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“No meu tempo corríamos mais”. Será que os avós têm razão? Os especialistas foram confirmar

“No meu tempo corríamos mais”. Será que os avós têm razão? Os especialistas foram confirmar
Sandra M. Pinto

Dados revelam que embora a condição física das crianças de agora esteja a melhorar, a dos pais e dos avós era melhor na mesma altura.

Como está a forma física das crianças de hoje? A dúvida inquietou a comunidade científica, com a maioria das opiniões favoráveis a uma redução da aptidão física das crianças comparativamente com a geração dos pais e avós. Informação comprovada num estudo da equipa de investigação, liderada por Grant Tomkinson, que passou as duas últimas décadas a reunir dados históricos da condição física de milhões de crianças em todo o mundo.

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A aptidão física é importante para o suc0esso no desporto, mas também para garantir a saúde e o bem-estar de uma pessoa. Se geralmente estiver em boa forma física, provavelmente é porque tem um organismo saudável e em boas condições. O que o pode ajudar a exercitar e melhorar as hipóteses de ter uma vida longa e saudável.

Os exercícios aeróbicos são os mais importantes para a ter uma boa saúde, pois promovem a sua capacidade de se exercitar ou de ser fisicamente ativo a um ritmo constante por um longo período de tempo (por exemplo, mais de 20 minutos). As diversas modalidades desportivas são o melhor exemplo.

As tendências nacionais e internacionais da aptidão aeróbica infantil são importantes para entender a tendência subjacente da saúde atual e potencial de uma população.

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Pesquisas mostram que se um individuo estiver em boa forma aeróbica, quando adulto, é menos provável que se desenvolvam condições crónicas, como doenças cardíacas, derrames e alguns tipos de cancro. Além disso, revelam que se a boa forma física já vier da infância, a probabilidade de estar em forma e saudável enquanto adulto é maior.

Em Portugal, os resultados foram negativos

Para efeitos deste estudo foram observados os dados de 25 milhões de crianças de 6 a 19 anos de 27 países, e este foi o primeiro a mostrar conclusivamente que a condição aeróbica infantil declinou em todo o mundo no final do século XX. Aliás, a condição física das crianças piorou, em todo o mundo, entre 1970 e 2000, com as crianças na entrada do terceiro milénio a serem cerca de 15% menos aptas do que os pais quando crianças.

Assim, as tendências na condição física diferiram entre os países analisados, com a maioria a mostrar um declínio geral. Depois do ano 2000, no entanto, a condição aeróbica melhorou no Brasil e no Japão, na Austrália, Canadá, Grécia, África do Sul e Espanha, mas piorou em Portugal, no Reino Unido e nos Estados Unidos.

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Qual é a causa?

Os cientistas analisaram ainda os vínculos entre as tendências na condição aeróbica e as tendências de certos fatores socioeconómicos e de saúde em cada país, incluindo a desigualdade nos rendimentos, os níveis de atividade física e os níveis de obesidade. O indicador mais forte do nível de condição física de um país foi a diferença entre ricos e pobres, com os países que apresentavam uma diferença crescente entre ricos e pobres a sofrerem os maiores declínios na condição aeróbica.

Isso, porque, os países com um fosso crescente entre ricos e pobres tendem a ter um número crescente de pessoas pobres. A pobreza está ligada a maus resultados sociais e de saúde nos países com rendimentos altos e médio-altos, além de um cenário de falta de oportunidades, tempo e recursos para ser fisicamente ativo e participar em atividades que melhoram ou mantenham o nível de aptidão aeróbica de um indivíduo.