“No meu tempo corríamos mais”. Será que os avós têm razão? Os especialistas foram confirmar

Dados recentes revelam que embora a condição física das crianças de agora esteja a melhorar, a dos pais e dos avós era melhor na mesma altura.

Como está a forma física das crianças de hoje? A dúvida inquietou a comunidade científica, com a maioria das opiniões favoráveis a uma redução da aptidão física das crianças comparativamente com a geração dos pais e avós. Informação comprovada num estudo da equipa de investigação, liderada por Grant Tomkinson, que passou as duas últimas décadas a reunir dados históricos da condição física de milhões de crianças em todo o mundo.

A aptidão física é importante para o sucesso no desporto, mas também para garantir a saúde e o bem-estar de uma pessoa. Se geralmente estiver em boa forma física, provavelmente é porque tem um organismo saudável e em boas condições. O que o pode ajudar a exercitar e melhorar as hipóteses de ter uma vida longa e saudável.

Os exercícios aeróbicos são os mais importantes para a ter uma boa saúde, pois promovem a sua capacidade de se exercitar ou de ser fisicamente ativo a um ritmo constante por um longo período de tempo (por exemplo, mais de 20 minutos). As diversas modalidades desportivas são o melhor exemplo.

As tendências nacionais e internacionais da aptidão aeróbica infantil são importantes para entender a tendência subjacente da saúde atual e potencial de uma população.

Pesquisas mostram que se um individuo estiver em boa forma aeróbica, quando adulto, é menos provável que se desenvolvam condições crónicas, como doenças cardíacas, derrames e alguns tipos de cancro. Além disso, revelam que se a boa forma física já vier da infância, a probabilidade de estar em forma e saudável enquanto adulto é maior.

Em Portugal, os resultados foram negativos

Para efeitos deste estudo foram observados os dados de 25 milhões de crianças de 6 a 19 anos de 27 países, e este foi o primeiro a mostrar conclusivamente que a condição aeróbica infantil declinou em todo o mundo no final do século XX. Aliás, a condição física das crianças piorou, em todo o mundo, entre 1970 e 2000, com as crianças na entrada do terceiro milénio a serem cerca de 15% menos aptas do que os pais quando crianças.

Assim, as tendências na condição física diferiram entre os países analisados, com a maioria a mostrar um declínio geral. Depois do ano 2000, no entanto, a condição aeróbica melhorou no Brasil e no Japão, na Austrália, Canadá, Grécia, África do Sul e Espanha, mas piorou em Portugal, no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Qual é a causa?

Os cientistas analisaram ainda os vínculos entre as tendências na condição aeróbica e as tendências de certos fatores socioeconómicos e de saúde em cada país, incluindo a desigualdade nos rendimentos, os níveis de atividade física e os níveis de obesidade. O indicador mais forte do nível de condição física de um país foi a diferença entre ricos e pobres, com os países que apresentavam uma diferença crescente entre ricos e pobres a sofrerem os maiores declínios na condição aeróbica.

Isso, porque, os países com um fosso crescente entre ricos e pobres tendem a ter um número crescente de pessoas pobres. A pobreza está ligada a maus resultados sociais e de saúde nos países com rendimentos altos e médio-altos, além de um cenário de falta de oportunidades, tempo e recursos para ser fisicamente ativo e participar em atividades que melhoram ou mantenham o nível de aptidão aeróbica de um indivíduo.

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