Com a chegada dos e-books, muitos acreditaram que os livros impressos desapareceriam rapidamente. As promessas de bibliotecas digitais infinitas e de acesso imediato a qualquer obra pareciam anunciar o fim do papel. No entanto, mais de duas décadas depois do crescimento da leitura digital, os livros físicos continuam firmes, resistindo a previsões apocalípticas. Para um grande número de leitores, nada substitui a experiência de folhear páginas, sentir o peso de um volume nas mãos ou apreciar o cheiro característico que apenas o papel oferece.
Essa ligação prende-se, antes de mais, à dimensão sensorial da leitura. O contacto físico com as páginas cria uma relação emocional difícil de reproduzir num ecrã. Ler em papel convida a um ritmo mais pausado, sem as notificações e as luzes dos dispositivos eletrónicos, permitindo mergulhar no texto com menos distrações. A durabilidade também conta: um livro bem cuidado pode atravessar gerações, ser oferecido, emprestado ou guardado como recordação de um momento especial. Há ainda o valor estético — bibliotecas pessoais continuam a ser expressão de identidade cultural e intelectual, um reflexo dos interesses e memórias de quem as constrói.
Os números confirmam esta vitalidade. Em Portugal, as vendas de livros impressos mantêm-se estáveis e algumas categorias, como edições especiais e colecionáveis, registam até um interesse crescente. Ao mesmo tempo, os e-books conquistaram o seu espaço, sobretudo pela conveniência: cabem num único dispositivo, são ideais para viagens e permitem acesso imediato a milhares de títulos. Longe de se excluírem, papel e digital complementam-se, respondendo a diferentes contextos e preferências.
O livro impresso, portanto, não é apenas um suporte de leitura. É um objeto que transporta história, cultura e afetos. A sua permanência mostra que, mesmo numa era marcada pela tecnologia, continuamos a valorizar o que é tangível, duradouro e capaz de criar laços afetivos. Mais do que um rival do digital, o papel afirma-se como um companheiro intemporal, lembrando-nos que certas experiências resistem ao tempo e às modas.










