A sua mulher, Betsy Arakawa, de 63 anos, e o cão da família também foram encontrados sem vida. As autoridades informaram que não há indícios de crime, mas a causa das mortes ainda não foi divulgada.
Nascido em 30 de janeiro de 1930, em San Bernardino, Califórnia, Eugene Allen Hackman teve uma carreira que redefiniu o cinema americano. Hackman era um intérprete que conseguia capturar a complexidade dos personagens de forma crua e autêntica, muitas vezes tornando-se no coração do filme sem precisar de exageros.
Hackman transitou com facilidade entre dramas, thrillers policiais, westerns e comédias. O seu estilo de atuação não dependia de maneirismos ou exageros, mas de uma intensidade subtil que dava profundidade a qualquer papel. Ele não interpretava personagens, ele vivia-os.
Mesmo quando não fosse o personagem principal, a sua presença era irresistível. Ele roubava cenas sem esforço, apenas com o olhar, postura e dicção impecáveis. Poucos atores conseguiam esse feito.
• “The French Connection” (1971) – como o detetive Jimmy “Popeye” Doyle, papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator. A sua performance crua e visceral revolucionou o género policial.
• “Os Imperdoáveis” (1992) – no papel do xerife sádico “Little” Bill Daggett, que garantiu seu Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Hackman destacou-se ao lado de Clint Eastwood e Morgan Freeman.
• “O Vigilante” (1974) – interpreta Harry Caul, um especialista em vigilância atormentado por questões morais, numa das atuações mais subtis e brilhantes de sua carreira.
• “Super Homem” (1978) – como o inesquecível Lex Luthor.
• “Mississippi em Chamas” (1988) – como o agente do FBI Rupert Anderson, num dos filmes mais marcantes sobre a luta pelos direitos civis nos EUA.
Hackman foi indicado ao Oscar cinco vezes e venceu duas estatuetas. Além disso, recebeu quatro Globos de Ouro e um prémio BAFTA.
Em 2004, Hackman decidiu reformar-se, quando ainda estava no auge de sua carreira. Ao contrário de outros atores que prolongam as carreiras sem o mesmo impacto, saiu no momento certo, deixando um legado impecável. Nos últimos anos, dedicou-se à literatura, escrevendo romances de ficção histórica.