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Cozinhar com os netos: cinco receitas e as regras que evitam sustos

Cozinhar com os netos: cinco receitas e as regras que evitam sustos
Georgia Gonçalves

É das melhores formas de passar uma tarde juntos e de transmitir aquilo que não está escrito em lado nenhum. Com algumas regras, resulta a qualquer idade.

Não há actividade que junte tanta coisa: passa-se tempo juntos, aprende-se, come-se no fim e ficam histórias. E, ao contrário de quase tudo o que se faz com crianças hoje, não envolve ecrãs.

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O que cada idade pode fazer

Dos 3 aos 5 anos: lavar fruta e legumes, mexer massas em tigela, deitar ingredientes já medidos, amassar com as mãos, dispor bolachas no tabuleiro e pincelar com ovo. Tudo sentado à mesa, e não ao pé do lume.

Dos 6 aos 9: medir ingredientes, partir ovos, bater com batedeira de varas sob vigilância, descascar com descascador, cortar alimentos macios com faca de plástico ou de manteiga, ler a receita em voz alta.

A partir dos 10: usar faca com supervisão, mexer ao lume, ligar e vigiar o forno, e assumir uma receita do princípio ao fim, que é o que mais orgulho lhes dá.

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Regras que evitam acidentes

Cabos das panelas sempre virados para dentro. Bancos estáveis e antiderrapantes, nunca cadeiras com rodas. Mãos lavadas no início e sempre que se toca em ovo cru ou carne. Panos e luvas de forno à mão, e a regra de que só um adulto abre o forno.

Não provar massas com ovo cru, por causa do risco de salmonelas, e explicar porquê, o que já faz parte da aprendizagem.

Cinco receitas que resultam sempre

Bolachas de manteiga com cortadores, porque a parte de cortar formas é a preferida de todas as idades. Pizza caseira com base comprada e cada um a montar a sua. Bolo de iogurte, em que o copo serve de medida e ensina proporções. Espetadas de fruta com chocolate derretido. E pão de forma em pequenas bolinhas, para brincar com a massa.

Deixar sujar

É a parte mais difícil para quem tem a cozinha arrumada há quarenta anos. Mas uma tarde destas com farinha pelo chão vale mais do que uma cozinha impecável e uma criança à frente do tablet. Um avental, um jornal estendido na mesa e a aceitação prévia do caos resolvem o essencial.

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O que fica além da comida

Estas tardes são também o momento em que se contam coisas: como era a cozinha da sua mãe, o que se comia em dias de festa, porque é que aquela travessa é importante. São conversas que raramente acontecem à mesa e que aparecem naturalmente quando as mãos estão ocupadas.

Escrever a receita à mão, num cartão, e dar à criança no fim é um gesto pequeno que costuma ficar guardado durante décadas.

Se houver alergias

Confirme sempre com os pais antes, sobretudo em relação a frutos secos, ovo, leite e glúten. E, havendo alergia em casa, não é só evitar o ingrediente: é usar utensílios e superfícies limpos, porque a contaminação cruzada é suficiente para causar reacção.

Quando eles não querem

Se a criança se desinteressa a meio, não insista. Dez minutos a mexer a massa já contam, e a próxima vez corre melhor se esta não acabou em discussão. Deixar escolher a receita, entre duas ou três hipóteses, resolve boa parte da resistência.

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