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“Love Bombing”: «Quando o excesso de amor é uma armadilha», Alberto Lopes, neuropsicólogo/hipnoterapeuta

Artigo de Alberto Lopes, Neuropsicólogo/Hipnoterapeuta das Clínicas Dr. Alberto Lopes

20 Junho 2024
Forever Young

O que é o “Love bombing”? O conceito “love bombing” inicialmente surgiu na década de 1970, pelos membros de uma igreja evangélica, conhecida como os Moonies, que usavam essa prática como uma forma de atrair e manter novos adeptos. Dessa forma, o conceito tem sido amplamente adotado para descrever uma forma de manipulação emocional que aparece em diversos tipos de relacionamentos, incluindo relações amorosas, onde uma das partes sobrecarrega a outra com gestos de afeto exagerados no início do relacionamento. Este comportamento tem geralmente a intenção de ganhar controle emocional sobre a outra pessoa, fazendo-a se sentir muito especial e amada no início, mas muitas vezes esta estratégia é usada para manipular e controlar.

Infelizmente, convém estar alerta sobre este comportamento manifestamente exagerado, pois pode esconder segundas intenções. O encanto do início de um relacionamento pode, por vezes, esconder motivações obscuras, especialmente quando se entrelaça com o comportamento de um narcisista perverso. Este tipo de pessoa, mestre em manipulação, utiliza frequentemente a técnica do “love bombing” como um portal para seus jogos de poder, encaixando-se perfeitamente no perfil psicológico do narcisista. Vale a pena recordar as três fases de comportamento narcisista: idealização, desvalorização e descarte.

Na fase de idealização, o narcisista apresenta-se como o parceiro dos sonhos. Semelhante ao “love bomber”, ele inunda o seu alvo com gestos exagerados de afeto, promessas de um futuro radiante e declarações de amor eterno. O objetivo é seduzir e encantar a vítima, elevando-a a um pedestal de onde só pode cair com estrondo emocional. Neste estágio, o narcisista é um camaleão do disfarce, e a vítima sente-se especial, amada como nunca, e profundamente ligada ao seu admirador, que parece entender todos os seus desejos e as suas necessidades como ninguém.

Contudo, uma vez que a vítima está firmemente na rede do narcisista, inicia-se a segunda fase: a desvalorização. Aqui, o comportamento do narcisista muda drasticamente. O parceiro antes atencioso torna-se crítico e distante. Pequenos defeitos são amplificados e usados contra a vítima, que é constantemente desestabilizada emocionalmente. Elogios transformam-se em críticas, e o suporte emocional dá lugar a um ciclo de desprezo e humilhação, fazendo com que a vítima duvide do seu próprio valor e pode ficar alienada realidade.

Por fim, chegamos ao estágio de descarte. O narcisista, tendo literalmente drenado a vítima da sua energia e autoestima vital, decide que ela não serve mais aos seus propósitos. Com frieza e às vezes sem qualquer explicação, geralmente ele afasta-se, deixando para trás um rastro de confusão emocional e desgaste psicológico. O parceiro que prometeu o mundo agora retira-se sem olhar para trás, muitas vezes em busca de uma nova vítima para iniciar o ciclo novamente. A faceta mais perversa desse ciclo ocorre quando, ao perceber que a vítima pode estar pronta para seguir a sua vida sem ele, o “love bomber” intensifica o comportamento, redobrando as promessas de amor eterno para reafirmar o seu domínio.

Prestar atenção e identificar os estágios anteriores é fundamental para compreender a dinâmica de uma relação com um narcisista perverso. Use a máxima: “um pedido de desculpa sem mudança de comportamento é manipulação.” Este princípio revela a verdadeira natureza do narcisista perverso, uma pessoa que não se apaixona verdadeiramente, mas sim faz reféns. Ao entender esses padrões, é possível reconhecer os sinais de alerta e proteger-se de ser capturado numa teia de manipulação emocional. Recorde, mais uma vez, o narcisista perverso não se apaixona; ele faz reféns.

Superar uma relação com um “love bomber” é um processo que requer reconhecimento, resiliência e recuperação emocional. Como neuropsicólogo e hipnoterapeuta, reconheço a grande dificuldade que a maioria das pessoas enfrenta, ao tentar se libertar dessas amarras emocionais. No meu mais recente livro “Nem Sempre Faço Sexo, mas Todos os Dias Faço Amor”, abordo uma gama de desafios que podem surgir nos relacionamentos contemporâneos, especialmente aqueles que envolvem formas de manipulação emocional tão subtis quanto destrutivas, e a melhor forma de superar este furacão emocional, que quase sempre deixa marcas profundas nos seus alvos.

Nesse sentido, para reconstruir-se após passar por esta experiência, gostaria de partilhar com o leitor este plano de ação em quatro etapas:

1. Reconhecimento e Aceitação

– Aceite a Realidade: Reconheça que a relação não era saudável.

– Eduque-se: Informe-se sobre o “love bombing”, identificando sinais e comportamentos típicos para compreender as táticas de manipulação.

 

2. Busca de Suporte

– Apoio Pessoal: Partilhe as suas experiências com amigos e família que possam oferecer conforto e perspetiva.

– Apoio Profissional: Procure a assistência de profissionais especializados em abuso emocional para ajudar na recuperação de traumas e na reconstrução da autoestima.

 

3. Cortar Laços

– Desconexão Completa: Elimine todos os pontos de contato com o “love bomber”, incluindo comunicações diretas e presença nas redes sociais.

– Proteção Digital: Ajuste as configurações de privacidade para evitar monitorização e contatos indesejados.

 

4. Autocuidado e Reconstrução

– Reforce o Bem-Estar: Engaje-se em atividades que promovam o seu bem-estar e confiança, como hobbies, exercício físico e meditação.

– Reafirme a sua Autoestima: Participe de workshops, leia livros sobre crescimento pessoal e autoestima para fortalecer a perceção do seu próprio valor.

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