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Portugal é o país mais sedentário da Europa e o trabalho híbrido pode estar a piorar tudo (mesmo com mais políticas do que nunca)

Forever Young

56% dos adultos portugueses não fazem exercício suficiente. Com 1,1 milhão em teletrabalho e 76% com sinais de burnout, o sedentarismo tornou-se uma crise silenciosa.

Mais de metade dos adultos portugueses não se mexe o suficiente. Num país onde o sol convida a sair de casa e o mar está sempre perto, 56% da população não pratica atividade física suficiente. É quase o dobro da média da OCDE, que se fica pelos 30%. Os números são do relatório «Panorama da Saúde 2025» e colocam Portugal num lugar pouco invejável: o país mais sedentário da União Europeia.

O problema não é novo, mas está a agravar-se. E há um paradoxo difícil de explicar.

Mais investimento, menos movimento

Segundo um estudo do ISPUP publicado em revista científica, Portugal foi o país da UE que mais aumentou as políticas de promoção da atividade física na última década. O aumento foi superior a 50%. Campanhas, programas municipais, incentivos. Tudo isto cresceu.

Mas a população tornou-se mais inativa. Os dados do Eurobarómetro, citados pelo Público, mostram que 73% dos portugueses afirmam nunca fazer exercício ou praticar desporto. A meta da OMS de reduzir a inatividade em 10% até 2025 ficou por cumprir.

O investigador Romeu Mendes, do ISPUP, disse à Renascença que os portugueses se adaptam «com facilidade ao conforto da tecnologia e do entretenimento em torno do ecrã e da posição sentado». É um padrão cultural dos países mediterrânicos que resiste a qualquer campanha.

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O sofá do escritório em casa

Cerca de 1,1 milhão de portugueses trabalha parcial ou totalmente a partir de casa, segundo dados do INE. São 22% dos 5,3 milhões de empregados no país. E 85% dos empregadores planeiam manter o modelo híbrido em 2025, de acordo com a consultora Hays.

Trabalhar em casa tem vantagens reais. O estudo LABPATS, com mais de 4.300 participantes, concluiu que os profissionais em regime remoto ou híbrido apresentam melhores indicadores de desempenho e bem-estar do que os presenciais.

Mas há um reverso. O mesmo estudo revela que 46% dos trabalhadores portugueses não praticam exercício físico e 35% têm maus hábitos de sono. E 76% manifestam pelo menos um sintoma de burnout: exaustão, irritabilidade ou tristeza.

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A principal razão para não fazer exercício? Falta de tempo, dizem 44% dos europeus. Logo a seguir, falta de motivação, com 29%. O Eurobarómetro confirma o que muitos já sabem por experiência própria.

Nem um diagnóstico muda o hábito

Um estudo da GfK Metris para a Fundação Portuguesa de Cardiologia, feito em abril de 2025 com 800 participantes, trouxe um dado preocupante. Entre os portugueses com colesterol elevado, 47% não alteraram a rotina de exercício após o diagnóstico. Entre os hipertensos, apenas 53% mudaram os hábitos.

Ou seja: mesmo quando o corpo dá sinais claros, quase metade das pessoas continua sentada.

E o calor vai piorar as coisas

Um estudo publicado na The Lancet Global Health, que analisou dados de 156 países entre 2000 e 2022, associou cada mês adicional com temperatura média acima de 27,8 °C a um aumento de 1,5 pontos percentuais no sedentarismo. A projeção é alarmante: até 2050, o calor poderá contribuir para 500.000 mortes prematuras adicionais por ano, em todo o mundo.

O sedentarismo é já responsável por cerca de 5% de todas as mortes de adultos a nível global. Cerca de um terço da população mundial não cumpre os 150 minutos semanais de atividade moderada recomendados pela OMS.

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O que pode mudar

Não é preciso correr maratonas. 150 minutos por semana equivalem a pouco mais de 20 minutos por dia. Uma caminhada ao almoço, subir escadas em vez de usar o elevador, ou simplesmente levantar-se da secretária a cada hora.

Se trabalha a partir de casa, a responsabilidade é ainda maior. Sem o trajeto para o escritório, sem as escadas do metro, sem o caminho a pé até ao restaurante, o corpo fica parado durante horas seguidas. Criar pequenas rotinas de movimento ao longo do dia pode ser o primeiro passo para contrariar uma tendência que, pelos números, já se tornou uma crise de saúde pública em Portugal.