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Passam sete anos entre notar que se ouve mal e pedir ajuda

Pessoa mais velha a colocar um aparelho auditivo no ouvido
Maria Isadora Ribeiro

Quatro em cada dez pessoas entre os 65 e os 75 anos têm dificuldades auditivas. A demora média até procurar ajuda tem um custo que vai além do incómodo.

A perda de audição raramente se anuncia. Instala-se ao longo de anos, o cérebro compensa, e a pessoa começa a pedir que repitam sem perceber que mudou alguma coisa. Entre os primeiros sintomas e a decisão de procurar ajuda especializada passam, em média, sete anos.

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Quantos somos

Os números portugueses vêm do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico. Apontam para mais de 1,6 milhões de portugueses com dificuldades auditivas entre os 25 e os 75 anos, cerca de 23% dessa população.

A proporção sobe acentuadamente com a idade. Na faixa dos 65 aos 75 anos, quatro em cada dez apresentam dificuldades auditivas.

Porque é que se demora tanto

Duas razões, ambas compreensíveis.

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A primeira é a forma como o problema começa. A perda é gradual e assimétrica: primeiro perdem-se as frequências agudas, o que faz com que a pessoa continue a ouvir vozes mas deixe de distinguir consoantes. Ouve-se, mas não se percebe. Isso leva a atribuir a culpa ao interlocutor, ao ruído de fundo ou à televisão.

A segunda é o estigma associado ao aparelho auditivo, que continua a ser lido como sinal de velhice de uma forma que os óculos há muito deixaram de ser.

O que mudou na avaliação do problema

Durante anos, a perda de audição foi tratada como um incómodo de conforto. Deixou de o ser quando entrou na lista de fatores de risco modificáveis de demência da comissão do Lancet, que estima que cerca de 45% dos casos de demência sejam potencialmente evitáveis atuando sobre 14 fatores, e a perda de audição é um deles.

A hipótese em discussão é que a privação auditiva reduz o estímulo cognitivo, aumenta o esforço mental necessário para acompanhar uma conversa e favorece o isolamento social, que é, por sua vez, outro dos 14 fatores.

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Os sinais que devem levar a marcar consulta

Não é preciso esperar por não ouvir. Há sinais anteriores e razoavelmente fiáveis.

Aumentar o volume da televisão acima do que os outros acham confortável. Ter dificuldade em acompanhar conversas em restaurantes ou em grupos, mesmo ouvindo bem a sós. Pedir que repitam com frequência. Deixar de ouvir campainhas, o micro-ondas ou o telemóvel noutra divisão. Sentir cansaço depois de uma conversa longa, que é o custo do esforço de descodificação.

O zumbido persistente também merece avaliação, porque acompanha com frequência a perda auditiva.

Por onde começar

O primeiro passo é a consulta com o médico de família, que pode encaminhar para otorrinolaringologia e para a realização de um audiograma.

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Há um motivo prático para não saltar esta etapa e ir diretamente a uma loja de aparelhos: parte das perdas auditivas tem causas tratáveis e reversíveis, da acumulação de cerúmen a infeções e a efeitos secundários de medicação. Vale a pena excluí-las primeiro.

E há um motivo de tempo. Quanto mais tarde se corrige uma perda instalada, mais difícil é a adaptação, porque o cérebro se habituou a processar um sinal empobrecido. A adaptação a um aparelho auditivo é tanto mais fácil quanto mais cedo acontece, e é essa a razão pela qual os sete anos de demora média são o número mais preocupante de todos.