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Entrevista: “A violência no namoro continua a ser subestimada entre os jovens”, Maria Oliveira, APAV

Retrato de uma mulher sorridente em evento da APAV, vestindo uma blusa vermelha e colar de pérolas.
Rogério Junior

No âmbito do Dia Mundial da Saúde, a Forever Young falou com Maria Oliveira, assessora técnica da Direção da APAV, sobre o programa “Abuso Não é Amor”, desenvolvido em parceria com a YSL Beauty.

Em Portugal, a iniciativa já promoveu 108 sessões em escolas em 2025 e impactou 3.247 jovens só no primeiro semestre, com o objetivo de ajudar a reconhecer sinais de abuso e prevenir relações violentas. A violência nas relações entre jovens continua a assumir formas subtis, muitas vezes normalizadas e difíceis de identificar. Controlo, manipulação, ciúmes excessivos ou invasão de privacidade ainda são frequentemente confundidos com cuidado ou afeto, o que torna a prevenção e a educação para relações saudáveis essenciais desde cedo.

A APAV e a YSL Beauty juntaram-se no programa “Abuso Não é Amor” para atuar precisamente nesse terreno: informar, sensibilizar e capacitar os mais novos para reconhecerem sinais de abuso e construírem relações baseadas no respeito, na igualdade e na segurança.

A violência nas relações entre jovens continua a ser subestimada em Portugal?

A violência nas relações entre jovens continua, em grande medida, a ser subestimada em Portugal, sobretudo porque assume formas muitas vezes subtis, difíceis de reconhecer e amplamente normalizadas. Ao contrário de outras formas de violência mais visíveis, a violência no namoro manifesta-se frequentemente através de comportamentos psicológicos e emocionais, como o controlo, a manipulação, os ciúmes excessivos ou a invasão de privacidade, que ainda são interpretados como sinais de envolvimento ou afeto.

Esta desvalorização está profundamente ligada a fatores culturais e sociais. Persistem crenças que romantizam o ciúme e o controlo, associando-os a provas de amor, o que contribui para que muitos jovens não identifiquem estes comportamentos como abusivos. Além disso, a falta de literacia emocional e relacional faz com que seja difícil distinguir entre dinâmicas saudáveis e padrões de abuso.

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Outro fator relevante é a invisibilidade estatística e social deste fenómeno. Muitos casos não são denunciados, quer por medo, vergonha ou desconhecimento dos mecanismos de apoio, quer porque os próprios jovens não reconhecem que estão numa relação abusiva. Isto contribui para a ideia errada de que a violência no namoro é menos frequente ou menos grave.

O contexto digital veio também agravar esta subestimação. Formas de abuso através das redes sociais e do telemóvel, como a monitorização constante, a exigência de respostas imediatas ou o acesso a contas pessoais, são frequentemente banalizadas, apesar de constituírem formas claras de controlo e violação de privacidade.

Importa ainda sublinhar que, embora exista hoje maior acesso à informação e mais campanhas de sensibilização, isso nem sempre se traduz numa mudança efetiva de atitudes. Muitos jovens conhecem os conceitos, mas continuam a normalizar comportamentos de risco no seu quotidiano.

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Neste sentido, reconhecer que a violência no namoro continua subestimada é um passo essencial para reforçar a prevenção. Investir em educação desde cedo, promover relações baseadas no respeito e na igualdade, e dar visibilidade aos sinais de alerta são medidas fundamentais para contrariar esta realidade e quebrar ciclos de violência.

Porque é que faz sentido enquadrar este tema também como uma questão de saúde, no contexto do Dia Mundial da Saúde?

Faz sentido enquadrar a violência nas relações como uma questão de saúde porque os seus impactos vão muito além da dimensão social ou relacional: tratam-se de consequências diretas no bem-estar físico, psicológico e emocional dos jovens.

