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A força das mãos prevê quanto tempo se vive depois dos 60

Mulher sénior a apertar um dinamómetro de mão para medir a força de preensão numa consulta
Maria Isadora Ribeiro

Duas medições simples, feitas em poucos minutos, mostraram-se associadas ao risco de morte em mais de cinco mil mulheres seguidas durante oito anos.

Apertar a mão com força e levantar-se de uma cadeira cinco vezes seguidas. São dois testes que demoram minutos e não precisam de equipamento sofisticado. Um estudo publicado em fevereiro na JAMA Network Open concluiu que ambos estão associados ao risco de morrer nos anos seguintes.

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Cinco mil mulheres, oito anos de seguimento

A investigação, liderada pela Universidade de Buffalo, analisou 5.472 mulheres com idades entre os 63 e os 99 anos, todas capazes de andar, integradas no estudo OPACH, por sua vez ligado à Women’s Health Initiative. Foram acompanhadas durante oito anos.

Mediram-se duas coisas. A força de preensão, ou seja, a força com que a mão aperta um dinamómetro. E o tempo que cada participante levava a levantar-se de uma cadeira cinco vezes seguidas, sem apoio dos braços.

O que os números mostraram

O resultado mais citado é o da força de preensão: por cada 7 quilos adicionais de força, a taxa de mortalidade era, em média, 12% mais baixa.

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As mulheres com mais força de preensão e as que completavam os cinco levantamentos em menos tempo tiveram um risco de morte significativamente menor ao longo do período de seguimento.

O detalhe que dá robustez ao estudo é o que aconteceu depois dos ajustamentos estatísticos. A associação manteve-se depois de ter em conta a atividade física e o sedentarismo, medidos com acelerómetro e não por questionário, a velocidade da marcha e a proteína C reativa, um marcador de inflamação no sangue. Manteve-se também em quase todos os subgrupos: idades diferentes, origens diferentes, índices de massa corporal diferentes, níveis de atividade diferentes, e mesmo entre mulheres que usavam auxiliares de marcha.

Porque é que a força se perde

A partir da meia-idade, o corpo perde massa e força muscular a cada década. Sem estímulo, essa perda é silenciosa e progressiva, e nota-se primeiro nas tarefas do dia a dia: abrir frascos, subir escadas, levantar-se de uma cadeira baixa, carregar compras.

A força de preensão funciona como indicador porque reflete o estado geral da musculatura, e não apenas o das mãos. É por isso que se usa em geriatria há décadas, como parte da avaliação de fragilidade.

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O que isto não quer dizer

Convém não saltar para a conclusão errada. O estudo mostra uma associação, não prova que treinar a força faça baixar a mortalidade. É possível que a força seja sobretudo um sinal de saúde geral, e não a causa dela.

Há ainda duas limitações a reter: a amostra é composta apenas por mulheres, todas com 63 anos ou mais, o que impede generalizar para homens ou para idades mais baixas.

Dito isto, o treino de força tem em seu favor um conjunto de benefícios já demonstrados por ensaios clínicos, da densidade óssea ao equilíbrio, e é uma das poucas intervenções que atua diretamente sobre a perda muscular associada à idade.

Dois testes que se fazem em casa

O teste da cadeira é o mais fácil de replicar: sentar numa cadeira firme, braços cruzados ao peito, e levantar até ficar de pé cinco vezes seguidas, cronometrando. O da preensão precisa de um dinamómetro, que existe em consultórios e ginásios.

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Nenhum dos dois substitui uma avaliação clínica, e um mau resultado isolado não diagnostica nada. Servem para outra coisa: dar uma referência que se pode repetir daqui a seis meses e comparar.