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Adaptar a casa à idade: onde pedir ajuda para pagar as obras

Adaptar a casa à idade: onde pedir ajuda para pagar as obras
Rogério Junior

Uma casa de banho sem apoios, um degrau à entrada e uma escada sem corrimão são das principais razões para alguém deixar de conseguir viver em casa. As obras que resolvem isso são pequenas, e há mais apoios para as pagar do que a maioria das pessoas sabe.

Muitas pessoas deixam de viver em casa por razões que não são de saúde. São de arquitetura. Uma banheira alta que se tornou impossível de transpor, um degrau à entrada do prédio, uma escada interior sem corrimão, uma casa de banho no piso de cima. Quando o corpo muda e a casa não muda com ele, o desfecho costuma ser a mudança para casa de um filho ou para uma estrutura residencial, muitas vezes anos antes do que seria necessário.

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A ironia é que as obras que evitam esse desfecho são quase sempre pequenas. Substituir a banheira por uma base de duche à altura do chão, instalar barras de apoio junto à sanita e ao duche, pôr piso antiderrapante, alargar uma porta, colocar um corrimão contínuo, melhorar a iluminação dos corredores e da escada, e eliminar o desnível da entrada. Nenhuma destas intervenções exige obra estrutural, e o conjunto muda a autonomia de quem lá vive.

Onde há dinheiro para isto

Não existe uma janela única onde se peça tudo, e é essa a principal dificuldade. Existem várias vias, com regras diferentes, e vale a pena percorrê-las por ordem.

A primeira é a câmara municipal. Muitos municípios têm programas próprios de apoio à reabilitação e à adaptação de habitações de pessoas idosas ou com mobilidade reduzida, com comparticipações e, em alguns casos, execução direta das obras. Variam muito de concelho para concelho e são a via mais rápida quando existem. O serviço de ação social da câmara ou a junta de freguesia são o ponto de contacto.

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A segunda é o programa nacional de apoio ao acesso à habitação, conhecido como 1.º Direito, gerido através do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e executado localmente pelos municípios ao abrigo das respetivas estratégias locais de habitação. Destina-se a quem vive em condições habitacionais indignas e não tem capacidade financeira para as resolver, e pode abranger obras de adaptação às necessidades decorrentes da idade. As candidaturas são apresentadas junto do município. A informação atualizada está no Portal da Habitação.

A terceira via aplica-se a situações de deficiência ou incapacidade comprovada. Aí existem apoios técnicos e produtos de apoio previstos no sistema de atribuição de produtos de apoio, que podem incluir equipamentos de adaptação, e informação especializada junto do Instituto Nacional para a Reabilitação. O atestado médico de incapacidade multiuso é a peça que abre a maior parte destas portas, incluindo benefícios fiscais.

O que fazer antes de pedir orçamentos

Vale a pena começar por uma avaliação da casa feita por quem percebe do assunto, e não por intuição. Um terapeuta ocupacional ou um fisioterapeuta identifica riscos que passam despercebidos a quem vive ali há trinta anos, e hierarquiza o que resolver primeiro. Muitos centros de saúde e unidades de cuidados na comunidade têm estes profissionais.

Depois há um conjunto de melhorias que não são obra e que fazem diferença imediata: tirar tapetes soltos, fixar cabos elétricos junto à parede, pôr luzes de presença no percurso entre o quarto e a casa de banho, arrumar o que se usa todos os dias a uma altura que dispense escadotes, e colocar um telefone ou telemóvel ao alcance de quem cair. Custam pouco e podem ser feitas no mesmo dia.

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Por fim, uma nota fiscal. Determinadas obras de acessibilidade podem beneficiar de taxa reduzida de IVA e há despesas com imóveis dedutíveis em IRS em condições específicas. Convém confirmar o enquadramento antes de contratar, e guardar todas as faturas com o número de contribuinte, porque sem elas não há dedução possível.