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O regresso dos discos de vinil: nostalgia ou qualidade sonora real?

19 Agosto 2025
Forever Young

As vendas de vinil voltaram a crescer e já superam as de CD em vários mercados. Mas será apenas nostalgia ou há razões objetivas para este regresso? Explore os números, a ciência do som e o lado cultural do vinil.

O inesperado regresso de um clássico

O que parecia obsoleto na era digital voltou com força: os discos de vinil. Em 2022, as vendas de vinil ultrapassaram as de CD nos EUA pela primeira vez desde 1987, segundo a RIAA. Em Portugal, os dados da Audiogest confirmam uma tendência de crescimento: apesar de representarem uma fatia pequena do mercado, as vendas duplicaram nos últimos anos.

É só nostalgia?

Uma parte do apelo do vinil é emocional: as capas grandes, o ritual de colocar a agulha, a experiência tátil. Gerações que cresceram com streaming redescobrem o valor de um objeto físico. Para quem viveu os anos 70 e 80, há também uma ligação afetiva forte — ouvir um LP pode ser revisitar memórias de juventude.

Qualidade de som: mito ou realidade?

O vinil tem limitações técnicas (ruído de fundo, desgaste com o uso), mas também características que muitos audiófilos consideram mais “quentes” e naturais. Estudos de engenharia de som explicam que o vinil, por ser um formato analógico, preserva certas nuances da gravação que se perdem na compressão digital (MP3, streaming). No entanto, formatos digitais sem compressão (como FLAC) podem ser indistinguíveis do vinil em testes cegos.

Ou seja: a perceção de qualidade depende tanto da tecnologia como da experiência subjetiva. A Harvard Medical School nota que a música, independentemente do suporte, influencia diretamente emoções e memória.

Fatores culturais e sociais

  • Objeto de coleção: capas icónicas tornam-se peças de arte em casa.
  • Valorização: edições raras e limitadas podem ganhar valor no mercado de colecionadores.
  • Rituais sociais: ouvir vinil é muitas vezes um evento partilhado — diferente de carregar numa playlist.

O mercado em números

No Reino Unido, a BPI registou 5,9 milhões de LPs vendidos em 2023, o nível mais alto desde 1990. Em Portugal, o fenómeno é mais modesto, mas visível em lojas como a FNAC e na proliferação de feiras de discos usados. A Imprensa nacional destacou que em 2022 foram vendidos mais de 1 milhão de discos de vinil em Portugal — números impensáveis há 15 anos.

Quem compra vinil em Portugal?

Perfis distintos unem-se no regresso ao vinil:

  • Jovens colecionadores: procuram edições limitadas e artistas contemporâneos.
  • Geração 50+: reencontram discos que marcaram juventude e preferem o ritual físico.
  • Audiófilos: investem em gira-discos de alta fidelidade e valorizam a experiência sonora.

Vinil e sustentabilidade

Há debates sobre o impacto ambiental: discos são produzidos em PVC, derivado do petróleo. Algumas editoras exploram vinil reciclado ou processos mais sustentáveis. Paralelamente, lojas de segunda mão prolongam o ciclo de vida dos discos — uma prática em expansão.

O regresso do vinil é mais do que moda. É nostalgia, sim, mas também a busca por experiências tangíveis e partilhadas, num mundo cada vez mais digital. Em termos técnicos, não é objetivamente “melhor” que o digital sem compressão, mas continua a oferecer uma experiência sensorial única. E é essa mistura de memória, som e ritual que explica porque o vinil voltou a girar em tantas casas portuguesas.