Proteja o cérebro, coma chocolate. Dizem os especialistas

Existem muitos mitos sobre o papel do chocolate na saúde, a quantidade de cacau indicada, ou como podem os nutrientes do cacau ajudar a um melhor funcionamento do nosso organismo.

O cacau é conhecido pelos benefícios dos seus componentes na saúde cardiovascular, como relata ao jornal espanhol “El Economista”, a professora de ciências da saúde da Universidade Aberta da Catalunha (UOC) Alicia Aguilar, indicando que estes benefícios se «devem ao seu alto teor de polifenóis (flavonoides e procianidinas) e ao seu papel como antioxidante e anti-inflamatório».

Agora, um estudo italiano aponta o cacau como uma nova ferramenta para combater diferentes tipos de declínio cognitivo.

Esta investigação relaciona associa o cacau a uma melhoria na capacidade cognitiva e na função cerebral. Os cientistas da Universidade de L’Aquila (Itália) descobriram que  o cacau pode melhorar a memória de trabalho e o processamento de informações visuais.

A neuropsicóloga Maria José Acebes explica, no mesmo periódico, que isso se deve às propriedades dos flavonoides nos processos de memória e ao seu efeito positivo no envelhecimento cerebral, uma vez que são protetores celulares.

As evidências acumuladas nesta investigação sugerem que a administração de flavonoides do cacau pode ser eficaz na manutenção do desempenho cognitivo, «levando a melhorias nas medidas de cognição geral, atenção, velocidade de processamento e memória». Os autores deste estudo presumem ainda que os efeitos cognitivos benéficos da ingestão regular de flavonoides, particularmente em pacientes em risco, «sejam mediados por ações neuroprotetoras diretas». Além de que a sua «administração aguda pode resultar em um efeito imediato, sobretudo, em condições cognitivamente exigentes, incluindo fadiga e perda de sono».

O chocolate e a saúde

Nesta associação, Alicia Aguilar afirma que primeiro é «melhor falar sobre padrões alimentares saudáveis, pois não consumimos alimentos isoladamente, mas dentro de uma dieta». Pelo que se torna apropriado falar «sobre os possíveis benefícios de um alimento no contexto de uma dieta e estilo de vida», acrescenta a professora.

Segundo Alicia Aguilar, «o grau de evidência da pesquisa ainda é fraco para afirmar que o consumo regular de chocolate é bom para prevenir ou melhorar doenças». O que só se consegue com um aumento de investigações «mais adiante nesta linha».

A professora indica ainda que a maior parte do chocolate consumido não é cacau puro, pois «contém outras substâncias cujos efeitos na saúde podem não ser favoráveis». Quando são realizadas investigações sobre as propriedades benéficas do chocolate, – o cacau puro, natural e não tratado é sempre estudado -, por isso, «quando o chocolate é consumido, acima de 75% de cacau, quanto mais preto e puro, melhor».

Chocolate para combater o stress

Embora uma tablete de chocolate não prejudique, muito menos se tiver uma alta concentração de cacau, «usá-lo para se acalmar não parece a melhor ideia». Quem o garante é o psicólogo do centro digital de saúde da UOC Manuel Armayones, que recomenda «não comer por impulso» e sugere ainda que, em tempos de ansiedade, «devemos parar, não comer por impulso, analisar e atacar as fontes reais que nos causam essa ansiedade».

Chocolate para melhorar o humor

Por outro lado, sobre a crença de que o cacau pode afetar o humor, Alicia Aguilar explica que ainda «não existem muitos estudos a esse respeito e é muito cedo para dizer que pode ter algum impacto nesses casos».

O chocolate cria dependência?

Outra das crenças sobre o chocolate é sua capacidade hipotética de criar dependência. Para responder a esta possibilidade, Aguilar argumenta que também não foram realizados estudos nesse sentido, portanto, «não é possível atribuir essa propriedade ao chocolate».

E engorda tanto quanto se diz?

Por fim, à pergunta que tanto aflige milhões, a diretora do Mestrado Universitário em Nutrição e Saúde da UOC não esquece «que o peso corporal de uma pessoa depende de muitas variáveis, como quantidades ingeridas, dieta, atividade física etc.». Contudo, em geral, o chocolate «possui um conteúdo energético alto ou denso, com os valores a variarem em torno de 400 a 500 kcal por 100 g ».

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