Do ponto de vista da saúde mental, a exposição a comportamentos abusivos pode gerar ansiedade, depressão, sentimentos de culpa, medo constante e perda de autoestima. Estes efeitos tendem a agravar-se quando o abuso é prolongado ou não identificado, podendo comprometer o desenvolvimento emocional e a capacidade de estabelecer relações saudáveis no futuro.

Ao nível da saúde física, embora nem sempre visível nas fases iniciais, a violência pode evoluir para agressões físicas ou manifestar-se através de sintomas como perturbações do sono, alterações alimentares, fadiga ou somatizações, quando o corpo expressa o sofrimento psicológico.

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Importa também considerar o impacto na saúde social: o isolamento progressivo, muitas vezes imposto pelo agressor, afasta os jovens das suas redes de apoio, aumentando a vulnerabilidade e dificultando o pedido de ajuda.

Neste sentido, abordar a violência no namoro no contexto do Dia Mundial da Saúde permite reforçar uma ideia central: relações saudáveis são um determinante essencial da saúde. Tal como promovemos hábitos alimentares equilibrados ou atividade física, é igualmente fundamental promover competências emocionais, respeito, igualdade e comunicação saudável nas relações.

A prevenção precoce, através da educação e da sensibilização, assume aqui um papel decisivo. Ao ajudar os jovens a reconhecer sinais de abuso e a desenvolver relações baseadas no respeito mútuo, estamos a investir diretamente na sua saúde presente e futura, contribuindo para uma sociedade mais saudável e equilibrada.

O que levou a APAV a associar-se à YSL Beauty no programa “Abuso Não é Amor”?

A associação da APAV à YSL Beauty no programa “Abuso Não é Amor” resulta de uma convergência clara de objetivos: prevenir a violência nas relações desde as fases mais precoces e promover uma mudança cultural sustentada junto das gerações mais jovens.

Com mais de 35 anos de experiência no apoio a vítimas, a APAV reconhece que a intervenção precoce é determinante para quebrar ciclos de violência. Muitos dos casos acompanhados têm origem em padrões que começam a desenvolver-se ainda na adolescência, frequentemente sem serem identificados como problemáticos. Neste contexto, a educação surge como uma ferramenta essencial de prevenção.

A parceria com a YSL Beauty, integrada numa iniciativa global com forte investimento e alcance internacional, permite à APAV ampliar significativamente a sua capacidade de intervenção. Ao levar o programa para escolas, universidades e comunidades, torna-se possível chegar diretamente aos jovens em momentos-chave da construção das suas primeiras relações, oferecendo-lhes ferramentas práticas para reconhecer sinais de abuso e promover relações saudáveis.

Por outro lado, esta colaboração combina o conhecimento técnico e a experiência da APAV com a capacidade de mobilização e visibilidade de uma marca global. Isso traduz-se numa abordagem mais abrangente e consistente, que reforça a eficácia das ações de sensibilização e contribui para colocar o tema no espaço público.

Acima de tudo, esta parceria reflete uma estratégia clara: atuar antes da violência acontecer, capacitando os jovens com informação, pensamento crítico e competências emocionais. Ao fazê-lo, não só se protege potenciais vítimas, como se promove uma transformação mais profunda nas atitudes e comportamentos, essencial para reduzir a violência nas relações a longo prazo.

Em Portugal, o programa já promoveu 108 sessões em escolas em 2025 e impactou 3.247 jovens só no primeiro semestre. Que leitura faz destes números?

Estes números revelam, desde logo, um alcance significativo e consistente, demonstrando a capacidade de chegar a um número elevado de jovens num curto espaço de tempo e em diferentes regiões do país. A realização de 108 sessões em apenas seis meses evidencia um trabalho estruturado, contínuo e próximo das comunidades educativas, que são um espaço-chave para a prevenção.

O facto de 3.247 jovens terem participado nestas ações mostra também que existe recetividade e interesse por parte dos alunos e das escolas, o que é um sinal positivo. Cada sessão representa uma oportunidade concreta de informar, esclarecer dúvidas e, sobretudo, ajudar a reconhecer sinais de abuso que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia.

