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Asma depois dos 60: existe, é frequente e é mal tratada

Asma depois dos 60: existe, é frequente e é mal tratada
Fernanda M. Reis

Muita gente pensa que a asma é coisa de crianças. Pode aparecer em qualquer idade e, no adulto mais velho, confunde-se facilmente com problemas de coração.

A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que pode surgir na infância e persistir, ou aparecer pela primeira vez já em idade adulta, incluindo depois dos 60 anos.

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Como se manifesta

Pieira, aperto no peito, tosse seca e falta de ar, com uma característica importante: os sintomas variam ao longo do tempo e da intensidade, e agravam tipicamente de noite ou de madrugada.

Há factores desencadeantes reconhecíveis: infecções respiratórias, exercício, ar frio, fumo, poeiras, ácaros, pêlo de animais, pólenes e alguns medicamentos, com destaque para a aspirina e os anti-inflamatórios em pessoas sensíveis.

O problema do diagnóstico tardio

No adulto mais velho, os sintomas são frequentemente atribuídos à idade, ao coração ou à DPOC. A confusão com insuficiência cardíaca é particularmente comum, porque ambas dão falta de ar nocturna.

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Por isso, o diagnóstico exige provas: espirometria com prova de broncodilatação, que mostra a reversibilidade da obstrução, e avaliação clínica cuidadosa.

Asma e DPOC não são a mesma coisa

Na asma, a obstrução é variável e reversível; na DPOC, é persistente e progressiva. A asma associa-se a história de alergia e a sintomas desde mais cedo; a DPOC associa-se sobretudo ao tabaco. Há doentes que têm características das duas, uma situação reconhecida e que exige tratamento específico.

O tratamento

A base é o corticoide inalado, que trata a inflamação, associado a broncodilatador conforme o esquema definido. O inalador de alívio, usado isoladamente e com frequência, não trata a doença e o seu uso excessivo é um sinal de mau controlo.

Um doente bem controlado usa pouco o inalador de alívio, dorme sem sintomas e não limita a actividade.

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A técnica é metade do tratamento

Estudos sucessivos mostram que a maioria dos doentes usa mal o inalador. Em pessoas com artrose nas mãos ou com dificuldade de coordenação, as câmaras expansoras resolvem grande parte do problema e devem ser prescritas sem hesitação.

Depois de usar corticoide inalado, deve bochechar-se a boca com água, para evitar infecções orais e rouquidão.

Cuidados adicionais em casa

Reduzir ácaros com roupa de cama lavada a alta temperatura, evitar fumo em espaços fechados, tratar a humidade e o bolor, e vacinar-se contra a gripe todos os anos.

Quando é urgente

Falta de ar que não alivia com o inalador de alívio, dificuldade em falar frases completas, lábios ou dedos azulados, sonolência ou confusão. São sinais de crise grave e exigem o 112.

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Ter um plano de acção escrito, com o que fazer em caso de agravamento, é das medidas mais eficazes e das menos utilizadas.

Quando a asma aparece tarde

A asma de início tardio é frequentemente não alérgica, tende a ser mais persistente e responde pior ao tratamento habitual, exigindo doses mais elevadas ou fármacos adicionais. Por isso, não deve ser gerida apenas com o inalador de alívio.

Uma avaliação em consulta de pneumologia é justificada quando os sintomas persistem apesar de tratamento correctamente cumprido.

E não deixe de fazer exercício por causa da asma. Com a doença controlada e, se necessário, com inalador de alívio antes do esforço, a actividade física é recomendada e melhora a capacidade respiratória.