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Qual a relação entre as alergias sazonais e a nutrição?

Costuma ter alergias principalmente na primavera? Sabia que existem alimentos que eventualmente podem reduzir os sintomas? Descubra quais são.

12 Maio 2021
Forever Young

Por Bruna Silva, Nutricionista Holmes Place

Costuma ter alergias principalmente na primavera? Sabia que existem alimentos que eventualmente podem reduzir os sintomas? Descubra quais são.

A “Alergia” é definida como uma reação de hipersensibilidade mediada por anticorpos específicos (anticorpos IgE) ou células mediadas por mecanismos imunológicos. Esta representa uma resposta imune desregulada e exagerada a múltiplos alergénios – substâncias estranhas e inofensivas ao organismo – normalmente presentes tanto no ambiente (ex: ácaros, pólen) como em alimentos (ex: leite, ovos, frutos secos, trigo), procurando eliminá-las do nosso organismo.

Os pólenes são dos alergénios do ambiente exterior que mais induzem sintomas de doença alérgica, sendo que o vento, as temperaturas elevadas e o tempo seco são as principais condições climatéricas responsáveis pela maior severidade dos sintomas. Assim, não é de estranhar que, em Portugal, nos meses entre abril e julho, em plena Primavera, haja um pico deste tipo de reações, sendo os sintomas menos simpáticos os espirros, o nariz a pingar, os olhos vermelhos, a tosse e comichão na pele.

Nas últimas décadas tem-se verificado um aumento da incidência e prevalência desta doença, e, apesar dos mecanismos responsáveis por este acontecimento não serem totalmente compreendidos, sabe-se que há uma interação entre fatores genéticos, fatores ambientais e a flora intestinal. A evidência atual parece apontar para o forte impacto do estilo de vida “Ocidentalizado” nas doenças alérgicas, sobretudo através da composição nutricional dos alimentos e dos hábitos alimentares. A dieta “ocidentalizada” caracteriza-se por um elevado consumo de açúcares refinados, gordura e sal e uma redução da ingestão de fruta fresca, legumes, peixe fresco e produtos fermentados.

Como “controlar” as alergias?

O controlo das alergias depende da identificação dos alergénios, de modo a evitar o mais possível a exposição aos mesmos, de terapêutica farmacológica, como corticosteroides e anti-histamínicos, e de imunoterapia, conhecida como vacina para as alergias. Contudo, também algumas abordagens dietéticas se têm demonstrado promissoras na prevenção e/ou minimização dos efeitos das alergias e, sobretudo, da sintomatologia já referida.

Dos componentes nutricionais que têm demonstrado benefícios nas alergias sazonais destacam-se aqueles com características antioxidantes, anti-inflamatórias e moduladoras da flora intestinal:

1. Polifenóis

Polifenóis | Alergias Sazonais | Holmes Place

Os polifenóis são compostos bioativos que podem influenciar o desenvolvimento da resposta alérgica em dois momentos críticos: durante a sensibilização alérgica e após a exposição ao alergénio. Estes compostos possuem propriedades anti-inflamatórias, antialérgicas, antioxidantes e anti-hipersecretoras (reduzem a secreção de muco). Alguns dos alimentos ricos nestes compostos são os frutos vermelhos (ex: morangos, framboesas, mirtilos, etc), maçãs, cebolas vermelhas, uvas e vegetais de folha verde. 

2. Probióticos

Probióticos | Alergias Sazonais | Holmes Place

Os probióticos são bactérias benéficas que melhoram a absorção de nutrientes e fortalecem o sistema imunitário. Apesar de não haver evidência sólida para a recomendação de probióticos na doença alérgica, estes podem alterar a flora intestinal e, consequentemente, moldar a resposta do sistema imunitário. Os alimentos fermentados são as principais fontes de probióticos.

3. Ácidos gordos poliinsaturados ómega 3

Ácidos gordos | Alergias Sazonais | Holmes Place

Os ácidos gordos poliinsaturados são um tipo de gordura, geralmente apelidada de “gordura boa”, uma vez que têm demonstrado possuir propriedades anti-inflamatórias. As suas principais fontes alimentares de alimentos de origem vegetal, como sementes (ex: linhaça), frutos oleaginosos no geral (ex: noz pecan) e algas, embora a quantidade seja menor em relação aos alimentos de origem animal.

4. Vitaminas e minerais antioxidantes

Vitaminas e minerais | Alergias Sazonais | Holmes Place

No geral, as vitaminas e os minerais são encontrados nas frutas e vegetais frescos e, por isso, uma alimentação adequada rica nestes produtos pode inibir, evitar ou mesmo reverter cadeias de eventos da doença respiratória alérgica. As principais vitaminas com propriedades antioxidantes são a vitamina A, que pode ser encontrada, por exemplo, na cenoura; a vitamina C, que pode ser encontrada nos citrinos, como a laranja e o limão, no kiwi, entre outros; e a vitamina E, presente em frutos oleaginosos como a amêndoa e a avelã. Os principais minerais com propriedades antioxidantes são o selénio, presente no feijão, entre outros; o zinco, que pode ser encontrado também no feijão, nas sementes de linhaça, no amendoim, na castanha de caju, e o cobre, que pode ser encontrado, por exemplo, no chocolate e na linhaça.

Podemos, desta forma, concluir que apesar de a evidência atual não ser suficiente para promover recomendações específicas quanto a quantidades que possam evitar e/ou prevenir estas doenças, é possível afirmar que uma ingestão ajustada às doses diárias recomendadas de todos os nutrientes acima referidos é fundamental para todos, sobretudo para os que sofrem nesta altura particular do ano com alergias, devendo recorrer à suplementação caso a alimentação não forneça as quantidades necessárias.

Referências Bibliográficas:

Pipinić IS, Macan J, Kanceljak-Macan B. Significance of nutrition in respiratory allergic diseases: A review of scientific knowledge. Period Biol. 2009;111(1):41–9.

Singh A, Holvoet S, Mercenier A. Dietary polyphenols in the prevention and treatment of allergic diseases. Clin Exp Allergy. 2011;41(10):1346–59.

Kalliomäki M, Antoine JM, Herz U, Rijkers GT, Wells JM, Mercenier A. Guidance for substantiating the evidence for beneficial effects of probiotics: Prevention and management of allergic diseases by probiotics. J Nutr. 2010;140(3):713–21.

 

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