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Muda a idade, muda o que comemos

Muda a idade, muda o que comemos
Forever Young

Existe a ideia de que desde que tenhamos uma alimentação cuidada para manter o peso ideal e façamos algum exercício físico, não teremos preocupações de maior após os 50 anos.

É verdade que cultivar um estilo de vida saudável desde cedo é fundamental, mas é importante ter em conta as alterações hormonais que ocorrem nesta faixa etária, visto que elas têm um impacto profundo nas exigências nutricionais do corpo para se manter saudável.

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Além da diminuição das hormonas progesterona e estrogénio nas mulheres, bem como de androgénio nos homens, existe um decréscimo do
metabolismo basal, ou seja, a quantidade de calorias que o corpo gasta para sobreviver. Isto significa que uma pessoa com mais de 50 anos
precisa de mais proteína do que uma de 25 para manter o mesmo índice de massa muscular.

Outro fator muito importante a ter em conta nesta idade é a perda de densidade óssea, o que reforça a necessidade de proteína, mas também de cálcio e vitamina D. As exigências nutricionais destes dois últimos podem ser satisfeitas exclusivamente através da dieta, o que torna fundamental incluir nos hábitos alimentares legumes, frutas, lacticínios e cereais.

Gordura saudável

Apesar da má fama que tem, a gordura é importante para o corpo e tem diversas funções, como fornecer energia, regular a mielina (substância lipídica  que reveste as fibras nervosas e ajuda a conduzir impulsos nervosos) e controlar o colesterol. Entre outros benefícios, a “boa” gordura, ou gordura insaturada, ajuda a prevenir doenças do coração e hipertensão.

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Este tipo de gordura pode ser encontrada em alimentos como o azeite, o óleo de amendoim, a amêndoa, o abacate e os peixes gordos como o salmão, a sardinha e a cavala. Mas convém não abusar: o consumo diário de gordura não deve ultrapassar os 30% da ingestão total de calorias.

Se a gordura insaturada é benéfica para a saúde, outras há (gorduras saturadas e trans) que têm os efeitos contrários e podem aumentar o risco de AVC, enfarte do miocárdio e hipertensão. É por isso recomendado controlar a ingestão de carnes vermelhas e brancas, leite gordo, manteiga, natas e queijos (gorduras saturadas), ao mesmo tempo que se reduz significativamente ou elimina o consumo de margarinas, bolachas, biscoitos, fritos, folhados e grande parte dos alimentos processados.

Fontes de proteína

A ingestão de fontes de proteína é essencial durante toda a vida, mas ainda mais depois dos 50 anos, dada a perda natural de massa muscular que ocorre devido às transformações hormonais. As principais fontes de proteína são a carne, o peixe e os ovos, mas este nutriente também pode ser encontrado em alguns alimentos de origem vegetal.

Devem ser ingeridas nas refeições principais do dia (pequeno-almoço, almoço e jantar) e podem ser encontradas em peito de frango e peru, salmão, sardinha, soja, aveia, manteiga de amendoim, ervilhas, amêndoas, brócolis, feijão, grãos e leite, entre outros alimentos.

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Apesar de essenciais, as proteínas devem ser ingeridas com frequência, mas sem exagerar: uma boa regra é acompanhar sempre com legumes e hortícolas e olhar para a carne como a guarnição e não o elemento principal no prato.

Outras opções saudáveis no que diz respeito à ingestão de proteínas são o iogurte grego natural e as lentilhas que ajudam também a reduzir o “mau” colesterol (LDL).

Frutas, legumes e água

Não é novidade para ninguém que uma boa alimentação não pode deixar de fora as frutas e os legumes, fontes riquíssimas de vitaminas, antioxidantes, hidratos de carbono e fibras. Ideais para reforçar o sistema imunitário, estes alimentos trazem inúmeros benefícios à saúde em qualquer idade, contribuindo ainda para a regulação do trânsito intestinal e o controlo do “mau” colesterol, entre outras funções.

Outro nutriente importantíssimo e muitas vezes injustamente esquecido é a água. 16,3% dos participantes do estudo do projeto Nutrition Up 65, da FCNAUP, foram declarados hipohidratados ou em risco de hipohidratação. Beber água na dosagem certa é de uma importância vital e um cuidado extra a ter a partir dos 50, visto que a sensação de sede tende a atenuar-se.

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Truques para comer melhor

  • Faça seis ou sete pequenas refeições por dia. Ficar muitas horas sem comer faz com que tenha demasiado apetite a cada refeição e acabe por comer muito e mal.
  • Beba água ao longo do dia e não apenas às refeições.
  • Evite o álcool e modere a cafeína.
  • Ingira mais proteína para aumentar a massa muscular, cálcio para prevenir a osteoporose e magnésio para os ossos.
  • Inclua gelatina na sua dieta. Além de ter uma grande percentagem de água, a gelatina contém colagénio que beneficia a pele e as articulações.

Sinais de desnutrição

14,8% dos participantes do estudo Nutrition Up 65 apresentaram risco de desnutrição e 1,3% estavam, efetivamente, desnutridos. Esta é uma condição que pode ocorrer no caso de falta de nutrientes, seja por não se comer o suficiente ou por se ter uma alimentação pouco saudável.

Os sintomas podem ser subtis e comuns a outras doenças, pelo que são, muitas vezes, ignorados. Fraqueza, perdas de memória, fraturas ou infeções frequentes e sangramento das gengivas são alguns dos sinais que indicam deficiências de nutrição.

Nestes casos é recomendada uma dieta de alta densidade nutricional, aliada a atividade física, para combater a fadiga. Poderá, por exemplo, melhorar a memória com vitamina B12; o cálcio e a vitamina D aumentam a densidade óssea; o ferro e a vitamina C resolvem o problema de sangramento das gengivas.

No que diz respeito à alimentação, pequenas alterações de hábitos podem ter resultados surpreendentes. Se substituir alimentos açucarados como bolos ou bolachas entre refeições por fruta, preferencialmente com pele, já estará a fazer pela sua saúde.

O consumo de fibras é outro hábito a aprender e os ganhos são importantes: regulação do trânsito intestinal e dos níveis de colesterol, redução do risco de doença cardíaca e controlo do peso.

O sal deve ser muito bem doseado, principalmente depois dos 50 anos. A sua utilização deve ser restrita e tão pouco frequente quanto possível, havendo algumas alternativas mais saudáveis que poderá considerar, como ervas aromáticas, por exemplo.

Se gostar de chocolate, opte sempre pelo amargo, com a maior percentagem possível de cacau. Um quadrado por dia tem efeitos benéficos para o coração.