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Tuberculose: casos diminuem nas crianças até aos 5 anos e sobem nos adolescentes

O número de novos casos de tuberculose em crianças até aos cinco anos diminuiu em 2023, totalizando 27, enquanto no grupo etário dos 6 aos 14 anos aumentou relativamente a 2022, com 18 registos, revelam dados hoje divulgados.

24 Março 2025
Forever Young com Lusa

Segundo o relatório de vigilância e monitorização da tuberculose em Portugal da Direção-Geral da Saúde, a taxa de notificação, em 2023, nas crianças até 5 anos foi de 5,2 casos por 100 mil crianças, representando uma diminuição na taxa de incidência em comparação com 2022 (6,2/100 mil) e 2021 (6,1 casos).

No grupo etário dos 6 aos 14 anos, foram notificados 18 casos em 2023, correspondendo a uma taxa de incidência de 2,1 casos por 100 mil crianças, verificando-se um aumento comparativamente a 2022 (2 casos por 100 mil crianças).

“Estamos numa fase relativamente estável da tuberculose até aos 6 anos. Continuamos a manter a estratégia vacinal de BCG apenas para os grupos com maior vulnerabilidade e, portanto, com fatores de risco, que, no fundo, predizem uma maior probabilidade de vir a estar exposto à tuberculose”, disse à agência Lusa a diretora do Programa Nacional para a Tuberculose (PNT) da DGS.

Segundo Isabel Carvalho, o grupo dos 6 a 14 anos também está estável, mas começa a existir “uma proporção diferente” relacionada com a proporção da população migrante.

“Houve um alerta recente do ECDC [Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças] precisamente para o aumento da tuberculose neste grupo etário e que está relacionado com o fenómeno migratório de adolescentes que acompanham a sua família e os seus pais”, referiu.

A diretora explicou que são jovens provenientes de países com elevada incidência de tuberculose que, em função das condições de vida adversas no país de acolhimento ou durante a viagem, poderão desenvolver a doença.

Os dados do relatório mostram que os distritos de Lisboa e Braga foram os que registaram a maior proporção de casos de tuberculose nas crianças até aos 5 anos (29,6% e 18,5%, respetivamente), seguidos do Porto e Aveiro, cada um com 11,1% dos casos.

Três das crianças notificadas tinham a vacina BCG, refere o relatório que é apresentado hoje, no Porto, no encontro promovido pela DGS “Tuberculose em Portugal: epidemiologia e estratégias”.

Segundo o documento, divulgado no Dia Mundial da Tuberculose, a forma de apresentação mais frequente da doença foi a pulmonar (21 casos), não se tendo registado casos de formas graves da doença, nem nenhuma morte.

A maioria dos casos neste grupo etário ocorreu em crianças nascidas em Portugal (85,2%), registando-se também casos em crianças da Guiné-Bissau, Índia e Paquistão.

Os dados indicam também que, dos 18 casos de tuberculose no grupo etário dos 6 aos 14 anos, sete crianças (38,8%) estavam vacinadas, percentagem semelhante à de 2022 (31,6%).

O distrito de Lisboa foi o que registou o maior número de casos (oito), seguindo-se os distritos do Porto e Faro (dois cada).

A localização pulmonar foi a forma mais frequente da doença (55,6%), tendo sido notificado um caso de forma meníngea.

A maioria dos casos (11) ocorreu em crianças não nascidas em Portugal, naturais de Angola (4), Guiné-Bissau (2), Brasil, Paquistão, Nepal e Serra Leoa, contrastando com o observado em 2022, em que a maioria dos casos ocorreu em crianças nascidas em Portugal (63,2%).

Isabel Carvalho defendeu ser fundamental, em termos de atuação, aumentar a literacia da população sobre a doença, “valorizar os sintomas” e não adiar a procura dos cuidados de saúde perante sinais que persistem como tosse, febre, emagrecimento.

“Quanto mais precoce for o início do tratamento, melhor o sucesso, melhor a possibilidade de regressar ao trabalho de uma forma saudável e sem sequelas”, disse, realçando: “Tem que haver um comprometimento de todos na atuação se queremos realmente controlar a tuberculose em Portugal”, que registou 1.584 casos em 2023.

HN // ZO

Lusa/fim

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