturbação humana em cada região foi medido através do Índice de Pegada Humana (Human Footprint Index), que inclui fatores como a densidade populacional humana, mudanças no uso do solo (como o desenvolvimento urbano e a agricultura) e infraestruturas (como estradas e caminhos-de-ferro). O estudo concluiu que a diversidade vegetal num local é influenciada negativamente por este índice e pela maioria dos seus componentes numa área circundante, até centenas de quilómetros de distância.

«Este resultado é preocupante. Por um lado, mostra que os efeitos das atividades humanas, tais como estradas, deflorestação, poluição, entre outros, se estendem muito para lá dos locais que são normalmente entendidos como estando perturbados. Por outro, mostram, pela primeira vez, que as plantas estão com dificuldades em recolonizar locais que seriam perfeitamente adequados para elas. Este é um sinal de alerta para o papel fundamental dos animais selvagens, nomeadamente através da dispersão de sementes, um serviço que parece estar comprometido com o declínio de muitas populações animais», alerta Ruben Heleno, professor do Departamento de Ciências da Vida e investigador do CFE e do Laboratório Associado TERRA.

O estudo destaca a importância de manter e melhorar a saúde dos ecossistemas (incluindo as plantas e os animais), para além das áreas protegidas. Além disso, o conceito de diversidade escura fornece uma ferramenta prática para identificar espécies que deviam estar presentes num determinado local e, desta forma, acompanhar o progresso na restauração de ecossistemas.

 

 

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