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Onde ainda reina o dinheiro vivo: países que resistem ao digital

Forever Young

Num mundo cada vez mais digital, há países onde as notas e moedas continuam a dominar. A resistência ao digital revela tradições culturais e hábitos sociais que persistem.

À medida que os pagamentos digitais ganham espaço em todo o mundo, muitos acreditam que as notas e moedas caminham para a extinção. No entanto, a realidade mostra-se mais complexa. Em vários países, o numerário continua a ser o meio de pagamento preferido, revelando não só hábitos culturais enraizados, mas também preocupações com privacidade e confiança nas instituições financeiras. Para quem cresceu habituado a usar dinheiro físico, a transição total para o digital não é nem imediata nem desejada.

Segundo dados recentes do Banco Central Europeu, cerca de 59% das transações presenciais na zona euro em 2022 ainda foram feitas em numerário, apesar do crescimento dos cartões e pagamentos móveis. A pandemia acelerou a digitalização, mas não eliminou a importância do dinheiro vivo, que permanece essencial em muitos contextos sociais e económicos.

Alemanha: tradição e privacidade

Na Alemanha, pagar em numerário é mais do que hábito — é uma questão de princípio. Muitos alemães valorizam a privacidade e preferem evitar o registo digital das suas compras. Estudos mostram que mais de metade dos pagamentos do dia a dia ainda é feito em dinheiro vivo, sobretudo em pequenas compras. Para gerações mais velhas, pagar com moedas e notas continua a ser sinónimo de segurança.

Japão: confiança no tangível

Curiosamente, o Japão, país altamente tecnológico, continua a ser uma das sociedades mais ligadas ao numerário. Um estudo da Bank of Japan revela que grande parte da população prefere dinheiro físico pela sua tangibilidade e porque evita riscos associados a falhas tecnológicas. Além disso, a confiança cultural no objeto físico traduz-se numa menor adesão a pagamentos móveis, apesar da infraestrutura digital avançada.

Itália: o peso da economia informal

Em Itália, o uso de dinheiro vivo está intimamente ligado ao quotidiano de pequenas empresas, mercados locais e negócios familiares. A economia informal continua a ter peso significativo, e pagar em numerário é muitas vezes mais prático e imediato. Mesmo com a pressão das autoridades fiscais para incentivar pagamentos digitais, o dinheiro físico mantém-se como elemento central do comércio de proximidade.

Portugal: entre a tradição e a mudança

Em Portugal, o numerário ainda é amplamente utilizado, sobretudo em zonas rurais e entre as gerações mais velhas. O Banco de Portugal confirma que, apesar do crescimento das carteiras digitais e MB Way, o dinheiro vivo continua a ter relevância no dia a dia. Muitos portugueses consideram essencial ter notas na carteira para emergências, reforçando a ideia de que o digital ainda não substituiu totalmente o físico.

Porque resistem ao digital

A resistência ao digital é multifacetada. Para alguns, pagar em numerário é uma forma de controlar melhor os gastos, já que o ato físico de entregar notas ajuda a ter noção do consumo. Para outros, trata-se de privacidade: usar dinheiro evita deixar rasto digital. A desconfiança em relação a falhas técnicas, ciberataques ou até ao endividamento fácil com cartões também são fatores relevantes. E, em muitos contextos sociais, pagar em dinheiro continua a ser mais prático.

O futuro do dinheiro vivo

Embora a tendência global aponte para a digitalização, é pouco provável que o dinheiro físico desapareça a curto prazo. O próprio Banco Central Europeu reforça que as notas de euro continuam a ser um meio de pagamento essencial e que novas séries estão a ser desenvolvidas para maior segurança. O equilíbrio entre inovação digital e preservação do numerário será decisivo para garantir inclusão social e liberdade de escolha.

Para quem vive num mundo cada vez mais digital, refletir sobre o uso de numerário continua a ser importante. Manter algum dinheiro vivo para situações de emergência é uma prática prudente. Observar como diferentes gerações encaram esta questão pode também ser uma forma de compreender melhor a relação entre tradição e modernidade. Afinal, mesmo em tempos de pagamentos instantâneos, ainda há quem confie mais no som das moedas do que no toque de um ecrã.