As quedas são a principal causa de internamento por acidente depois dos 65 anos, e uma parte considerável acontece dentro de casa, em pisos conhecidos e em situações banais. O calçado é um dos factores mais fáceis de corrigir e um dos mais negligenciados.
A sola
Deve ser de borracha, com relevo, e fina o suficiente para permitir sentir o chão. Solas muito grossas e macias, do tipo que dá sensação de almofada, reduzem a percepção do piso e aumentam a instabilidade. Solas de couro liso escorregam em soalho e em pavimento molhado.
Verifique o desgaste: uma sola gasta na zona do calcanhar deixa de agarrar e é motivo suficiente para substituir o sapato, ainda que a parte de cima esteja impecável.
O apoio do calcanhar
A parte de trás do sapato, o contraforte, deve ser firme. Se ao apertar com os dedos se dobra facilmente, não segura o pé. É este apoio que impede o tornozelo de rodar ao pisar uma irregularidade.
O salto
O ideal ronda os dois a três centímetros, com base larga. Saltos altos deslocam o centro de gravidade para a frente; a ausência total de salto, como em sapatilhas muito planas, também não é ideal para quem já tem alterações do pé. Largo e baixo é a combinação segura.
O fecho
Atacadores, velcro ou fivela permitem ajustar o sapato ao pé, e isso importa mais do que parece: um sapato que baloiça obriga a compensações na marcha. O velcro é uma boa solução para quem tem dificuldade em baixar-se ou artrose nas mãos. Calçadeira de cabo comprido evita ter de curvar para calçar, outro momento de risco.
Os chinelos de casa
São responsáveis por muitas quedas domésticas. Os que se seguram apenas pelos dedos, sem parte de trás, obrigam a arrastar o pé e prendem em tapetes e soleiras. Prefira chinelos fechados atrás, com sola antiderrapante e fecho ajustável.
Andar descalço ou apenas de meias em soalho e mosaico é igualmente arriscado. Se preferir não usar calçado em casa, opte por meias com sola antiderrapante.
Na hora de comprar
Experimente ao fim da tarde, quando o pé está mais inchado, e com as meias que usa habitualmente. Deve sobrar cerca de um centímetro à frente do dedo maior. Caminhe pela loja e sinta se o pé desliza para a frente ao descer uma rampa.
Quem tem diabetes, neuropatia, deformações do pé ou usa palmilhas prescritas deve escolher com aconselhamento, porque nestes casos o calçado é parte do tratamento e não apenas uma questão de conforto.
Não é só o sapato
Tapetes soltos, fios no chão, iluminação fraca nos corredores e ausência de apoios na casa de banho continuam a ser os grandes responsáveis. Rever a medicação com o médico, verificar a visão uma vez por ano e manter força nas pernas com exercício regular completam a prevenção.
Palmilhas e ajustes
Com a idade, o pé alarga, o arco desce e as almofadas de gordura da planta tornam-se mais finas, o que explica que o número de sapato mude ao longo da vida. Meça os pés de vez em quando, e compre pelo pé maior, porque raramente são iguais.
Palmilhas de amortecimento simples resolvem muitos desconfortos, mas em casos de deformações, joanetes ou dores persistentes, a avaliação por podologista ou ortopedista evita comprar vários pares inúteis.











