Na diabetes tipo 2, chega frequentemente um momento em que os comprimidos deixam de ser suficientes e o médico propõe insulina. A reacção mais comum é pedir mais tempo.
Não é um castigo nem um fim de linha
A diabetes tipo 2 é uma doença progressiva: com o tempo, o pâncreas produz menos insulina. Precisar de insulina não significa que se portou mal, significa que a doença avançou, como acontece na maioria dos doentes ao fim de alguns anos.
Adiar tem custos concretos: anos com açúcar alto traduzem-se em lesões nos olhos, nos rins, nos nervos e nos vasos.
A agulha
É o receio número um e o que se desfaz na primeira administração. As agulhas actuais das canetas são muito finas e curtas, aplicam-se na gordura subcutânea da barriga, coxa ou braço, e a maioria das pessoas descreve a sensação como quase nula.
Quem faz medições de glicemia já está habituado a picar o dedo, o que costuma doer mais do que a injecção.
Como se administra
Com caneta pré-cheia, que marca a dose numa roda e dispara com um botão. Deve fazer-se rotação dos locais de injecção, mudando de sítio de cada vez, para evitar a formação de nódulos de gordura que alteram a absorção.
A agulha deve ser substituída em cada administração, e nunca partilhada.
Conservação
As canetas por abrir guardam-se no frigorífico, entre 2 e 8 graus, nunca no congelador nem na porta. Depois de abertas, mantêm-se à temperatura ambiente durante o período indicado na embalagem, tipicamente algumas semanas, e não devem apanhar sol nem calor.
Em viagem, transporte sempre na bagagem de mão, em bolsa térmica, nunca no porão.
A hipoglicemia
É o efeito adverso que exige atenção e educação. Deve conhecer os sintomas, andar sempre com açúcar de absorção rápida e saber a regra de tratamento. Quem vive acompanhado deve ensinar a família a reconhecer os sinais.
Em pessoas mais velhas, os objectivos de controlo são habitualmente menos apertados, precisamente para reduzir o risco de baixas de açúcar.
Não substitui o resto
A insulina não dispensa a alimentação cuidada nem o exercício. Continua a ser preciso vigiar o peso, porque a insulina favorece o seu aumento, e manter a actividade física, que melhora a sensibilidade à insulina e permite doses mais baixas.
Uma conversa que vale a pena ter
Se tem receio, diga-o ao médico ou ao enfermeiro em vez de adiar a consulta. Existem consultas de ensino de diabetes, onde se aprende a técnica com calma e se experimenta com soro antes de usar insulina a sério.
Conduzir e trabalhar
Quem faz insulina deve medir a glicemia antes de conduzir, sobretudo em viagens longas, e levar sempre açúcar no carro. As regras para carta de condução em diabéticos tratados com insulina existem e implicam avaliação médica periódica.
No trabalho, informar alguém de confiança sobre o que fazer numa hipoglicemia é uma medida simples de segurança.
Uma nota final: guarde sempre uma caneta suplente e agulhas em casa e, se viajar, leve o dobro do que precisa. Ficar sem insulina num fim-de-semana prolongado é um problema evitável.