Ao mesmo tempo, estes números devem ser lidos como um indicador da necessidade de continuidade. A adesão e o impacto demonstram que este é um tema presente na vida dos jovens e que exige uma intervenção regular e alargada. Quanto mais cedo e mais vezes estas mensagens forem trabalhadas, maior será a probabilidade de prevenir situações de violência.

Importa ainda sublinhar que o impacto destas ações não se esgota nos participantes diretos. Muitos jovens levam esta informação para os seus pares, amigos e familiares, multiplicando o efeito das sessões. Em alguns casos, estas iniciativas funcionam como um ponto de viragem, incentivando a reflexão, a mudança de comportamentos e até a procura de apoio.

Em suma, os números confirmam que o investimento na prevenção precoce está a produzir resultados concretos, mas também reforçam a importância de continuar a expandir este tipo de iniciativas, garantindo que cada vez mais jovens têm acesso a informação e ferramentas para construir relações saudáveis.

Que sinais de abuso continuam a passar mais despercebidos entre os jovens?

Os sinais de abuso que mais passam despercebidos entre os jovens são, sobretudo, aqueles que não deixam marcas físicas e que são frequentemente confundidos com comportamentos “normais” numa relação. São sinais subtis, progressivos e muitas vezes romantizados, o que dificulta a sua identificação precoce.

A campanha “Abuso Não é Amor” identifica nove sinais de alerta fundamentais, que ajudam a reconhecer estas dinâmicas: ignorar, chantagear, humilhar, manipular, ter ciúmes excessivos, controlar, violar a privacidade, isolar e intimidar.

Estes comportamentos têm em comum o facto de surgirem muitas vezes de forma gradual, o que leva à sua normalização. Um comportamento isolado pode ser desvalorizado, mas a repetição e combinação destes sinais cria uma dinâmica de controlo e desigualdade.

Além disso, no contexto atual, muitos destes sinais manifestam-se no digital, como a exigência de respostas imediatas, o controlo das interações nas redes sociais ou a pressão para partilhar conteúdos pessoais, tornando ainda mais difícil reconhecer o abuso.

A principal dificuldade está precisamente aqui: não parecer abuso à primeira vista. Por isso, a sensibilização é essencial, ajudando os jovens a compreender que uma relação saudável se baseia em respeito, confiança, liberdade e igualdade e que qualquer comportamento que limite estes princípios deve ser encarado como um sinal de alerta.

Porque é que comportamentos como o controlo, o ciúme excessivo ou a vigilância ainda são tantas vezes confundidos com cuidado ou amor?

Porque persistem crenças culturais que associam o ciúme à prova de amor e o controlo ao cuidado. A ausência de educação para relações saudáveis e de literacia emocional faz com que muitos jovens interpretem comportamentos abusivos como sinais de proximidade ou interesse.

Nas sessões feitas em escolas, que dúvidas ou preocupações surgem com mais frequência por parte dos alunos?

Os jovens demonstram frequentemente dúvidas sobre como distinguir comportamentos normais de abusivos, como reagir perante situações de controlo ou pressão e como ajudar amigos que possam estar em relações abusivas. Surgem também preocupações sobre a forma segura de terminar uma relação e pedir ajuda.

As redes sociais e o telemóvel vieram tornar mais difícil identificar comportamentos abusivos nas relações?

O contexto digital trouxe novas formas de abuso, como a monitorização constante, a exigência de acesso a contas pessoais, o controlo das interações online e a pressão para respostas imediatas. Estas práticas são muitas vezes normalizadas, o que dificulta a sua identificação como comportamentos abusivos.

Os jovens de hoje estão mais informados sobre violência no namoro ou continuam a normalizar demasiados sinais de alerta?

Os jovens de hoje estão, de forma geral, mais informados sobre o tema da violência no namoro. Existe maior exposição a campanhas de sensibilização, mais conteúdos disponíveis online e uma presença crescente deste tema nas escolas e nos meios de comunicação. Conceitos como “relação tóxica”, “red flags” ou “controlo” fazem já parte do vocabulário de muitos jovens, o que representa um avanço importante.

