No crédito à habitação será o prazo mais alargado a melhor decisão?

Com o Banco de Portugal a reforçar as medidas para que o prazo médio dos contratos de crédito convirja para os 30 anos, o tema do prazo do crédito habitação ganhou uma nova projeção.

A nova recomendação macro prudencial do Banco de Portugal vem reforçar o objetivo que já tinha sido definido em 2018: alcançar até ao final de 2022 uma maturidade média nos novos contratos de crédito de 30 anos.

Essa recomendação vem assim definir que:

  • Para os clientes com idade igual ou inferior a 30 anos, o prazo máximo do crédito habitação poderá atingir os 40 anos;
  • Para os clientes com idade superior a 30 anos e igual ou inferior a 35 anos o prazo máximo do crédito habitação poderá atingir os 37 anos;
  • Para os clientes com mais de 35 anos o prazo do crédito habitação poderá atingir um máximo de 35 anos.

Estas limitações deverão resultar numa tendência de redução dos prazos médios do empréstimo habitação, o que não é necessariamente uma má notícia. Porque se é verdade que um prazo do empréstimo maior significa uma prestação menor, também é verdade que com um prazo mais alargado se pagam juros durante mais tempo.

A UCI, especialista em crédito habitação, tem por isso alguns conselhos, para quem está a pensar comprar casa com recurso a crédito e quer tomar uma decisão informada sobre o prazo para o crédito habitação.

Analisar o impacto de diferentes prazos nos custos do crédito habitação
Escolher o prazo do crédito habitação não se deve limitar a saber qual o prazo máximo possível. Também não se deve limitar a escolher a opção do prazo mais longo apenas porque permite uma prestação mais baixa. Ao contratar um prazo mais longo para ter uma prestação mais baixa, está-se a aceitar pagar juros durante mais tempo e, portanto, que o custo total do empréstimo seja maior.

Para tomar uma decisão informada e que defenda os interesses a curto e a longo prazo é necessário testar diferentes prazos e ver o impacto que estes têm sobre o valor da prestação e sobre o custo total do crédito, que se reflete no MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor). Assim, é recomendável procurar um ponto ótimo entre os diferentes indicadores, ou seja, um prazo do crédito habitação que permita uma prestação confortável e pagar juros durante o tempo estritamente necessário.

Analisar a Taxa de Esforço de crédito habitação
Para decidir a melhor solução de prazo do crédito habitação, é importante saber também qual a Taxa de Esforço para o crédito. A Taxa de Esforço, que é um importante indicador para a aprovação do crédito habitação, determina a percentagem dos rendimentos do agregado familiar que estão alocados a encargos com responsabilidades de crédito. Contempla o total dos rendimentos mensais do agregado e os encargos mensais com créditos, incluindo o crédito habitação que se vai contrair e os encargos já existentes (crédito pessoal, crédito automóvel e despesas com o cartão de crédito).

O objetivo deste indicador é perceber de que forma o crédito habitação vai afetar a saúde financeira do agregado familiar, assegurando que é possível ao agregado cumprir com os encargos já assumidos e com os custos mensais do novo crédito habitação. A recomendação do Banco de Portugal é que a Taxa de Esforço do crédito habitação seja inferior a 50% do rendimento total.

Ao saber qual a Taxa de Esforço para o crédito, o cliente poderá perceber se tem margem para contratar um prazo do crédito habitação mais curto, assumindo assim uma prestação mensal mais elevada, mas tendo como benefício a redução dos custos do crédito com o pagamento de juros.

Pensar na vida durante todo o período do crédito habitação
O crédito habitação é um compromisso assumido agora, mas que se prolongará durante vários anos. É por isso importante olhar para a situação atual e perceber se há condições para cumprir com os encargos associados ao crédito habitação hoje, mas também no dia de amanhã.

Um prazo do crédito habitação mais longo significa ter a obrigação de pagar uma prestação mensal durante mais anos. E se perder o emprego? E se ficar doente? E se se reformar antes do término do contrato de crédito habitação e o nível de rendimentos baixar? É importante pensar nestas questões e, se possível, tomar uma decisão que permita ficar livre do encargo com o crédito habitação o mais rápido possível.

A decisão do prazo do crédito habitação é, portanto, fundamental e exige a mesma atenção e cuidado que se tem na análise de outros indicadores do crédito como a TAEG ou o MTIC. Numa ótica de promoção do crédito responsável, a UCI tem feito um trabalho progressivo no sentido da redução do prazo máximo nos contratos de crédito habitação e, na explicação aos clientes da importância de fazerem uma escolha consciente em relação ao prazo do crédito habitação, ponderando os benefícios a curto e longo prazo.

Seguindo os princípios de crédito responsável, 79% dos novos contratos de crédito habitação UCI em 2020 já foram realizados com prazo inferior a 30 anos, e o objetivo da marca especialista em crédito habitação é continuar a assegurar que os seus clientes conseguem comprar a casa que desejam e aceder ao seu financiamento sem, no entanto, perderem qualidade de vida, nem pagarem mais juros do que o necessário.

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