A reciclagem de embalagens de bebidas deixou de ser um gesto ocasional para se tornar rotina na vida da maioria dos portugueses. Um novo estudo da ConsumerChoice revela que 94% dos inquiridos conhecem o Programa Volta e que 87% acreditam que a iniciativa contribui para incentivar a reciclagem deste tipo de embalagens. A avaliação é globalmente positiva, mas vem acompanhada de um pedido claro: 66% querem mais pontos de devolução e um sistema mais acessível, simples e integrado nas suas rotinas.
Reciclar já é hábito para a maioria
Os dados mostram uma população convencida da importância do gesto. Quase oito em cada dez participantes (79%) consideram muito importante reciclar embalagens de bebidas e 85% garantem fazê-lo sempre ou com frequência. Trata-se, portanto, de um comportamento consolidado para a maioria dos consumidores.
Essa predisposição reflete-se na leitura que os portugueses fazem da iniciativa. Além dos 94% que a conhecem, 80% consideram que representa uma medida importante para o país e outros 80% confiam que as embalagens são corretamente registadas e que o respetivo depósito lhes é devolvido. Notoriedade e confiança surgem, assim, como dois dos pontos fortes do sistema.
Dois em cada três já experimentaram
Mais do que conhecido, o Volta está a entrar nas rotinas. Segundo o estudo, 41% dos inquiridos utilizam o sistema regularmente e 23% recorrem a ele algumas vezes, o que significa que 64% dos portugueses já experimentaram o Programa.
Entre quem ainda não aderiu, a margem de crescimento continua a ser considerável:
- 17% admitem que ainda não tiveram oportunidade de utilizar o Programa;
- 12% afirmam que pretendem aderir no futuro.
O que os consumidores pedem a seguir
Apesar do balanço favorável, os inquiridos apontam melhorias concretas. A prioridade número um, indicada por 66%, é o aumento do número de locais de devolução. Seguem-se, entre as sugestões mais mencionadas, a simplificação do processo de devolução e de reembolso, a redução do tempo necessário para utilizar o sistema e a criação de benefícios adicionais para quem participa.
Olhando para a evolução da iniciativa, os participantes destacam quatro caminhos:
- reforçar a rede de pontos de devolução;
- alargar o sistema a mais tipos de embalagens;
- tornar a experiência de utilização e de reembolso mais simples;
- introduzir soluções de pagamento mais práticas, como o MB Way.
Dez cêntimos podem não ser suficientes
O estudo confirma ainda que o incentivo financeiro pesa na balança. Quase metade dos entrevistados afirma que utilizaria o Programa com maior frequência se o valor do depósito fosse superior aos atuais 10 cêntimos, sinal de que existe margem para reforçar a adesão através de mecanismos de incentivo mais atrativos.
Ainda há dúvidas por esclarecer
Se o conhecimento sobre a existência do Programa é elevado, o mesmo não acontece com alguns detalhes do seu funcionamento. Muitos consumidores desconhecem, por exemplo, qual o destino dado ao valor dos depósitos que não são reclamados, o que evidencia espaço para reforçar a comunicação e aumentar a transparência do sistema.
Quanto aos canais que deram a conhecer a iniciativa, a televisão lidera com 69%, seguida das redes sociais, com 50%, uma combinação que confirma o peso destes meios na sensibilização para a reciclagem e para a adoção de novos comportamentos.
Um compromisso coletivo
Por fim, os portugueses encaram o sucesso do Programa Volta como um compromisso coletivo. O ambiente é identificado por uma parte significativa dos participantes como o principal beneficiário da iniciativa, ao mesmo tempo que muitos defendem que o resultado depende do envolvimento de todos os intervenientes: consumidores, marcas, retalhistas e entidades gestoras.
Como foi feito o estudo
O questionário foi respondido por 750 portugueses, 51% do sexo masculino e 49% do feminino. Em termos etários, a faixa dos 35 aos 44 anos representa 30% dos participantes, seguida dos 45 aos 54 anos (28%), dos 26 aos 34 anos (16%), dos 55 aos 64 anos (15%), dos 18 aos 25 anos (9%) e dos 65 ou mais anos (2%). A maioria dos inquiridos reside na Grande Lisboa (35%), no Grande Porto e na região Norte (ambos com 21%), seguindo-se o Centro do país (15%) e o Algarve (3%), estando a restante percentagem distribuída por outros pontos de Portugal.
O trabalho integra a atividade regular de investigação de mercado da ConsumerChoice, empresa que assume plena e exclusiva responsabilidade pela integridade e precisão dos dados obtidos e que acompanha de forma continuada as tendências de consumo em Portugal.











