Partilhar

Opinião: É preciso alertar para a consciencialização da escoliose

Artigo de Opinião de Nelson Carvalho, Cirurgião de Coluna (Ortopedista); Diretor do Centro de Responsabilidade Integrada de Coluna do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (Cri Coluna do CHULC); Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa da Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV)

14 Junho 2023
Sandra M. Pinto

A escoliose idiopática do adolescente (EIA) é uma patologia que afeta entre 2 a 4 por cento da população mundial. É caracterizada por uma inclinação lateral da espinha dorsal, com rotação das vértebras.

Por Artigo de Opinião de Nelson Carvalho, Cirurgião de Coluna (Ortopedista); Diretor do Centro de Responsabilidade Integrada de Coluna do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (Cri Coluna do CHULC); Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa da Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV)

 

Apesar de ser mais notório o desvio da coluna para um dos lados, a escoliose é uma deformidade tridimensional da coluna, com rotação e desvio em vários planos. A EIA é mais frequente entre o sexo feminino, sobretudo antes da primeira menstruação. Apesar de os rapazes também poderem vir a desenvolver esta patologia, a ocorrência é bem menos frequente.

Ainda que, na maioria dos casos, a causa seja idiopática (que significa de causa desconhecida, embora saibamos que terá a ver com um determinismo genético ainda não identificado), pode ter outras causas como neurológicas, congénitas, do tecido conjuntivo e outras. A escoliose idiopática pode ainda ser infantil (< 3 anos), juvenil (3 – 10 anos) e do adulto e pode ainda ser “de novo” em adultos habitualmente na 5ª década que não sofriam desta patologia

Na EIA há quem acredite que o peso das malas e mochilas pode potenciar o surgimento desta patologia, o que é errado. O transporte de mochilas e malas, ainda que possam aumentar a quantidade de stress na coluna vertebral, devido ao peso excessivo, a utilização das mesmas não é o principal fator de desenvolvimento de escoliose. O máximo que pode acontecer é que a dor sentida aumente. Vários estudos comparativos entre crianças que usam mochila em apenas um ombro com as que não usam mochila, revelaram que a incidência de escoliose é igual em ambas.

No entanto, pode sim existir uma relação entre o peso das malas e algumas alterações de postura. Por forma a que não haja um comprometimento da coluna, recomenda-se que o peso carregado não ultrapasse 10 por cento do peso corporal.

Os principais sinais de alerta são os ombros a alturas diferentes, um lado da anca mais levantado do que o outro, inclinação do corpo para um dos lados e proeminência da grelha costal (gibosidade ou bossa torácica) ao fletir a coluna para a frente. Por vezes, a escoliose pode ser facilmente confundida com a desigualdade do comprimento das pernas, sendo estes casos uma das causas de atitude escoliótica e não escoliose, na qual temos para além da curvatura da coluna uma rotação das vértebras.

As escolioses que apresentam entre 20-25 graus (Ângulo de Cobb) apenas necessitam de vigilância regular até à conclusão do crescimento da coluna vertebral. Porém, quando a curvatura é entre 20-25 e 40-45 graus,

pode ser recomendada a utilização de um colete para impedir que a curva se agrave. As curvas maiores têm habitualmente indicação cirúrgica.

Relativamente ao tratamento da escoliose, este deve ser personalizado e individualizado, consoante a gravidade da situação. O problema mais importante relacionado com a escoliose é a progressão da deformidade e os efeitos colaterais resultantes, como distúrbios respiratórios e dor.

A fisioterapia, osteopatia, exercícios de alongamento ou reforço das cadeias musculares, não têm validação científica quanto à correção da curva. São, contudo, importantes quando pensamos em atitudes escolióticas e correções posturais, o que é diferente das verdadeiras escolioses. Nestas, para além da inclinação lateral do tronco temos ao mesmo tempo a rotação da coluna no seu eixo vertical, que corresponde clinicamente ao aparecimento da gibosidade ou bossa torácica dorsal.

As ortóteses, recomendadas entre os 20-40 graus, têm como principal objetivo que a curva não progrida com o crescimento da adolescência. Podem ser de vários tipos, sendo os mais comuns os coletes de Boston, Providence e Charleston. Os dois primeiros são habitualmente usados 23 horas por dia, podendo em alguns casos aplicar-se o colete de Charleston apenas durante o período noturno.

Na EIA apenas é aconselhada a cirurgia nos casos graves, com curvas superiores a 40-45º, recorrendo-se a anestesia geral e a um período de internamento que varia entre quatro a sete dias. É uma cirurgia que se realiza habitualmente com monitorização neurológica, sendo colocado no paciente uns implantes em titânio que permitem a correção da deformidade em 70 a 80% do ângulo pré-operatório. No início da 4ª semana da data da cirurgia podem retomar as suas atividades escolares, recomendando-se atividades físicas sem contacto físico a partir das 6 semanas e sem restrições do desporto escolar a partir dos 4 meses.

Os outros tipos de escoliose, que não a EIA, têm tratamentos específicos caso a caso, necessitando de um tratamento personalizado a ser encetado por um especialista da área (Ortopedista/Fisiatra).

Mais Recentes

Estudo publicado na revista Nature revela impacto oculto das atividades humanas na natureza

há 6 horas

IRS: novo simulador fiscal permite simular a melhor forma de maximizar reembolso

há 8 horas

Deixe-se levar pela magia da Páscoa no Sheraton Cascais Resort

há 8 horas

Celebre a Páscoa com uma escapadinha em família

há 9 horas

Regule os níveis de açúcar incluindo este alimento (com moderação) nas suas refeições

há 9 horas

Evite os picos de ansiedade pela manhã: coma isto ao pequeno-almoço

há 10 horas

Olhe bem para as suas pernas: podem revelar que está com colesterol alto

há 10 horas

Descubra uma pessoa má em minutos: basta aplicar estes ensinamentos

há 10 horas

«Se quer retardar o o envelhecimento até 30 anos estes 3 alimentos são essenciais», alerta especialista em longevidade de Harvard

há 11 horas

Esqueça tudo o que julga saber sobre envelhecimento: há duas datas a que tem de tomar atenção

há 11 horas

Especialista alerta: «é urgente eliminar imediatamente o óleo destes enlatados; têm 10 vezes mais mercúrio»

há 11 horas

Se tem mais de 50 anos saiba que estas são as 7 doenças mais comuns

há 12 horas

É o verdadeiro “assassino” do mau colesterol: encontre-o escondido por entre os alimentos

há 12 horas

O Sol da Caparica revela o alinhamento completo da 10.ª edição

há 14 horas

Lisboa está agora mais perto de Porto alegre e a “culpada” é só uma

há 14 horas

Com uma depressão a chegar importa saber: como proteger o automóvel de uma chuva de granizo

há 15 horas

Arritmias cardíacas: especialista explica (e alerta) sobre condição que levou ao internamento de Luís Montenegro

há 15 horas

Opinião: «Atividade física e saúde da coluna – um caminho para o bem-estar», Jorge Alves, Cirurgião de Coluna

há 16 horas

À atenção de pais e avós: lições retiradas da série “Adolescência” alertam sobre os riscos digitais para os jovens

há 16 horas

Mexa-se: a importância da atividade física para a saúde

há 16 horas

Subscreva à Newsletter

Receba as mais recentes novidades e dicas, artigos que inspiram e entrevistas exclusivas diretamente no seu email.

A sua informação está protegida por nós. Leia a nossa política de privacidade.