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Ciática: a dor que desce pela perna e o que realmente ajuda

Ciática: a dor que desce pela perna e o que realmente ajuda
Maria Isadora Ribeiro

Começa nas costas e desce pela nádega até à perna, por vezes até ao pé. Na maioria dos casos melhora sozinha, mas há sinais que obrigam a ir às urgências.

A dor ciática não é uma doença, é um sintoma: resulta da irritação ou compressão do nervo ciático ou das raízes nervosas que lhe dão origem, na coluna lombar. A causa mais frequente é uma hérnia discal, mas também pode dever-se a alterações degenerativas e ao estreitamento do canal vertebral.

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Como se reconhece

Dor que começa na região lombar ou na nádega e desce pela face posterior ou lateral da coxa, podendo chegar à perna e ao pé. Costuma ser de um lado só. Agrava ao tossir, ao espirrar e ao fazer esforço, e muitas vezes ao estar sentado durante muito tempo.

Pode acompanhar-se de formigueiro, dormência ou sensação de perna pesada. A perda de força, como dificuldade em andar em bicos de pés ou em levantar a ponta do pé, é um sinal mais preocupante.

Os sinais que obrigam a urgência

Dificuldade em urinar ou em controlar a urina e as fezes, dormência na zona genital e da sela do assento, ou fraqueza rapidamente progressiva nas duas pernas. Este conjunto de sinais pode indicar compressão grave e exige avaliação imediata no hospital.

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Também exigem avaliação rápida a dor que surge após queda ou traumatismo, febre associada, história de cancro e dor nocturna intensa que não alivia em nenhuma posição.

Repouso não é tratamento

Durante décadas recomendou-se ficar de cama. Hoje sabe-se que a imobilidade prolongada atrasa a recuperação. O que se recomenda é manter a actividade possível, evitando apenas o que agrava muito, e voltar às rotinas de forma progressiva.

Caminhar curtas distâncias várias vezes ao dia costuma ser melhor tolerado do que estar sentado.

O que ajuda nas primeiras semanas

Analgesia adequada, prescrita pelo médico, que pode incluir paracetamol, anti-inflamatórios por períodos curtos e, em alguns casos, relaxantes musculares ou fármacos para dor neuropática.

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Calor local costuma aliviar a contractura muscular associada. Dormir de lado com uma almofada entre os joelhos, ou de costas com almofada debaixo dos joelhos, reduz a tensão na coluna.

Fisioterapia e exercício

A partir da fase aguda, o trabalho de mobilidade, alongamento e reforço do core e dos glúteos é o que mais reduz recaídas. Programas bem orientados, mantidos ao longo de meses, valem mais do que qualquer tratamento pontual.

Quando se opera

A grande maioria dos casos melhora sem cirurgia em seis a doze semanas. A cirurgia reserva-se para dor incapacitante que não cede ao tratamento conservador, para défices neurológicos progressivos e para as situações de urgência já referidas.

Antes de decidir, vale a pena lembrar que o exame de imagem mostra frequentemente hérnias em pessoas sem qualquer dor. O que se trata é o doente, não a ressonância.

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Voltar ao trabalho e à vida

Quem tem actividade que obriga a estar muito tempo sentado deve levantar-se de hora a hora e ajustar a altura da cadeira e do ecrã. Em quem levanta pesos, a técnica conta: dobrar os joelhos, manter a carga junto ao corpo e não rodar o tronco com peso nas mãos.

O que dizem as imagens

Cerca de metade das pessoas sem qualquer dor tem alterações discais na ressonância. Por isso, o exame serve para responder a perguntas concretas, e não para confirmar que existe um problema. Pedir ressonância a toda a gente com dor lombar não melhora os resultados e aumenta as cirurgias desnecessárias.

A decisão de operar baseia-se na clínica, na duração dos sintomas e na resposta ao tratamento, e não apenas na imagem.