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Tosse que não passa: a partir de quando deve preocupar

Tosse que não passa: a partir de quando deve preocupar
Georgia Gonçalves

Uma tosse depois de uma constipação pode durar semanas. O que não é normal é durar meses, aparecer sem causa aparente ou vir acompanhada de outros sintomas.

Toda a gente tosse depois de uma constipação. O que confunde é quando a tosse fica: três semanas, um mês, dois meses. Nessa altura deixa de ser um sintoma passageiro e passa a merecer explicação.

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Quanto tempo é normal

Uma tosse aguda, associada a uma infecção respiratória comum, costuma durar até duas ou três semanas, podendo prolongar-se um pouco mais em fumadores e em pessoas com doenças respiratórias. Fala-se em tosse crónica quando ultrapassa as oito semanas.

As causas mais frequentes

Nos adultos não fumadores, três causas explicam a maioria dos casos. O escorrência nasal posterior, em que o muco do nariz escorre para a garganta e irrita, frequente em quem tem alergias ou sinusite. A asma, que nem sempre se apresenta com pieira e pode manifestar-se sobretudo por tosse, em especial à noite ou com o frio. E o refluxo, em que o ácido do estômago irrita as vias respiratórias.

Há ainda uma causa muito comum e facilmente esquecida: os medicamentos. Os chamados inibidores da enzima de conversão da angiotensina, usados na tensão arterial e cujo nome termina em «pril», provocam tosse seca persistente numa parte significativa de quem os toma. Se começou a tossir depois de iniciar um medicamento para a tensão, fale com o médico.

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Nos fumadores, a conversa é outra

Em quem fuma ou fumou, a tosse crónica é frequentemente atribuída ao próprio tabaco e é aí que mora o perigo: normaliza-se um sintoma que pode indicar doença pulmonar obstrutiva crónica ou, mais raramente, cancro do pulmão. Uma tosse que muda de características em quem já tossia habitualmente deve ser sempre avaliada.

Sinais que não podem esperar

Procure ajuda médica sem demora se a tosse vier acompanhada de sangue, falta de ar em repouso ou a esforços pequenos, dor no peito, febre alta ou prolongada, perda de peso sem explicação, suores nocturnos, rouquidão que dura mais de três semanas ou inchaço nos tornozelos.

O que fazer enquanto espera pela consulta

Beber líquidos, que fluidificam as secreções. Manter o ar do quarto húmido, sobretudo com aquecimento ligado. Evitar fumo, ambientes com pó e produtos de limpeza com odores fortes. Elevar ligeiramente a cabeceira da cama, se a tosse piorar deitado. O mel, em adultos, tem alguma evidência de alívio na tosse irritativa.

Quanto aos xaropes, vale a pena saber que existem dois tipos com objectivos opostos: os que suprimem a tosse e os que ajudam a expulsar secreções. Tomar o errado pode agravar. Na dúvida, pergunte na farmácia e descreva bem a tosse: se é seca ou com expectoração, a que horas piora e há quanto tempo dura.

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Tosse e engasgamento

Há ainda uma situação que merece atenção depois dos 70: tossir sempre que se come ou bebe. Pode indicar dificuldade em engolir, o que aumenta o risco de a comida ir para os pulmões e causar pneumonia. Se isso acontece com frequência, fale com o médico, porque existem avaliações e estratégias simples, como ajustar a consistência dos alimentos, que reduzem muito o risco.

Uma nota sobre vacinas

Nas pessoas com mais de 65 anos e nas que têm doenças crónicas, a gripe e a pneumonia podem começar com uma tosse que parece banal. Manter em dia a vacinação sazonal e a vacina contra a pneumonia, quando indicada, é das medidas mais eficazes para evitar complicações.