No entanto, esse aumento de informação nem sempre se traduz numa plena capacidade de reconhecer o abuso na prática. Muitos jovens conseguem identificar situações extremas de violência, mas continuam a normalizar sinais mais subtis, sobretudo quando estes surgem no contexto de relações afetivas próximas.

Esta aparente contradição explica-se por vários fatores. Por um lado, persistem crenças culturais que romantizam comportamentos como o ciúme, o controlo ou a exclusividade, associando-os a provas de amor. Por outro, a experiência emocional intensa típica da adolescência pode dificultar uma leitura crítica da relação, levando à desvalorização de comportamentos abusivos.

O contexto digital reforça esta complexidade. Práticas como pedir acesso a passwords, exigir respostas imediatas ou controlar interações nas redes sociais são frequentemente vistas como normais ou até esperadas, quando na realidade configuram formas de controlo e violação de privacidade.

Além disso, existe muitas vezes uma distância entre o conhecimento teórico e a vivência pessoal. Um jovem pode reconhecer, em abstrato, os sinais de abuso, mas ter dificuldade em aplicá-los à sua própria relação ou à de amigos, sobretudo quando estão envolvidos sentimentos, dependência emocional ou pressão do grupo.

Por isso, mais do que informar, é fundamental capacitar. Programas como o “Abuso Não é Amor” têm precisamente esse objetivo: transformar informação em compreensão prática, ajudando os jovens a identificar sinais de alerta no seu dia a dia, a questionar padrões normalizados e a construir relações baseadas no respeito, na igualdade e na autonomia.

Em suma, os jovens estão mais informados, mas a normalização de muitos comportamentos abusivos ainda é uma realidade, o que torna essencial continuar a investir numa educação contínua, próxima e adaptada às suas experiências.

Que papel podem escolas e famílias ter na prevenção deste tipo de violência?

As escolas e as famílias desempenham um papel fundamental na prevenção da violência nas relações entre jovens, sendo os principais contextos onde se constroem valores, comportamentos e competências emocionais.

No contexto escolar, a prevenção deve ser contínua e integrada no processo educativo. As escolas têm um papel essencial na promoção de relações saudáveis, abordando temas como o respeito, a igualdade, a comunicação e a gestão de conflitos. De acordo com a abordagem da APAV na área da prevenção, é importante que estas intervenções sejam práticas e participativas, permitindo aos jovens identificar sinais de abuso e refletir sobre situações do dia a dia.

As escolas devem também garantir ambientes seguros e de confiança, onde os jovens se sintam à vontade para falar e pedir ajuda. A formação de professores e técnicos é igualmente importante, para que consigam reconhecer sinais de alerta, como mudanças de comportamento, isolamento ou ansiedade, e encaminhar situações de forma adequada.

No contexto familiar, o papel passa pela proximidade e comunicação aberta. As famílias são determinantes na construção dos primeiros modelos de relação. Um ambiente onde exista escuta ativa, sem julgamento, facilita a partilha de preocupações e experiências por parte dos jovens.

É igualmente importante promover educação emocional em casa, ajudando os jovens a reconhecer emoções, a estabelecer limites e a compreender o que caracteriza uma relação saudável. As famílias devem reforçar que o respeito, a confiança e a liberdade são pilares essenciais de qualquer relação.

Outro aspeto central é a desconstrução de mitos, como a ideia de que o ciúme é prova de amor ou que o controlo demonstra cuidado. Combater estas crenças é essencial para evitar a normalização de comportamentos abusivos.

A prevenção torna-se mais eficaz quando existe articulação entre escolas, famílias e entidades especializadas. Sempre que necessário, é importante recorrer a apoio. A APAV disponibiliza apoio gratuito e confidencial através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, disponível todos os dias úteis entre as 08h e as 23h, bem como acompanhamento psicológico, social e jurídico.

