Por Rui Fonseca, Diretor da Escola de Educação e Desenvolvimento Humano do ISEC Lisboa
O envelhecimento demográfico registado em Portugal, marca fortemente a nossa sociedade e começa a redefinir o papel das instituições de ensino superior.
De acordo com o INE, cerca de um quarto da população portuguesa tem 65 ou mais anos, sendo o atual índice de envelhecimento de 192,4 (2024), crescendo continuamente desde 1978. Em termos simples, podemos afirmar que já há mais idosos do que jovens.
Em Portugal, a população entre os 50 e os 75 anos tem registado um acelerado crescimento, sendo hoje mais ativa, mais saudável e mais qualificada do que qualquer geração anterior, revelando uma elevada motivação para continuar a aprender, a participar civicamente e a contribuir economicamente e socialmente, para o desenvolvimento do país. Esta longevidade com saúde e atividade que se regista atualmente na sociedade portuguesa, convoca as instituições de ensino superior a adaptar-se e a integrar no seu seio, um novo contingente de estudantes, com expectativas, necessidades e objetivos diferenciados, dos restantes contingentes de estudantes do ensino superior.
Internacionalmente, a aprendizagem ao longo da vida é, cada vez mais, olhada como um pilar essencial do desenvolvimento humano. É de notar que organizações como a UNESCO, a OCDE e a União Europeia sublinham a necessidade de expandir a educação ao longo da vida, como forma ativa de combater o isolamento social, fomentar a literacia digital e valorizar a experiência acumulada, destes grupos etários.
Sabemos bem que o ensino superior contemporâneo já não se destina, em exclusivo, a jovens adultos. O ensino superior tem de ser também um lugar de reconfiguração de grupos etários mais avançados, através da promoção da saúde mental, do fomento de relações saudáveis, de um forte sentido de pertença, do combate ao isolamento social e da valorização da experiência profissional adquirida ao longo da vida. A promoção de programas académicos orientados para públicos maduros apresenta ganhos significativos em bem-estar, autoestima, participação cívica e competências cognitivas, para todos aqueles que nestes participam.
Cada vez mais, este é um lugar de atualização de competências, de reconversão profissional, de realização pessoal e cultural e de participação comunitária e intergeracional. A presença de estudantes com mais de 50 anos, contribui para a diversidade, a qualidade pedagógica e o enriquecimento das comunidades académicas, fortalecendo laços intergeracionais e valorizando as carreiras profissionais destes.
Como tal, a criação de oportunidades e programas formativos para os estudantes com mais de 50 anos é hoje uma parte significativa da missão social e compromisso com o desenvolvimento humano e comunitário, das instituições de ensino superior. Para a construção de uma sociedade mais equilibrada, ativa e saudável, urge facilitar o acesso ao ensino superior aos maiores de 50 anos.











