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Medicamentos fora de prazo: onde entregar e o que a farmácia aceita

Pessoa a colocar embalagens de medicamentos num contentor de recolha na farmácia
Maria Isadora Ribeiro

Vão para o caixote, para a sanita ou ficam anos na gaveta. Há um circuito próprio, é gratuito e aceita mais coisas do que a maioria das pessoas julga.

Quase todas as casas têm uma gaveta com medicamentos que sobraram de tratamentos antigos, embalagens meio vazias e caixas fora de prazo. O destino habitual é o caixote do lixo ou a sanita. Nenhum dos dois serve, e existe um circuito próprio que é gratuito.

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Onde se entrega

Os medicamentos fora de uso ou fora de prazo entregam-se nos contentores VALORMED, disponíveis nas farmácias comunitárias e nos locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica.

O serviço é gratuito para o utente. Não é preciso justificar nada nem preencher formulários: entrega-se e pronto.

O que se pode entregar

A lista é mais larga do que a maioria das pessoas imagina, e é aqui que está a informação mais útil.

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Além dos medicamentos que já não usa ou que estão fora de prazo, aceitam-se os materiais de acondicionamento e embalagem: cartonagens vazias, folhetos informativos, frascos, blisters, ampolas e bisnagas.

Aceitam-se também os acessórios de administração: colheres, copos doseadores, seringas doseadoras e conta-gotas.

Ou seja, a caixa de cartão vazia de um medicamento que já se acabou também vai para ali, e não para o papelão.

O que não se pode entregar

A lista de exclusões é curta e importante.

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Não se entregam agulhas, seringas nem qualquer material corto-perfurante. Não se entregam termómetros de mercúrio. Não se entregam aparelhos elétricos ou eletrónicos. E não se entrega material de penso e cirúrgico.

Para o material corto-perfurante existem circuitos próprios, e vale a pena perguntar na farmácia ou no centro de saúde qual é o aplicável na sua área.

O que acontece depois

Percebida a mecânica, é mais fácil levar a sério. Os contentores são selados no ponto de recolha e entregues aos distribuidores de medicamentos, que os transportam e conservam em contentores estanques.

Quando se atinge determinada quantidade, seguem para um centro de triagem, onde os resíduos são separados e classificados, e depois entregues a gestores de resíduos autorizados.

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É um circuito fechado, desenhado para que substâncias ativas não acabem em aterro nem na água.

Porque é que a sanita é o pior destino

Deitar comprimidos ou xaropes pela sanita abaixo parece prático e resolve a questão da segurança em casa. Cria outra.

As estações de tratamento de águas residuais não estão desenhadas para remover a maioria das substâncias ativas dos medicamentos, que acabam por chegar ao meio aquático. É um problema documentado e crescente.

O caixote do lixo comum tem um risco diferente e mais imediato: medicamentos acessíveis a crianças, a animais ou a quem revolva o contentor.

Uma arrumação que vale a pena fazer uma vez por ano

Fica uma sugestão prática, e é das que dá mais resultado por menos esforço.

Escolher um dia por ano, esvaziar a gaveta ou o armário dos medicamentos, separar o que está fora de prazo e o que já não se usa, e levar tudo à farmácia numa saída que já estava planeada.

Aproveitar para verificar os prazos do que fica, e anotar os que expiram nos próximos meses. Em casas onde há medicação crónica, essa revisão anual evita algo mais grave do que o desperdício: tomar por engano um medicamento antigo, de um tratamento que já terminou.