Em suma, prevenir a violência no namoro implica educar, comunicar e agir de forma conjunta, criando contextos seguros onde os jovens possam desenvolver relações baseadas no respeito, na igualdade e na segurança.

Quando um jovem percebe que está numa relação abusiva, ou identifica isso num amigo, que passos deve dar?

Quando um jovem reconhece uma situação de abuso, em si próprio ou num amigo, é fundamental agir de forma informada, segura e sem julgamento. O primeiro passo é reconhecer que aqueles comportamentos não são normais nem aceitáveis, e que a responsabilidade é sempre de quem exerce o abuso, nunca da vítima.

De acordo com a abordagem da APAV, é essencial começar por quebrar o silêncio. Falar com alguém de confiança, como um familiar, amigo, professor ou outro adulto de referência, pode ser determinante para sair da situação e reduzir o isolamento.

No caso de um jovem que identifica sinais num amigo, o papel deve ser de apoio e escuta, evitando julgamentos ou pressões. É importante mostrar preocupação genuína com a sua segurança, ouvir e acreditar no que a pessoa partilha, reforçar que não tem culpa e incentivar a procurar ajuda especializada.

Outro passo essencial é procurar apoio especializado. A APAV disponibiliza apoio gratuito, confidencial e qualificado, psicológico, jurídico e social, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, disponível nos dias úteis entre as 08h e as 23h.

O que é que ainda falta fazer em Portugal para prevenir melhor a violência nas relações desde a adolescência?

Apesar dos avanços na sensibilização, continua a ser necessário reforçar uma abordagem mais estruturada, contínua e integrada na prevenção da violência nas relações desde a adolescência.

Em primeiro lugar, é fundamental apostar mais na educação precoce e consistente. A prevenção não deve surgir apenas através de campanhas pontuais, mas sim fazer parte do percurso educativo desde cedo, com conteúdos adaptados às diferentes idades. Promover competências como a empatia, a comunicação, a gestão de conflitos e o respeito pelos limites do outro é essencial para a construção de relações saudáveis.

Em segundo lugar, importa reforçar a literacia emocional e relacional. Muitos jovens continuam a ter dificuldade em identificar comportamentos abusivos, sobretudo os mais subtis. Como se observa também nos dados apresentados em contexto formativo, uma percentagem significativa de jovens ainda não reconhece comportamentos como o controlo ou a perseguição como formas de violência. Isto demonstra a necessidade de trabalhar não só o conhecimento, mas também a capacidade de o aplicar no dia a dia.

Outro aspeto central passa por combater a normalização cultural da violência. Persistem mitos, como a ideia de que o ciúme é prova de amor, que continuam a legitimar comportamentos abusivos. Desconstruir estas crenças, tanto entre jovens como na sociedade em geral, é um passo essencial para a mudança.

É igualmente importante reforçar a formação de profissionais que trabalham com jovens, professores, assistentes operacionais, psicólogos e outros, para que consigam identificar sinais de alerta e intervir de forma adequada e atempada.

Paralelamente, deve haver um investimento contínuo na adaptação ao contexto digital. As relações dos jovens decorrem hoje também no espaço online, onde surgem novas formas de controlo e abuso. A prevenção tem de acompanhar esta realidade, integrando a dimensão digital nas estratégias educativas.

Outro ponto-chave é garantir maior acessibilidade e visibilidade dos serviços de apoio. Muitos jovens ainda desconhecem onde e como pedir ajuda. Reforçar a divulgação de recursos, como a Linha de Apoio à Vítima 116 006, disponível nos dias úteis, das 08h às 23h, é essencial para facilitar o acesso ao apoio.

Por fim, é fundamental promover uma resposta articulada entre escolas, famílias, comunidades e entidades especializadas, como a APAV. A prevenção só será eficaz se for contínua, colaborativa e centrada nos jovens.

O caminho passa por ir além da sensibilização: educar, capacitar e transformar atitudes, garantindo que cada jovem tem ferramentas para reconhecer, rejeitar e agir perante qualquer forma de violência nas relações.